Às vezes, um par de dias e uma mudança de ambiente costumam fazer milagres.
Passar por situações que nunca imaginou vivenciar, conhecer pessoas diferentes daquelas com quem convive há tempos levam você a pensar que, se faltava alguma coisa para fazê-lo sair de sua zona de conforto e mudar de atitude em relação à vida, pronto, esse era o impulso necessário.
Durante anos, ficamos num emprego onde não nos valorizam, num relacionamento médio, numa cidade que nos deprime, aturando o vazio em que se transformou nossa vida, até perceber que as oportunidades são infinitas, desde que haja, fundamentalmente, duas coisas:vontade e coragem para mudar.
O que virá depois, só Deus sabe, mas tudo é melhor que viver estagnado e com a terrível sensação de que você é uma pessoa descartável, dispensável, e que deve ficar bem quietinha ouvindo pito e opiniões de quem pensa que está por cima só porque grita mais.
Quando você tem o prazer de rebentar a corda que está te enforcando e coloca um ponto de basta no tempo que passou abotoadinha, presa a circunstâncias que um dia foram ótimas mas que, por uma ou outra razão, deixaram de sê-lo e poder voltar a ser quem você realmente é, resgatando a si mesma é como respirar um ar novo e puro.
Poder mirar -se no espelho e enxergar a sua imagem verdadeira, livre daquela roupagem velha, incômoda e bolorenta é uma sensação de leveza indescritível.
Que tenhamos, sempre, a ventura de poder abraçar o novo!
segunda-feira, 19 de outubro de 2015
Abotoadinha
quinta-feira, 27 de agosto de 2015
E O Cordão...
Quando estava no quarto ano da faculdade de Direito, fui falar com um professor sobre uma nota.
Questionei-o sobre a pontuação obtida na prova e ele, com um sorriso de orelha a orelha, tascou: com esse sorriso e essas tuas covinhas, não precisas te preocupar com nota!
Nos tempos atuais, uma atitude assim, tão descarada, seria impensável.
Certamente a história iria parar nas redes sociais e aí, seria um salve-se quem puder, ou melhor, o professor estaria sumariamente reduzido a pó de traque.
E minha resposta, qual foi?
Do alto de meus vinte aninhos, encarei o professor figurão, quarentão, bonitão, e falei: sim, mas minhas covinhas, e todo o resto, não são para o teu bico! Quero saber a razão de ter tido minha nota alterada.
Bueno.
Com isso quero dizer que, desde sempre, nunca fui puxa saco.
E, quando vejo alguém que tem esse hábito, primeiro sinto nojo.
Depois, raiva.
Por último, pena.
Não há necessidade alguma de puxar o saco do chefe para manter o cargo.
Pois o que, de fato, faz diferença, é o potencial de cada um.
Ainda hoje observo, abismada, como tem gente que se presta para fazer qualquer coisa, a fim de manter o status quo.
Como é possível?
Pior é que o puxa saquismo é tão evidente que todos, absolutamente todos, se dão conta da situação.
Mas, enfim, caráter não se aprende na Faculdade.
Entretanto, embora em um primeiro momento o puxa saco pareça estar por cima da carne seca, olhando para os demais como se fossem uma bolachinha quebrada, outros olhos o observam, e veem suas deploráveis atitudes.
Melhor dizendo, a falta de.
Portanto, quando me deparo com um puxa saco, sinto pena: de tão incompetente, precisa estar sempre bajulando o superior, senão, balança e cai.
Ainda não me convenceram de que o estudo, a dedicação e o trabalho técnico valem menos que uma boa puxada de saco.
Não me convenceram!
Lamentavelmente, o que se vê é que o cordão dos puxa saco cada vez aumenta mais.
Sorte que - podem me taxar do que quiserem, dele nunca fiz, não faço e, se Deus quiser, não farei parte.
Questionei-o sobre a pontuação obtida na prova e ele, com um sorriso de orelha a orelha, tascou: com esse sorriso e essas tuas covinhas, não precisas te preocupar com nota!
Nos tempos atuais, uma atitude assim, tão descarada, seria impensável.
Certamente a história iria parar nas redes sociais e aí, seria um salve-se quem puder, ou melhor, o professor estaria sumariamente reduzido a pó de traque.
E minha resposta, qual foi?
Do alto de meus vinte aninhos, encarei o professor figurão, quarentão, bonitão, e falei: sim, mas minhas covinhas, e todo o resto, não são para o teu bico! Quero saber a razão de ter tido minha nota alterada.
Bueno.
Com isso quero dizer que, desde sempre, nunca fui puxa saco.
E, quando vejo alguém que tem esse hábito, primeiro sinto nojo.
Depois, raiva.
Por último, pena.
Não há necessidade alguma de puxar o saco do chefe para manter o cargo.
Pois o que, de fato, faz diferença, é o potencial de cada um.
Ainda hoje observo, abismada, como tem gente que se presta para fazer qualquer coisa, a fim de manter o status quo.
Como é possível?
Pior é que o puxa saquismo é tão evidente que todos, absolutamente todos, se dão conta da situação.
Mas, enfim, caráter não se aprende na Faculdade.
Entretanto, embora em um primeiro momento o puxa saco pareça estar por cima da carne seca, olhando para os demais como se fossem uma bolachinha quebrada, outros olhos o observam, e veem suas deploráveis atitudes.
Melhor dizendo, a falta de.
Portanto, quando me deparo com um puxa saco, sinto pena: de tão incompetente, precisa estar sempre bajulando o superior, senão, balança e cai.
Ainda não me convenceram de que o estudo, a dedicação e o trabalho técnico valem menos que uma boa puxada de saco.
Não me convenceram!
Lamentavelmente, o que se vê é que o cordão dos puxa saco cada vez aumenta mais.
Sorte que - podem me taxar do que quiserem, dele nunca fiz, não faço e, se Deus quiser, não farei parte.
terça-feira, 18 de agosto de 2015
Réquiem Para os Livros
Como disse Santa Teresa, tudo passa.Só Deus não muda.
Quero crer que sim, adorável Santinha.
Tocou-me a triste tarefa de separar os livros que eram de meu Pai, documentos de antanho, pastas, fotografias, notas, bilhetes, recibos.
Foram dias separando tudo e, se não fosse pela ajuda que recebi do marido e de três fiéis funcionários, não teria conseguido, devido à extraordinária carga emocional que aquilo me trouxe.
Passei mais de semana chorando e pensava, queria escrever sobre tudo aquilo mas não tinha coragem, pois seria pesado demais.
Doloroso é ter que dar um fim a objetos que simbolizaram parte da história de nossas vidas mas que, por força das circunstâncias e do decurso do tempo, tornaram-se obsoletos e sem serventia.
Acumulavam pó, nada mais.
Simples assim, e extremamente triste, pois todos aqueles livros, coleções inteiras cuidadosamente enfileiradas nas estantes, um dia foram úteis e tiveram seu passado de glória, lidos à exaustão, horas e horas de pesquisa, para que pudéssemos apresentar um trabalho digno e limpo.
Um trabalho bom.
Meu Pai, a toda certeza, logrou êxito em sua missão de operador do Direito.
Sobre a minha pessoa, o tempo dirá.
Mas o fato é que havia a necessidade de tirar todos os livros daquele local onde um dia foi o escritório de advocacia do Dr. Edgard.
Não foi possível fazê-lo de maneira rápida, o que talvez deixasse o processo menos dolorido.
Foram necessários vários dias e muitos ajustes, até que a última caixa saiu, e fechei a porta.
E como doeu!
Foi muito, muito difícil ver todos aqueles livros sendo tocados por mãos que não as do meu Pai, pois ele foi quem os adquiriu, cuidou, colecionou, limpou.
Livros de toda a vida!
Religiosamente, uma vez por semestre, ele contratava uma pessoa que ia lá para o escritório limpar os livros, um a um.
Que tarefa!
Ele tinha adoração por aqueles livros e eis que a mim, justo a mim, que amava e amo e sempre amarei meu Pai, e adoro livros, a mim coube tirá-los de circulação.
E, ao passo que via como iam sendo levados, vinha a minha cabeça, de maneira recorrente, uma cena triste daquelas carruagens de antigamente, carregando pessoas.
Um réquiem para os livros.
Chorei uma semana, chorei no cantinho, na sala, da rua, na chuva e na fazenda, antes de dormir, e até dormir de tanto chorar, chorei no café da manhã, chorei tudo o que tinha para chorar.
Mas aí, como é de minha natureza, um belo dia eu acordei muito bem, e com uma energia nova.
Havia passado por mais uma prova, dessas que Ele me manda, e eu passo, pois não sou de fugir.
Fiz novos arranjos, perfumei a casa.
Levantei a cabeça e saí, para seguir em frente.
Sim, adorável Santinha, tens razão: tudo passa. Só Deus não muda.
Quero crer que sim, adorável Santinha.
Tocou-me a triste tarefa de separar os livros que eram de meu Pai, documentos de antanho, pastas, fotografias, notas, bilhetes, recibos.
Foram dias separando tudo e, se não fosse pela ajuda que recebi do marido e de três fiéis funcionários, não teria conseguido, devido à extraordinária carga emocional que aquilo me trouxe.
Passei mais de semana chorando e pensava, queria escrever sobre tudo aquilo mas não tinha coragem, pois seria pesado demais.
Doloroso é ter que dar um fim a objetos que simbolizaram parte da história de nossas vidas mas que, por força das circunstâncias e do decurso do tempo, tornaram-se obsoletos e sem serventia.
Acumulavam pó, nada mais.
Simples assim, e extremamente triste, pois todos aqueles livros, coleções inteiras cuidadosamente enfileiradas nas estantes, um dia foram úteis e tiveram seu passado de glória, lidos à exaustão, horas e horas de pesquisa, para que pudéssemos apresentar um trabalho digno e limpo.
Um trabalho bom.
Meu Pai, a toda certeza, logrou êxito em sua missão de operador do Direito.
Sobre a minha pessoa, o tempo dirá.
Mas o fato é que havia a necessidade de tirar todos os livros daquele local onde um dia foi o escritório de advocacia do Dr. Edgard.
Não foi possível fazê-lo de maneira rápida, o que talvez deixasse o processo menos dolorido.
Foram necessários vários dias e muitos ajustes, até que a última caixa saiu, e fechei a porta.
E como doeu!
Foi muito, muito difícil ver todos aqueles livros sendo tocados por mãos que não as do meu Pai, pois ele foi quem os adquiriu, cuidou, colecionou, limpou.
Livros de toda a vida!
Religiosamente, uma vez por semestre, ele contratava uma pessoa que ia lá para o escritório limpar os livros, um a um.
Que tarefa!
Ele tinha adoração por aqueles livros e eis que a mim, justo a mim, que amava e amo e sempre amarei meu Pai, e adoro livros, a mim coube tirá-los de circulação.
E, ao passo que via como iam sendo levados, vinha a minha cabeça, de maneira recorrente, uma cena triste daquelas carruagens de antigamente, carregando pessoas.
Um réquiem para os livros.
Chorei uma semana, chorei no cantinho, na sala, da rua, na chuva e na fazenda, antes de dormir, e até dormir de tanto chorar, chorei no café da manhã, chorei tudo o que tinha para chorar.
Mas aí, como é de minha natureza, um belo dia eu acordei muito bem, e com uma energia nova.
Havia passado por mais uma prova, dessas que Ele me manda, e eu passo, pois não sou de fugir.
Fiz novos arranjos, perfumei a casa.
Levantei a cabeça e saí, para seguir em frente.
Sim, adorável Santinha, tens razão: tudo passa. Só Deus não muda.
segunda-feira, 27 de julho de 2015
De Mão No Bolso
Eu gosto de observar pessoas e lugares.
Quem assistiu ao filme Para Sempre Alice, agora também pelo Netflix, não ficou imune àquela história, baseada em fatos reais.
Alice, uma Professora universitária de renome depara-se, aos 50 anos, com um diagnóstico de Alzheimer e o que se vê, da metade do filme em diante, é uma história triste, deveras mas, acima de tudo, de superação e dos novos arranjos familiares que, necessariamente, tiveram de ser feitos.
Triste e muito real, pode acontecer com qualquer um de nós.
Saí pensativa do cinema, pois o filme nos leva à reflexão e não há como não imaginar-se em um quadro como o dela.
Cinquenta anos e eu, 54.
Nada me assusta mais que perder a compostura.
A lucidez, esse seria o termo correto.
Depender da bondade e da paciência dos demais para realizar as mais triviais tarefas deve ser algo muito aterrador para alguém acostumado a caminhar com as próprias pernas.
Por isso eu, que observo muito o que me rodeia, fico deveras impressionada com algumas pessoas que conheço e, depois que se aposentam, parece que também deixaram de lado a vida.
Explico-me.
Eu vou para o trabalho todos os dias e, num determinado ponto do caminho, passo por um senhor, recostado no muro de sua casa, parado, mãos nos bolsos das calças, observando o vai e vem das pessoas e dos carros.
Quando chego no trabalho, deparo-me com um outro cidadão, recostado no muro da Prefeitura, parado, com as mãos nos bolsos das calças, observando o vai e vem das pessoas e dos carros.
Eu sinto uma vontade incomensurável de gritar, tiraaaaa a mãoooo do bolsssooo, e vai arrumar um pátio pra capinar!!!
Meu Deus do céu., como é possível que um ser consiga ficar parado, olhando, numa posição de completa inutilidade, a vida passar?
Os modelos que carregamos nos fazem criar imagens do que é certo ou errado e isso, definitivamente, não está correto.
Eu tenho um modelo familiar de avós, pais, tios e irmãos altamente produtivos.
Portanto, causa-me espécie quando vejo um homem paradito, olhando...
Sim, isso me dá vontade de gritar: tiraaaaa...
Por sorte, o mecanismo de controle que me foi ensinado ainda funciona e fico a pensar, cada vez que observo ditas cenas - todos os dias, por sinal, que nada, absolutamente nada tenho a ver com a atitude de contemplação de tais pessoas.
Nadica de nada.
Porém, rogo a Deus (além de não perder a compostura):
Ó Senhor, não deixes que me transforme em uma senhora aposentada, parada, recostada numa parede, olhando a vida passar. Livrai-me do mal da inutilidade.
Amém!
Quem assistiu ao filme Para Sempre Alice, agora também pelo Netflix, não ficou imune àquela história, baseada em fatos reais.
Alice, uma Professora universitária de renome depara-se, aos 50 anos, com um diagnóstico de Alzheimer e o que se vê, da metade do filme em diante, é uma história triste, deveras mas, acima de tudo, de superação e dos novos arranjos familiares que, necessariamente, tiveram de ser feitos.
Triste e muito real, pode acontecer com qualquer um de nós.
Saí pensativa do cinema, pois o filme nos leva à reflexão e não há como não imaginar-se em um quadro como o dela.
Cinquenta anos e eu, 54.
Nada me assusta mais que perder a compostura.
A lucidez, esse seria o termo correto.
Depender da bondade e da paciência dos demais para realizar as mais triviais tarefas deve ser algo muito aterrador para alguém acostumado a caminhar com as próprias pernas.
Por isso eu, que observo muito o que me rodeia, fico deveras impressionada com algumas pessoas que conheço e, depois que se aposentam, parece que também deixaram de lado a vida.
Explico-me.
Eu vou para o trabalho todos os dias e, num determinado ponto do caminho, passo por um senhor, recostado no muro de sua casa, parado, mãos nos bolsos das calças, observando o vai e vem das pessoas e dos carros.
Quando chego no trabalho, deparo-me com um outro cidadão, recostado no muro da Prefeitura, parado, com as mãos nos bolsos das calças, observando o vai e vem das pessoas e dos carros.
Eu sinto uma vontade incomensurável de gritar, tiraaaaa a mãoooo do bolsssooo, e vai arrumar um pátio pra capinar!!!
Meu Deus do céu., como é possível que um ser consiga ficar parado, olhando, numa posição de completa inutilidade, a vida passar?
Os modelos que carregamos nos fazem criar imagens do que é certo ou errado e isso, definitivamente, não está correto.
Eu tenho um modelo familiar de avós, pais, tios e irmãos altamente produtivos.
Portanto, causa-me espécie quando vejo um homem paradito, olhando...
Sim, isso me dá vontade de gritar: tiraaaaa...
Por sorte, o mecanismo de controle que me foi ensinado ainda funciona e fico a pensar, cada vez que observo ditas cenas - todos os dias, por sinal, que nada, absolutamente nada tenho a ver com a atitude de contemplação de tais pessoas.
Nadica de nada.
Porém, rogo a Deus (além de não perder a compostura):
Ó Senhor, não deixes que me transforme em uma senhora aposentada, parada, recostada numa parede, olhando a vida passar. Livrai-me do mal da inutilidade.
Amém!
Gavetinhas
Eis-me aqui, depois de horas.
O meu fã clube de meia dúzia de gatos pingados, não raro, vêm se insurgindo com a escassez de publicações o que, por um lado, me honra e envaidece mas, por outro, preocupa-me.
Ocorre que tive a ideia de criar um blog e fiquei meses a fio ruminando qual seria o título, os temas que abrangeria, a forma da escrita, enfim.
Conclusão: a forma de escrever é a minha e não há cursinho ou dica que me faça mudar o jeito e o modo de fazê-lo.
Não sei se isso é bom ou ruim, fato é que não há como dissociar o meu eu e a forma como encaro a vida, o trabalho e as relações pessoais daquilo que escrevo.
A raiz disso, aliás, lembrei-me que, aos nove, dez anos, costumava escrever redações e hoje, por incrível que pareça, quando recordo dos conteúdos, vejo que nada mudou.
Por tais razões, este meu jeito não irá sofrer alterações uma vez que, para mim, escrever é um ato sublime, recuso-me a fazê-lo sem vontade ou apenas para, com o perdão da expressão, encher linguiça, que pese as reclamações do meu fã clube às quais, comovida, agradeço.
É que a escrita é caprichosa, fato que já comentei em postagem anterior, ela não é um botão automático que ligado, dá início a uma produção em série.
Ao menos para mim, não é assim que funciona.
Por outro lado, preciso registrar que, ocupada com tantos assuntos, as postagens começaram a empilhar-se num escaninho da mente há dias, e ali ficaram, me cutucando...e aí, não vai escrever hoje? como assim? ué, sais, abandonou o barco?
Algo como se meu cérebro fosse composto por gavetinhas que se abrem e se fecham e, ali, as ideias vão se misturando e se sobrepondo, caso não decida colocá-las no papel.
Um inferno na torre!
Confesso que, em determinados momentos, aí sim, eu gostaria que minha mente tivesse um botãozinho de desligado.
Não tem.
Para evitar que as gavetinhas fiquem por demais bagunçadas, tomei uma decisão. a fim de por ordem na coisa, ou melhor, na mente, vamos esvaziar as gavetinhas!
E o resultado dessa movimentação interna, espero, para o bem dos queridos leitores, e para o meu próprio, que nos seja propício.
* Uma feliz e abençoada semana a todos!!!
O meu fã clube de meia dúzia de gatos pingados, não raro, vêm se insurgindo com a escassez de publicações o que, por um lado, me honra e envaidece mas, por outro, preocupa-me.
Ocorre que tive a ideia de criar um blog e fiquei meses a fio ruminando qual seria o título, os temas que abrangeria, a forma da escrita, enfim.
Conclusão: a forma de escrever é a minha e não há cursinho ou dica que me faça mudar o jeito e o modo de fazê-lo.
Não sei se isso é bom ou ruim, fato é que não há como dissociar o meu eu e a forma como encaro a vida, o trabalho e as relações pessoais daquilo que escrevo.
A raiz disso, aliás, lembrei-me que, aos nove, dez anos, costumava escrever redações e hoje, por incrível que pareça, quando recordo dos conteúdos, vejo que nada mudou.
Por tais razões, este meu jeito não irá sofrer alterações uma vez que, para mim, escrever é um ato sublime, recuso-me a fazê-lo sem vontade ou apenas para, com o perdão da expressão, encher linguiça, que pese as reclamações do meu fã clube às quais, comovida, agradeço.
É que a escrita é caprichosa, fato que já comentei em postagem anterior, ela não é um botão automático que ligado, dá início a uma produção em série.
Ao menos para mim, não é assim que funciona.
Por outro lado, preciso registrar que, ocupada com tantos assuntos, as postagens começaram a empilhar-se num escaninho da mente há dias, e ali ficaram, me cutucando...e aí, não vai escrever hoje? como assim? ué, sais, abandonou o barco?
Algo como se meu cérebro fosse composto por gavetinhas que se abrem e se fecham e, ali, as ideias vão se misturando e se sobrepondo, caso não decida colocá-las no papel.
Um inferno na torre!
Confesso que, em determinados momentos, aí sim, eu gostaria que minha mente tivesse um botãozinho de desligado.
Não tem.
Para evitar que as gavetinhas fiquem por demais bagunçadas, tomei uma decisão. a fim de por ordem na coisa, ou melhor, na mente, vamos esvaziar as gavetinhas!
E o resultado dessa movimentação interna, espero, para o bem dos queridos leitores, e para o meu próprio, que nos seja propício.
* Uma feliz e abençoada semana a todos!!!
quinta-feira, 2 de julho de 2015
A Vaga Comprada
Tempos atrás me contaram uma história.
Certa pessoa não conseguia, de jeito nenhum, entrar na Universidade e a abastada família, cansada de ver, ano após ano, seu rebento tomar ferro no vestibular, decidiu dar uma tenteada e foi lá, levar um papo reto com o reitor.
Lá chegando, disse-me essa pessoa, tomou um chá de banco daqueles, mas não se intimidou e permaneceu na sala de espera da reitoria por horas a fio, até que foi atendida.
O resultado de tal conversa não me foi contado, mas o fato é que, um par de meses depois, o jovem que queria entrar na Universidade mas não conseguia passar no vestibular estava lá, lampeiro da silva.
Eu não sei se isto é mentira ou é verdade.
O que me causou espécie é que, na época, seu nome não constava na lista dos aprovados, nem na lista do remanejo.
Entretanto, atenho-me a comentar o fato de um pai ou uma mãe se prestarem para ir até uma reitoria para tentarem comprar uma vaga para o(a) filho(a) burro.
É preciso ser, além de cara de pau, extremamente mau caráter.
Esta historieta que me foi contada e, repriso, desconheço se é verdadeira ou falsa, causou-me verdadeira repugnância pois, ao ouvi-la, não pude deixar de lembrar do tanto que ralei para passar no vestibular.
Concluí o ensino médio aqui, no Itaqui e, com 16 aninhos, cheguei de mala e cuia em Porto Alegre.
Não sabia nada de coisa alguma, como aliás, já postei anteriormente, mas isso não foi empecilho para que eu buscasse, a cada dia, aprender.
Um dia, outro dia.
Semanas.
Meses.
Um ano inteiro!
Enquanto os demais estavam na praia, eu estava ali, estudando, de manhã, de tarde, de noite.
Eu queria passar no vestibular!
E passei.
Não nego que uma das maiores emoções que senti na vida foi quando escutei meu nome sendo pronunciado pelo repórter da Rádio Guaíba.
Aquela conquista era minha, e somente minha.
Todos me ajudaram a chegar lá, mas se eu não tivesse me esforçado muito, não teria tido aquela alegria.
Bueno, então, eu posso dizer, de boca cheia, que entrei na Universidade pela porta da frente, e de lá saí, após os cinco anos de curso regular, igualmente pela porta da frente, com meu precioso Diploma em mãos.
Não houve necessidade de o Dr. Edgard, meu amado Pai, ir até a reitoria pedir penico e vender meia dúzia de cabeças de gado puro de pedigree para comprar uma vaga para mim.
Em tudo isso eu pensava, escutando aquele papo brabo de compra de vaga.
No começo, incrédula.
Depois, com nojo.
Agora, passados mais de quinze anos desta história, o resultado: a pessoa para quem, supostamente, foi comprada a vaga na Universidade, tornou-se um profissional movido apenas pela ganância e pelo dinheiro, sem ternura e compaixão.
Não estranho: se você tem um pai e uma mãe que vão até uma universidade tentar comprar uma vaga pra você, o que eles estão dizendo? que o dinheiro compra tudo.
Mas será que compra mesmo?
A suprema ventura de entrar e sair da faculdade pela porta da frente, sem nunca ter precisado valer-se de qualquer ardil para conseguir o ingresso, ah, isso, o vil metal não compra!
Não estranho: se você tem um pai e uma mãe que vão até uma universidade tentar comprar uma vaga pra você, o que eles estão dizendo? que o dinheiro compra tudo.
Mas será que compra mesmo?
A suprema ventura de entrar e sair da faculdade pela porta da frente, sem nunca ter precisado valer-se de qualquer ardil para conseguir o ingresso, ah, isso, o vil metal não compra!
Pensando No Meu Pai
Quando estou alegre, lembro-me do meu Pai.
Quando estou triste, idem.
E quando preciso, desesperadamente, de um ombro amigo e de um conselho daqueles que recebemos só de quem nos ama muito, sem pedir contrapartida, penso nele.
Aliás, dias há em que consigo senti-lo tão perto que poderia, quiçá, tocá-lo, chego a ouvir sua risada alta, alegre, que não deixava dúvidas, sim, ele estava de bem com a vida.
Hoje lembrei-me dele logo que acordei, saí para o pátio gelado, cedinho da manhã, para observar o dia e o céu lindo do meu Itaqui.
Parêntese:
Eu ando, viro, vou e volto, e sempre vejo-me a pensar no quão ligada estou a esta terra.
Adoro viajar, é verdade, é um privilégio poder visitar lugares, conhecer novas paisagens, rever amigos, fazer programas diferentes.
Mal chego, ponho-me a matutar sobre o próximo destino.
Só tem uma coisa: lá pelas folhas tantas, eu quero voltar.
Quero voltar para o Itaqui.
Preciso rever a Praça com suas árvores majestosas, olhar para o prédio da Prefeitura, passar pela Igreja Matriz de São Patrício, encontrar meus amigos e afetos, conhecidos, ir até a padaria, ao Salão de Beleza que frequento há mais de 12 anos, eu preciso.
Cada vez que volto do Porto Alegre, o povo de lá me questiona: por que não vem de muda para cá?
E eu, realmente, sinto-me tentada, não vou mentir.
Entretanto, há algo que não me deixa partir: são minhas raízes.
Eu nasci e me criei no Itaqui, aqui criei minhas filhas, a maior parte de minha história de vida está aqui.
Tudo isso veio à baila por uma razão mui simples: preciso tomar decisões e não posso errar.
Não devo errar, isso é um luxo permitido a quem tem 20 anos, não a quem está com 54.
Será?
Fecha parêntese.
Voltemos ao início: quando estou alegre, lembro-me do meu Pai.
Quando estou triste, idem.
Ao ter que decidir sobre determinada questão, pensei nele ainda mais, em sua figura ímpar, no seu abraço.
Que falta tremenda me faz o seu abraço!
Vejam vocês, queridos amigos, como são as coisas.
Eu saí para o trabalho matutando, falando mentalmente com ele, contando a ele de algumas amarguras e aborrecimentos, e dessa forma fui indo.
Quando desci do carro, quase de imediato, um amigo me avistou e veio ao meu encontro, de braços abertos, e me deu o popular abraço de urso, tão apertado que quase sufoquei, e ali ficamos conversando, na calçada da prefeitura, por alguns minutos.
Não pude deixar de pensar que aquele abraço do meu amigo era muito parecido com o do meu Pai.
Quem sabe um recado...
E, como já postei aqui outras vezes, o poder do abraço e sua força são como um remédio para a alma e para o coração.
E, de acabrunhada que vinha, passei a sentir uma grande alegria.
Um par de horas depois, eis que surge a resposta para minhas dúvidas e questionamentos, tão fácil e simples que até me pareceu um verdadeiro milagre.
E o notável é que, a todo instante, sentia a presença do meu Pai do meu lado, a me amparar e confortar, como nos velhos tempos.
Há certas coisas que não conseguimos explicar.
Apenas sentimos.
O que posso dizer, então, é que há uma energia, emanada do amor, que permanece e, de alguma forma, se comunica, não importa o tempo ou o lugar.
E hoje pela manhã, recebi uma mensagem muito clara dele: primeiro, através do abraço do meu amigo e, depois, pela notícia, há meses esperada.
Também pensei em sua tenacidade e perseverança, nos tempos difíceis de sua vida, na força com a qual enfrentava ventos e tempestades.
Ele era um lutador, portador de uma fé inquebrantável.
Aprendi tanto com meu Pai.
Continuo aprendendo.
Grandes lições trouxe-me o dia de hoje.
Encerro, alegre e, como não poderia deixar de ser...pensando no meu Pai.
Quando estou triste, idem.
E quando preciso, desesperadamente, de um ombro amigo e de um conselho daqueles que recebemos só de quem nos ama muito, sem pedir contrapartida, penso nele.
Aliás, dias há em que consigo senti-lo tão perto que poderia, quiçá, tocá-lo, chego a ouvir sua risada alta, alegre, que não deixava dúvidas, sim, ele estava de bem com a vida.
Hoje lembrei-me dele logo que acordei, saí para o pátio gelado, cedinho da manhã, para observar o dia e o céu lindo do meu Itaqui.
Parêntese:
Eu ando, viro, vou e volto, e sempre vejo-me a pensar no quão ligada estou a esta terra.
Adoro viajar, é verdade, é um privilégio poder visitar lugares, conhecer novas paisagens, rever amigos, fazer programas diferentes.
Mal chego, ponho-me a matutar sobre o próximo destino.
Só tem uma coisa: lá pelas folhas tantas, eu quero voltar.
Quero voltar para o Itaqui.
Preciso rever a Praça com suas árvores majestosas, olhar para o prédio da Prefeitura, passar pela Igreja Matriz de São Patrício, encontrar meus amigos e afetos, conhecidos, ir até a padaria, ao Salão de Beleza que frequento há mais de 12 anos, eu preciso.
Cada vez que volto do Porto Alegre, o povo de lá me questiona: por que não vem de muda para cá?
E eu, realmente, sinto-me tentada, não vou mentir.
Entretanto, há algo que não me deixa partir: são minhas raízes.
Eu nasci e me criei no Itaqui, aqui criei minhas filhas, a maior parte de minha história de vida está aqui.
Tudo isso veio à baila por uma razão mui simples: preciso tomar decisões e não posso errar.
Não devo errar, isso é um luxo permitido a quem tem 20 anos, não a quem está com 54.
Será?
Fecha parêntese.
Voltemos ao início: quando estou alegre, lembro-me do meu Pai.
Quando estou triste, idem.
Ao ter que decidir sobre determinada questão, pensei nele ainda mais, em sua figura ímpar, no seu abraço.
Que falta tremenda me faz o seu abraço!
Vejam vocês, queridos amigos, como são as coisas.
Eu saí para o trabalho matutando, falando mentalmente com ele, contando a ele de algumas amarguras e aborrecimentos, e dessa forma fui indo.
Quando desci do carro, quase de imediato, um amigo me avistou e veio ao meu encontro, de braços abertos, e me deu o popular abraço de urso, tão apertado que quase sufoquei, e ali ficamos conversando, na calçada da prefeitura, por alguns minutos.
Não pude deixar de pensar que aquele abraço do meu amigo era muito parecido com o do meu Pai.
Quem sabe um recado...
E, como já postei aqui outras vezes, o poder do abraço e sua força são como um remédio para a alma e para o coração.
E, de acabrunhada que vinha, passei a sentir uma grande alegria.
Um par de horas depois, eis que surge a resposta para minhas dúvidas e questionamentos, tão fácil e simples que até me pareceu um verdadeiro milagre.
E o notável é que, a todo instante, sentia a presença do meu Pai do meu lado, a me amparar e confortar, como nos velhos tempos.
Há certas coisas que não conseguimos explicar.
Apenas sentimos.
O que posso dizer, então, é que há uma energia, emanada do amor, que permanece e, de alguma forma, se comunica, não importa o tempo ou o lugar.
E hoje pela manhã, recebi uma mensagem muito clara dele: primeiro, através do abraço do meu amigo e, depois, pela notícia, há meses esperada.
Também pensei em sua tenacidade e perseverança, nos tempos difíceis de sua vida, na força com a qual enfrentava ventos e tempestades.
Ele era um lutador, portador de uma fé inquebrantável.
Aprendi tanto com meu Pai.
Continuo aprendendo.
Grandes lições trouxe-me o dia de hoje.
Encerro, alegre e, como não poderia deixar de ser...pensando no meu Pai.
terça-feira, 23 de junho de 2015
O Senhor Inverno
O Inverno convida à introspecção.
A gente senta na frente da lareira con un matecito, fica observando as chamas, as brasas que vão se formando, e o pensamento viaja.
Não raro, quando dou por mim estou novamente na sala da casa que era dos meus pais e que um dia foi minha, a embalar-me suavemente na cadeira de balanço do Dr. Edgard, colocada ao lado da lareira, como minha mãe gostava, sentindo o calor quase a queimar-me as pernas.
Vou até a cozinha imensa onde, sobre o fogão à lenha, um panelão de sopa de cheiro e sabor inigualáveis vai se virando, lentamente.
O Inverno me faz nostálgica, estado de alma do qual procuro fugir pois não me agrada e menos ainda me alegra, ao contrário, sinto um tal aperto no peito que quase me sufoco, quero chorar e sei que não devo, devo chorar mas não quero, pois é preciso seguir vivendo e andando para a frente.
O passado, embora tão vívido, é um tempo que acabou e jamais voltará.
Antes, eu gostava do Inverno.
Dos dias gelados em que saía para a escola, a pé, sentindo o vento no rosto, e nada me abalava.
Das travessias de chalana até o Alvear, com minha mãe, para visitar minha avó Adelaida e minhas tias Maria Luisa e Alba Mercedes, fartando-me com doces em calda e pão caseiro.
De ajudar meu pai a fazer fogo no fogão à lenha e na lareira, e de ir até os fundos do pátio carregar os troncos no carrinho de mão.
Antes, eu gostava do Inverno.
Agora, não mais.
Ele me deixa irremediavelmente nostálgica e não, não quero sentir o coração apertado como um novelinho de lã.
Definitivamente, troquei o frio e a geada pelo calor e pelo sol, a lareira pelo mar, as janelas fechadas por persianas abertas, as silenciosas noites invernais pela alegria escandalosa das noites de verão, com suas estrelas, lua cheia, grilos e vagalumes.
Quem diria!
Logo eu, nascida no rigor do Inverno, estou agora trocando-o pelo Verão.
Eterna caminhante, é o que sou.
E, em relação a isso, não transijo e nem desisto: sigo, sempre, em busca de lugares musicais e coloridos, de dias enfeitados, atraída pela luz e pelo perfume das flores.
Onde meu coração fica leve, é aí que quero estar.
A gente senta na frente da lareira con un matecito, fica observando as chamas, as brasas que vão se formando, e o pensamento viaja.
Não raro, quando dou por mim estou novamente na sala da casa que era dos meus pais e que um dia foi minha, a embalar-me suavemente na cadeira de balanço do Dr. Edgard, colocada ao lado da lareira, como minha mãe gostava, sentindo o calor quase a queimar-me as pernas.
Vou até a cozinha imensa onde, sobre o fogão à lenha, um panelão de sopa de cheiro e sabor inigualáveis vai se virando, lentamente.
O Inverno me faz nostálgica, estado de alma do qual procuro fugir pois não me agrada e menos ainda me alegra, ao contrário, sinto um tal aperto no peito que quase me sufoco, quero chorar e sei que não devo, devo chorar mas não quero, pois é preciso seguir vivendo e andando para a frente.
O passado, embora tão vívido, é um tempo que acabou e jamais voltará.
Antes, eu gostava do Inverno.
Dos dias gelados em que saía para a escola, a pé, sentindo o vento no rosto, e nada me abalava.
Das travessias de chalana até o Alvear, com minha mãe, para visitar minha avó Adelaida e minhas tias Maria Luisa e Alba Mercedes, fartando-me com doces em calda e pão caseiro.
De ajudar meu pai a fazer fogo no fogão à lenha e na lareira, e de ir até os fundos do pátio carregar os troncos no carrinho de mão.
Antes, eu gostava do Inverno.
Agora, não mais.
Ele me deixa irremediavelmente nostálgica e não, não quero sentir o coração apertado como um novelinho de lã.
Definitivamente, troquei o frio e a geada pelo calor e pelo sol, a lareira pelo mar, as janelas fechadas por persianas abertas, as silenciosas noites invernais pela alegria escandalosa das noites de verão, com suas estrelas, lua cheia, grilos e vagalumes.
Quem diria!
Logo eu, nascida no rigor do Inverno, estou agora trocando-o pelo Verão.
Eterna caminhante, é o que sou.
E, em relação a isso, não transijo e nem desisto: sigo, sempre, em busca de lugares musicais e coloridos, de dias enfeitados, atraída pela luz e pelo perfume das flores.
Onde meu coração fica leve, é aí que quero estar.
sexta-feira, 19 de junho de 2015
Matecito de Inverno
![]() |
| Cadeira de balanço a postos para un matecito na frente da lareira |
P |
| ...observando o dia indo embora. |
A Questão Do Nome
Pensei bastante sobre a questão do nome, algo que está tão ligado ao nosso ser e a maneira como encaramos a vida quanto o ar que respiramos.
O nome e o sobrenome que carregamos pode ser como uma grande bandeira, hasteada bem no alto de um mastro, tremulando altiva, e não é qualquer ventania ou batalha que possui o condão de despedaçá-la.
Você tem um orgulho imenso daquele sobrenome, desenho perfeito de suas origens e de toda a sua história, e da de seus antepassados, e isso é motivo de grande satisfação interior e é o que faz você acordar todo santo dia, faça chuva, faça sol, com calor, com frio, e enfrentar, de cara limpa e fronte erguida, o que o dia tem a lhe oferecer, e você, a ele.
Uma troca.
Muitas vezes, a vida lhe dá algumas gambetas, mas você continua lá, e quando está quase esmorecendo e pensando em mandar tudo para o alto, lembra do seu nome e do seu sobrenome, e ergue a bandeira outra vez.
Assim ensino, diariamente, as minhas filhas: honra o nome e o sobrenome que teus avós e teus pais te deram.
Eu, particularmente, tenho minha bandeira: o sobrenome que meus avós e meus pais me deram: Fernández de Mondadori.
Não há nada mais sagrado para mim, neste mundo, que esses dois sobrenomes, pois neles se encerra, repriso, a história daqueles que me antecederam, a minha e a de minha família.
Por tais razões, fico fula da vida quando vejo uma pessoa que não é detentora do meu sobrenome vangloriar-se com ele, como se propriedade sua fosse, e não é.
São aqueles parentes que saíram da ribomboca da parafuseta, nunca tiveram participação alguma nas histórias familiares, aliás, nem nascidos eram, e utilizam os feitos de um antepassado distante para mostrar que são alguém na ordem do dia.
Isso, realmente, me deixa muito chateada, eufemisticamente falando.
Ora bolas, se eu não sou Fernández de Mondadori, por exemplo, a troco de que santo quero usar esse sobrenome, a não ser para vangloriar-me?
Por que?
Teria, por acaso, vergonha do nome e do sobrenome que detém?
Seriam eles, ao serem pronunciados, motivo de vergonha e opróbrio?
Será que aquele sobrenome é tão insignificante, a tal ponto de que não há como hasteá-lo?
Pareceria ele uma flâmula, daquelas da década de sessenta que meus irmãos colecionavam e penduravam na parede do quarto?
A questão do nome é complexa.
Você conhece uma pessoa rato?
Isto é, aquela pessoa que vai lá, pega um sobrenome que não é o seu, uma história de vida que não é a sua, de pessoas que ela sequer conheceu, e usa como se fosse um comercial de ração para cachorro?
Repugnante!
A pessoa rato se imiscui em uma história da qual nada sabe - sim, porque, por mais que a pessoa rato detenha o título de propriedade do bem, há coisas que jamais serão suas: os momentos felizes, a trajetória da infância, da juventude, da idade madura, os valores, os hábitos, os fatos e os caminhos trilhados por aquelas gentes que, um século antes de a pessoa rato existir, já estavam neste mundo e que, nem em seus piores pesadelos, poderiam imaginar destruição de tal envergadura - e faz de tudo o que foi construído ao longo de mais de cem anos, terra arrasada.
A pessoa rato não tem o menor pudor em mostrar sua prepotência que, ao fim e ao cabo, nada mais é que a falta de caráter que permeia a sua trajetória.
Sua, e não daqueles que a precederam.
Repulsivo!
Mas usa o nome e o sobrenome de outrem, e o que outros construíram para justificar seus feitos.
Feitos?
Que feitos?
Nada há de louvável em apoderar-se de uma história familiar que é composta por um sem número de pessoas com seus afetos, amores, decepções, vida, enfim, e na qual a pessoa rato não teve a mínima participação e adonar-se dela como se tudo tivesse passado a existir de um tempo para a frente, o seu tempo, e o tempo dos demais não existisse.
As pessoas rato são assim: começam a corroer, bem devagar, um pedacinho aqui, uma lasquinha ali, uma fatia acolá...até apoderar-se do bolo inteiro.
Nada sabem construir por esforço próprio, precisam da escora que os pedaços roubados lhes proporciona.
Uma coisa, entretanto, esse tipo de gente pilantra desconhece: nada do que se constrói usurpando aquilo que, de forma legítima e incontestável pertenceu a alguém, vinga.
Pois, tão certo quanto o mundo é redondo e nada fica nos cantos, igualmente correto é afirmar que a pessoa rato, por mais astúcia que imagine possuir, um belo dia cai na ratoeira.
Pláft!
O nome e o sobrenome que carregamos pode ser como uma grande bandeira, hasteada bem no alto de um mastro, tremulando altiva, e não é qualquer ventania ou batalha que possui o condão de despedaçá-la.
Você tem um orgulho imenso daquele sobrenome, desenho perfeito de suas origens e de toda a sua história, e da de seus antepassados, e isso é motivo de grande satisfação interior e é o que faz você acordar todo santo dia, faça chuva, faça sol, com calor, com frio, e enfrentar, de cara limpa e fronte erguida, o que o dia tem a lhe oferecer, e você, a ele.
Uma troca.
Muitas vezes, a vida lhe dá algumas gambetas, mas você continua lá, e quando está quase esmorecendo e pensando em mandar tudo para o alto, lembra do seu nome e do seu sobrenome, e ergue a bandeira outra vez.
Assim ensino, diariamente, as minhas filhas: honra o nome e o sobrenome que teus avós e teus pais te deram.
Eu, particularmente, tenho minha bandeira: o sobrenome que meus avós e meus pais me deram: Fernández de Mondadori.
Não há nada mais sagrado para mim, neste mundo, que esses dois sobrenomes, pois neles se encerra, repriso, a história daqueles que me antecederam, a minha e a de minha família.
Por tais razões, fico fula da vida quando vejo uma pessoa que não é detentora do meu sobrenome vangloriar-se com ele, como se propriedade sua fosse, e não é.
São aqueles parentes que saíram da ribomboca da parafuseta, nunca tiveram participação alguma nas histórias familiares, aliás, nem nascidos eram, e utilizam os feitos de um antepassado distante para mostrar que são alguém na ordem do dia.
Isso, realmente, me deixa muito chateada, eufemisticamente falando.
Ora bolas, se eu não sou Fernández de Mondadori, por exemplo, a troco de que santo quero usar esse sobrenome, a não ser para vangloriar-me?
Por que?
Teria, por acaso, vergonha do nome e do sobrenome que detém?
Seriam eles, ao serem pronunciados, motivo de vergonha e opróbrio?
Será que aquele sobrenome é tão insignificante, a tal ponto de que não há como hasteá-lo?
Pareceria ele uma flâmula, daquelas da década de sessenta que meus irmãos colecionavam e penduravam na parede do quarto?
A questão do nome é complexa.
Você conhece uma pessoa rato?
Isto é, aquela pessoa que vai lá, pega um sobrenome que não é o seu, uma história de vida que não é a sua, de pessoas que ela sequer conheceu, e usa como se fosse um comercial de ração para cachorro?
Repugnante!
A pessoa rato se imiscui em uma história da qual nada sabe - sim, porque, por mais que a pessoa rato detenha o título de propriedade do bem, há coisas que jamais serão suas: os momentos felizes, a trajetória da infância, da juventude, da idade madura, os valores, os hábitos, os fatos e os caminhos trilhados por aquelas gentes que, um século antes de a pessoa rato existir, já estavam neste mundo e que, nem em seus piores pesadelos, poderiam imaginar destruição de tal envergadura - e faz de tudo o que foi construído ao longo de mais de cem anos, terra arrasada.
A pessoa rato não tem o menor pudor em mostrar sua prepotência que, ao fim e ao cabo, nada mais é que a falta de caráter que permeia a sua trajetória.
Sua, e não daqueles que a precederam.
Repulsivo!
Mas usa o nome e o sobrenome de outrem, e o que outros construíram para justificar seus feitos.
Feitos?
Que feitos?
Nada há de louvável em apoderar-se de uma história familiar que é composta por um sem número de pessoas com seus afetos, amores, decepções, vida, enfim, e na qual a pessoa rato não teve a mínima participação e adonar-se dela como se tudo tivesse passado a existir de um tempo para a frente, o seu tempo, e o tempo dos demais não existisse.
As pessoas rato são assim: começam a corroer, bem devagar, um pedacinho aqui, uma lasquinha ali, uma fatia acolá...até apoderar-se do bolo inteiro.
Nada sabem construir por esforço próprio, precisam da escora que os pedaços roubados lhes proporciona.
Uma coisa, entretanto, esse tipo de gente pilantra desconhece: nada do que se constrói usurpando aquilo que, de forma legítima e incontestável pertenceu a alguém, vinga.
Pois, tão certo quanto o mundo é redondo e nada fica nos cantos, igualmente correto é afirmar que a pessoa rato, por mais astúcia que imagine possuir, um belo dia cai na ratoeira.
Pláft!
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