terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Entrelinhas

A cada dia que passa, mais  me convenço de que as pessoas não mudam, ou a soberba de que são feitas não conhece limites.
Fingem ser o que não são quando pretendem conquistar algo, ou alguém que não está ao alcance de suas mãos.
Impulsionados pela facilidade proporcionada por uma conversa através de meio eletrônico, outorgam-se liberdades que seriam impensáveis se tivessem de ser ditas cara a cara.
Presume-se, ao menos, para quem tem educação - aliás, artigo raríssimo nos dias que correm.
Aquele(a) que deseja ter para si determinada pessoa perde, completamente, a noção de tempo, modo e lugar e, como dizíamos há  mil anos atrás, " se encarna", isto é, não larga do pé da criatura, e não se flagra do papel ridículo que está desempenhando.
A outra pessoa, de começo, sorri.
Nada melhor para o ego que saber-se objeto do desejo de alguém.
Num segundo momento, o alvo do assédio começa a sentir-se ligeiramente inquieto: ...mas, afinal de contas...
A pessoa sem noção prossegue em seu patético monólogo, com elogios e declarações de amor e não se dá conta - ou se dá, mas não dá o braço a torcer, de que aquela é uma via de mão única.
Não há reciprocidade.
Tão simples!
Caso houvesse, estariam sob lençóis de cetim,  ou em algum paraíso tropical ou, quem sabe, observando a neve cair.
Andando de mãos dadas pela praia, com a maravilhosa água do mar sob os pés.
Tomando um matecito.
Não há tempo ruim, nem lugar feio quando estamos enamorados.
Eu que o diga: com 15 anos, me arrumei de um namorado argentino e passava os finais de semana no Alvear, sob um calor de 40 graus e, a noite, sentava na calçada da casa de minha tia Maria Luisa, sob o incessante zunido dos mosquitos, e nem bolas dava, pois os beijos trocados era o que importava!
Entretanto, vale registrar que isso acontece somente quando há uma integração de almas e de corpos - sim, nessa ordem, caso contrário, que diferença teríamos dos animais irracionais?
Quando um ser humano não está a fim de outro ser humano, tudo constitui impedimento.
Tudo.
Trava-se, então, uma guerra surda entre um e outro, mas o perdedor será aquele que não souber ler  as sutilezas ditas - ou não, nas entrelinhas.
É só prestar atenção:  as respostas estarão todas lá.





Senhora Vassourinha

Com a proximidade - espantosamente rápida do final do ano, começo a ter meu ataque de São Francisco de Assis, o qual se apresenta assim, sem dia nem horário marcado.
Pura verdade.
Um dia acordo e penso: hoje, impreterivelmente, darei início às arrumações.
Roupas que não uso há mais de dois anos, louças empilhadas nos armários, como aquele bule tão lindo, mas sem serventia...claro, sempre penso, vou usá-lo para colocar um arranjo de flores, mas esse dia nunca chegou e nem chegará, então, que vá ser útil em outro lugar.
De igual modo, livro-me de jornais, revistas, daquele saco de lenha para lareira que sobrou, da bolsa de cimento, de algumas lajotas,  do que for.
A gama de objetos que não utilizo mais é grande e, nessas horas, vejo e concluo como me faz bem poder dividir com os demais aquilo que, para mim, perdeu a importância.
Quem é generoso em doar, obtém grandes colheitas, esta, uma das máximas que rege minha vida.
Tudo o que possuo, utilizo.
Quanto ao restante, tem passe livre e terá novo destino, a fim de que a energia acumulada se liberte e novos ares possam circular.
Eu me abro, sinceramente, para quem guarda quinquilharias: tampinhas de garrafa, copos de requeijão, garfinho plástico, o potinho do iogurte, a garrafa pet.
Admiro.
Essas pessoas reutilizam tudo.
Acho fantástico,  mas reconheço que sou uma nulidade para isso e, por tal razão, passo adiante as sobras.
A toda certeza, mãos habilidosas e criativas saberão fazer maravilhas com meus descartes
Esse hábito, o de faxinar tudo antes do final do ano, herdei de meu Pai, fanático com seus livros, e de minhas tias Mondadori, eis que minha Mãe Maravilha não era lá muito dada a tais arrumações.
Ao contrário, irritava-se.
Muitas e muitas vezes ela me perguntou, nena, no te cansás de arreglar roperos y armarios?
Pois não me canso, Mãezinha.
O que me cansa é ver a inutilidade de certas coisas e o acúmulo sem sentido de bens materiais que não  trazem nada de bom, estão ali apenas para encher nosso coração de nostalgia e daquela saudade que abruma e aplasta.
As minhas filhas amadas me apelidaram de sra. Vassourinha, dada minha mania de querer organizar as coisas.
E eu varro mesmo: antes do final de cada ano, ponho para fora o que não tem mais sentido e, com isso, purifico meu entorno, tornando-o mais leve.
Ano Novo, coisa boa.
Que venha 2017!!!





sábado, 3 de dezembro de 2016

Jogo De Espelhos

Nada como um belo CD de Paul McCartney para nos fazer recordar que ainda somos românticos, que acreditamos no amor.
Naquele amor!
Será aquele que ainda virá, depois de uma longa, longa estrada.
The long and winding road.
Aquele amor!
Um amor bom, e amor bom é amor alegre.
Por que amor é sinônimo de brilho no olhar, de banho de chuva, de observar o entorno e ver que tudo, absolutamente tudo,  é leve e colorido.
Aquele amor, especialíssimo, não deixa espaço para que as mazelas do dia a dia interfiram na sua magia.
Ao contrário: quando ele chega, todas as questões parecem estar, de imediato, resolvidas.
Nós nos empenhamos tanto em atender a anseios que não são nossos, que não nos damos conta de que, na verdade, a alegria e o prazer do encontro ficaram lá atrás.
Pior, perderam-se na long long road  que as circunstâncias da vida, muitas vezes, nos impõe.
Mas chega o dia glorioso, sim, glorioso, em que olhamos para trás e enxergamos, embora desfocado pela poeira das desilusões, o romantismo.
Ele está lá, acenando, nos chamando para as coisas nas quais sempre acreditamos e que ficaram adormecidas.
É muito difícil ultrapassar todos os obstáculos que insistem em permanecer à nossa frente e que acinzentam nossas crenças, que nos deixam cheios de culpas que não temos, criando expectativas falsas, como se estivéssemos em um jogo de espelhos que, ora nos reflete nitidamente, ora turva completamente nossos sentimentos, a tal ponto que já nem sabemos, afinal, quem realmente somos.
Entretanto, importa frisar que nossa essência jamais se perde.
Jamais.
Poderemos ficar andando em círculos feito cegos tentando vislumbrar o que não vemos mais, pois a estrada ficou longa demais, porém nosso eu interior, a matéria da qual somos feitos - nosso carimbo, nosso jeito de ser e de ver a vida, esse não muda.
Fica apenas como um expectador dos caminhos tortos que percorremos mas permanece lá, aguardando nosso retorno.
Voltar para si mesmo e para aquilo em que acreditamos -  para as nossas verdades,  é como estar à beira de um penhasco e saltar de paraquedas com todas as cores do arco íris, voando outra vez em direção à nossa alma que ficou, lá atrás, perdida, parada naquela longa estrada.
Reencontrar-se consigo mesmo é uma dádiva,  é um presente que a vida insiste em nos entregar.
A nós cabe recebê-lo e abraçá-lo, agradecer muito e celebrar os novos começos.
Todos os sentimentos que ficaram naquela long long road,  empoeirados, voltaram para seus devidos lugares.
Sem jogo de espelhos: a imagem que vemos, agora, refletida, é a nossa.
A real.
A verdadeira.
Não há mais lugar para concessões inúteis.
Estas foram carregadas pela poeira da estrada e se esfumaram, para não mais voltar.
.







quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Para Onde Vai a Cidade?

Eu gosto de viajar de dia, um verdadeiro exercício de paciência, muita imaginação e nove horas de pensamentos que correm para lá e para cá.
Há tempo para pensar em vários assuntos mas, via de regra, imponho-me uma certa disciplina, a qual não me permite pensamentos tristes ou chatos.
Eu mando na minha cabeça e ela me obedece.
Antes de subir no nosso glorioso Planaltão, que paticamente atravessa o estado até Itaqui passo na banca de jornais e revistas, imagínate uma viagem de tal porte sem um mísero texto para ler.
Bem acomodada em minha poltrona observo, satisfeita, meu pequeno farnel de porcarias: pastelina, uma coca cola, uma barrinha de chocolate branco, um pastel de rodoviária - delicioso!, e passo a mão no jornal.
Creiam, amigos, essas viagens tem o poder de me deixar feliz, alegre e grata.
Gratíssima!
Não dá pra ficar triste quando a gente tá saboreando uma pastelina bem fritinha  com uma coca gelada.
Azar pro resto!
Chamou minha atenção a entrevista de Zero Hora a um arquiteto dinamarquês e ele, em síntese, alega que o urbanismo deve ser feito para as pessoas, do qual é exemplo Copenhage, eleita a melhor cidade no mundo para se viver.
Ainda, diz Jan Gehl, que as cidades deveriam ser pensadas não em termos de prédios e carros, mas de como as pessoas se locomovem nela e, nesse sentido, aduz que um bom lugar é aquele que concentra, ao seu redor, comércio, bancos, parques, prestadores de serviços, a fim de que o cidadão disponha de tudo ao alcance de suas mãos, caminhando ou, no máximo, fazendo uso de bicicleta.
Fiquei pensando naquilo.
Pensando.
Ontem, já em Itaqui, fui atrás de um pedreiro que reside em um bairro afastado do centro.
Fui bem devagar, observando as significativas mudanças naquela avenida e não pude deixar de passear pela nostalgia, lembrando de minha infância quando meu Pai, sempre aos sábados à noite, dizia para minha Mãe: Kilazinha, vamos dar uma volta?
Íamos nós três no carro, eu encolhida no banco de trás, ele dirigindo e minha Mãe tecendo um que outro comentário.
Ele ia bem devagar - assim como eu, ontem e, lembro-me bem, a iluminação da rua era fraca e triste, lâmpadas nos postes de madeira, longe longe; um que outro cachorro acoava, distante, pessoas, quase que não as havia, comércio, nem pensar.
O grade programa era ir até o Regimento e, ali, dar a volta.
Uma coisa meio soturna, aquela avenida, com suas casas fechadas e feias, a rua poeirenta, sem calçamento.
Que tempos! 1967, por aí.
Volta para 2016.
Esta avenida, hoje, parece ter absorvido, mesmo sem saber, por óbvio, o conceito de arquitetura humanista de Jan Gehl.
Logo que entramos nela, verificamos pujante comércio, onde há de tudo: revenda de carros,padarias, lojas, serralherias, farmácia, escritórios, floricultura e consultórios de profissionais liberais.
Mas, não se engane, achando que tudo é uma mistura esculhambada.
O crescimento do lugar parece ter seguido uma lógica em relação à estética das casas, que são simples, mas de muito bom gosto. As vitrines das lojas são muito bem arrumadas.
Pessoas circulam, há movimento, tem vida.
Tão linda está nossa Avenida Tito Correa Lopes, iluminada, vibrante e colorida.
Para onde vai a cidade?
Para onde há desejo de crescimento, de mudança, onde as pessoas têm criatividade: " basta investir nas coisas certas e pensar a logo prazo", conforme o já citado arquiteto.





quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Quem Me Ensinou a Nadar?

Minha Mãe Maravilha me ensinou a nadar.
Eu tinha apenas sete aninhos e já nadava, lépida e faceira, nas águas do meu amado Rio Uruguai.
A paixão pela água vem de longe: minha Avó materna, Adelaida, nadava muito bem, e ensinou a seus filhos.
E minha Mãe, tão logo mudou- se para a casa nova, a qual distava três quadras do Rio Uruguai, logo tratou de inventar um programa que parecia, até então, inusitado: uma senhora da "sociedade" ir até a beira do rio, com seus filhos, banhar-se e nadar por ali, desfrutando das maravilhas daquelas águas límpidas.
Mas ela nem tava, ela era uma mulher independente e de muita personalidade. Sabia o que queria e, principalmente, o que não desejava. Não gritava e nem era de brigas escandalosas; simplesmente calava-se, e, como ela dizia, " a procissão caminhava por dentro" e, ao fim e ao cabo, com seu jeito doce mas firme, sempre acabava fazendo o que queria.
A minha infância foi rica de amores e de muitos passeios, viagens e prazeres que a simplicidade traz, enchendo nossa  alma de alegria.
Um banho de rio, por exemplo.
Sensação espetacular é poder sair assim, nadando calmamente, observando a margem do rio que se distancia e vendo, a nossa frente, apenas a água, o céu, e nada mais.
Um prazer inenarrável.
Já adolescente saíamos, minha irmã e eu, rumo ao rio.
No lugar chamado " Dois Umbus", pois, antes de chegarmos na beira d'água, passávamos por umas árvores imensas, dois umbus, um de cada lado da rua e, logo abaixo, descortinava-se o Uruguai, verde escuro, brilhando ao sol do verão.
Entravamos na água e saíamos nadando, bem devagar, uma braçada, outra braçada, uma, outra...
Praticamente não havia correnteza, apenas a magia do rio,  e a liberdade intensa que aqueles momentos nos proporcionavam.
Depois de termos nadado por uns quinze minutos, chegávamos a uma pedra imensa que ficava bem no meio do rio, e ali parávamos para descansar. Era uma pedra que parecia uma mesa, tão grande era.
Recuperado o fôlego, partíamos na direção da outra margem, na cidade de Alvear.
Nada havia lá, a não ser barro e pedregulho, acrescidos do calor infernal.
Ali ficávamos, sentadas, felizes com nossa façanha e, passado um tempinho, lá estávamos, outra vez, naquela água fria, nadando calmamente de volta para o Itaqui.
Que tempos!
Fizemos isso algumas vezes, mas foi suficiente.
Muitas vezes as pessoas se admiram do meu jeito alegre.
Amigos, quem teve um Rio Uruguai à disposição para nadar, por incontáveis verões, não tem como ser uma pessoa triste.
Minha Mãe Maravilha me ensinou a nadar...obrigada, Mãezinha.
 Braçadas de amor te mando, onde estiveres!







domingo, 9 de outubro de 2016

Árvores Cortadas

Sinceramente, não consigo entender o que leva as pessoas a cortarem uma árvore.
Sou alucinada por plantas de todos tipos, eis que me criei num casa onde havia um pátio enorme, cercado de árvores e pequenos arbustos, flores em profusão, uma parreira maravilhosa, laranjeiras, bergamoteiras, bananeira, goiabeira, limoeiro.
Num canteiro, plantados com esmero, derramavam-se morangos, rubros e perfumados.
As calçadas que me viram crescer tinham flamboyaans alaranjados e vermelhos, lindos demais!
Não sem tristeza, observo árvores que levaram anos para crescer sendo cruelmente arrancadas, delas ficando, apenas, os troncos sem vida.
No dia da eleição, fui votar na Escola Estadual de Ensino Fundamental Felipe Nery de Aguiar, o meu amado Grupo Escolar Felipe Nery.
Ali é minha seção eleitoral e nem poderia ser diferente: escolhi a dedo onde iria exercer minha cidadania, e teria de ser onde fui alfabetizada, estudei por quatro anos e, diga-se de passagem, vivi os melhores anos da minha infância.
Não há lugar mais simbólico, para mim, que o Felipe Nery!
Mas, disto não se trata.
Evidentemente que os olhos infantis enxergam magia nos lugares mais feios, disso tenho certeza.
Mas também é verdade que a beleza não tem como não ser notada.
E a minha escola, a primeira da minha vida, era de uma simplicidade encantadora.
Era bela, limpa, perfumada, com canteiros floridos e, por óbvio, tinha uma árvore, a árvore dos meus encantos.
No meio do pátio ela se debruçava, sacudindo levemente os galhos, as folhas muito verdes brilhando sob o sol.
No inverno, era cuidadosamente podada para logo ali, na primavera, cobrir-se de flores.
Um flamboyant de flores encarnadas, imenso, sombreando a metade do pátio, sempre disponível para qualquer brincadeira, fosse para subir nos galhos mais altos, ou simplesmente pendurar nele um balanço.
Pois bem.
Fui dar uma volta pelo colégio, espiando por um lado, observando por outro...tentei não chorar, pois não havia como não lembrar da merenda da Dona Geni, servida em copos de alumínio - carreteiro, sopa de trigo, ensopadinho de massa, arroz doce...esse era o nosso lanchinho básico, servido pontualmente às 15 horas; das professoras maravilhosas, da sala da direção; dos colegas.
Fui indo e fui chegando até o fundo do pátio, e eis que me deparo com o que restou daquela árvore fantástica: um troco enorme, escuro e retorcido.
E por ali, onde outrora crescia a grama verde, construíram uma quadra, com aquele piso de concreto horroroso.
Que contraste!
Fiquei olhando aquele tronco feio e, mesmo sem querer, vieram as comparações.
Volto ao começo desta postagem, onde questiono a razão que leva as pessoas a cortar uma árvore.
Levantou a calçada, dizem algumas.
Faz muita sujeira, alegam outras.
Cresceu demais...
Para mim, nenhuma desculpa é válida.
Mais ainda quando vejo, no lugar da árvore, uma calçada de concreto, duro, frio, seco. E, no verão, sem uma mísera sombra, queimando ao sol.
Não consigo entender, não aceito, acho de uma ignorância atroz.
Talvez eu seja uma romântica incurável, ou uma saudosista, não sei.
É...
Perdão, amigos.
Mas a conclusão a que chegamos é que, lamentavelmente, a rudeza substituiu o encanto!







segunda-feira, 3 de outubro de 2016

O Preço da Agressividade

Ponho-me a observar as condutas das pessoas nestes tempos de política, e na fala que adotam para defender seus candidatos.
E confesso que até para mim, uma pessoa agressiva por natureza, causa estranheza e, por que não dizer, um certo temor quando leio os comentários que inundam as redes sociais, e os há de todo tipo: irônicos, debochados, desrespeitosos, furiosos, ameaçadores.
Em todos, contudo, verifica-se uma constante: a absoluta e total falta de respeito para com a vítima do ataque,  o qual é perpetrado independentemente  da posição social, do nível de instrução, de cultura e de conhecimento de seu(s) autor(es).
Quem sou eu para criticar, se fiz e faço a mesma coisa em relação ao sacrossanto Partido dos Trabalhadores e seus " ínclitos" líderes e representantes?
A facilidade de entrar numa rede social e lascar uma monte de barbaridades leva-nos a uma pseudo sensação de impunidade pois se, de um lado, as redes sociais parecem ser terra de ninguém, onde escrevemos quase tudo o que nos vem à cabeça nos momentos de extrema raiva por uma derrota sofrida, ou de euforia por vitórias alcançadas, não podemos olvidar que, logo ali, à meia quadra, poderemos esbarrar naquela pessoa que foi alvo de nossa crítica feroz, do comentário deselegante, do pré julgamento.
E  aí, o que fazer?
O preço que se paga por ser agressivo é bem salgado.
Para bancar a boca suja e o extremo deboche, para manter os juízos de valor que, por vezes, restam completamente equivocados, para isso é preciso ter muito café no bule e, acima de tudo, convicção e coragem para encarar aquele ou aquela que viraram alvo.
De igual modo há, também, a reação da vítima, ou sua completa indiferença, o que não deixa de ser uma forma de agressão.
Enfim.
O fim de um ciclo leva-nos a refletir e a ponderar sobre atitudes dantes adotadas, e a pensar até onde nos leva o calor da paixão político-partidária.
Não deveria ser assim, mas é.
A política tem disso, não há meio termo.
Entretanto, pelo caminho percorrido entre a campanha eleitoral,  a eleição e o resultado final vão ficando  colegas de trabalho, amizades, companheiros de partido, desafetos políticos.
Pessoas que agredimos, e que nos agridem.
Uma lástima que seja dessa forma.
Entretanto,  uma vez  terminado o pleito e proclamados os vencedores, deve-se ter, no mínimo,  a decência de estancar o processo agressivo, em nome da democracia, em respeito à vontade da maioria dos cidadãos, exarada nas urnas e, também, em respeito aos vencidos.
É assim que deve ser, é o correto.
O que se almeja de um novo governo é que o mesmo seja excelente para a comunidade como um todo,  que busque atender as necessidades dos munícipes e que trabalhe em prol de toda a sociedade, independentemente de cores partidárias.
E que as agressões que permearam, por todos os lados, a campanha política  fiquem para trás e caiam no esquecimento, pois somente o respeito, a união e a paz podem gerar crescimento e felicidade para todos.










sábado, 6 de agosto de 2016

Gente Invejosa

Como abomino gente invejosa!
Tipo assim, a pessoa não tem competência para realizar alguma coisa e fica  com uma raiva mortal daquele outro que, inobstante as dificuldades, vai em frente e realiza.
Fico fula da vida e, no fundo, triste, quando vejo um invejoso em ação.
Primeiro, porque sinto,  nitidamente, a inveja escorrendo dos seus olhos, tal qual uma baba.
Lamentavelmente para ele, o invejoso é traído pelo próprio olhar e, muito embora tente disfarçar, através de um sorriso falso, a inveja sentida vem à lume: os olhos tornam-se escuros, negros, opacos e estáticos.
Em segundo lugar, a tristeza me abate pois tenho a convicção de que o sol nasce para todos, mas o que decidimos fazer sob ele é problema exclusivamente nosso.
O invejoso, a toda certeza, viu o cavalo passar encilhado a sua frente e não montou.
Perdeu a chance de falar o que deveria ter sido dito naquele exato momento, mas deixou pra lá.
Precisava fazer uma mudança de rumo, mas se acomodou.
Por tais razões, sente uma raiva surda daquele que ousa sair de sua zona de conforto e decide desbravar,  trilhar um caminho novo e ir em busca daquilo que almeja.
O invejoso é um covarde, cheio de medos e achaques, que não tolera e muito menos suporta a força e a audácia de quem, somente, pelo fato de tentar, já merece crédito.
O invejoso não fala, rumina; não opina, agride; tem prazer em falar mal do outro, criticando incansavelmente, eis que ninguém é bom  e inteligente o suficiente, salvo ele próprio.
Penso que a grande saída para um invejoso contumaz é ir lá e fazer exatamente aquilo que a pessoa, objeto de sua inveja, faz.
Pois nisso reside, ao fim a e ao cabo, a inveja: a cruel constatação, pelo invejoso, de sua incapacidade, da sua preguiça, da falta de iniciativa, e a terrível certeza de que ele também poderia ter sacudido a poeira, para realizar um sonho e bancar um desejo e não o fez.
O destino do invejoso não é alvissareiro, eis que ficará só, com seu linguajar ferino e o fel que lhe é peculiar.
Digno de pena, no final, é o invejoso.
Será?
Não creio.
O invejoso sabe o que fala, e o que diz tem endereço certo.
Inveja não é doença, inveja é sinônimo de maldade.
O invejoso não merece perdão, mas o esquecimento e, este  último sim, é o pior dos castigos!








quinta-feira, 28 de julho de 2016

Mentiras Eleitorais

O inverno convida à introspecção. Mesmo que a gente não queira, tanto a paisagem externa quanto interna predispõe a um mergulho nas ideias, um olhar diferente sobre fatos e questões.
Avizinham-se as eleições municipais e, com elas, começam a pulular os candidatos e suas soluções mirabolantes.
Mentem que dá gosto, e o povo, ingênuo, insiste em acreditar, pois anda de braços com  a famosa Esperança, essa dama encantada.
Pode ser que trovejando chova...
Entretanto, considerando que sou filiada a um partido político há mais de vinte anos, e há oito trabalho no serviço público exercendo cargo de confiança, não acredito naquele(a) candidato(a) que vem com velhos chavões e discursinho pronto pra lá de demagógico de que irá  trabalhar de sol a sol, enxugar secretarias municipais, cortar gastos, trazer muitos investimentos, não terá CCs, e cujo  governo será pautado pela estrita observância dos princípios que regem a Administração Pública.
Talvez isso valha para algum lugar perdido, onde a maldade política ainda não tenha aportado e se aplique o velho ditado de que " em terra de cegos, o torto é rei".
Se não, vejamos:
Você poderá ganhar as eleições, mas se você não tiver maioria na Câmara de Vereadores, estará frito, já que seus projetos não andarão.
Essa de cortar secretarias, meu amigo, é só no começo. Deixa o camarada tomar pé da situação e encontrará a necessidade de ampliar o quadro.
Em relação aos gastos, idem. Ninguém governa sozinho, e os servidores tem deveres, é verdade, mas também tem direitos. Isso passa por reposição salarial, treinamentos e outros quetais, e nada disso é baratinho.
Em relação aos CCs, beira às raias da idiotice aquele candidato(a) que diz que vai reduzir CCs.
Não vai, não senhor!
Pois não se esqueça que, se o senhor(a) se elegeu, foi graças ao trabalho dos seus cabos eleitorais, dos seus simpatizantes e daquelas pessoas que o(a) apoiaram e, desde a indicação do seu nome, batalharam por ele na convenção, analisaram documentos, bateram de porta em porta com a bandeira do seu partido e levaram seu nome adiante como o grande salvador(a) da Pátria.
E aí, depois de eleito(a), vai esquecer dos companheiros?
Não vai agradecer o apoio recebido,  o trabalho desenvolvido? As horas gastando sola de sapato, comendo poeira por todas as ruas sem calçamento - que, aliás, agora,  o senhor(a) irá asfaltar?
Ah....então, vai ter que ter um CC...
Um não, vários!
Outra coisa: se o senhor(a) residir longe de Porto Alegre, ou de Brasília, vai precisar ir até lá.
Vai viajar  a serviço do seu município sem receber diária?
Ah....ué, mas e o corte de gastos?
Não ia trazer fábricas? Indústrias? Gerar emprego e renda?
Sem sair do município, as coisas não acontecem.
E as costuras políticas?
Após a vitória nas urnas, aparece a fatura.
A conta sempre é alta e salgada.
Ademais, não se pode olvidar que o Tribunal de Contas, a Câmara de Vereadores, a oposição e a comunidade estão todos olhando para o senhor(a).
Então, candidato(a), faz assim: não mente.
Faz um trabalho digno e limpo e sem falsas promessas que, por força  das disposições vertidas na Constituição Federal,  na Lei de Responsabilidade Fiscal, na Lei de Licitações e em outros diplomas legais, não terás como cumprir.
Não ilude o povo.
Não te pinta de Messias, pois não és.
És um ser humano dotado de caráter,  ambição, vontade de trabalhar pela tua comunidade, disposição, ideias novas.
Bem.
Excelente.
Só não te transformes num mentiroso(a), no descobridor da roda, pois o eleitor é um ser insaciável, embora digam que o povo sempre esquece...
Esquece, talvez.
Mas perdoar, não perdoa.




    

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Que Tonteria!

Custei  a crer quando o médico que me atendeu disse-me que por, no mínimo trinta dias, eu não poderia sair para a estrada, dirigindo.
Como assim? Que tonteria es esto?
Resulta que faz mais de mês um zumbido tem me atucanado os ouvidos, desses que a gente sente após uma noitada de música alta.
Algo pelo estilo.
Então, em pleno meio dia de um domingo,  senti tudo girando a minha volta, e não consegui enxergar  o chão.
Fiteira de carteirinha, em meio ao verdadeiro caos que se instalou no meu ser, de  cara pensei: tô indo pro andar de cima, vou fazer a passagem; aqui, sozinha na sala de casa, sem testemunha alguma.
 Ciao, mondo cane.
Mas como sou metida a esperta e não me entrego asi no más,  fui indo do jeito que deu até a porta da rua, pensando, e agora José, eu vou é sair daqui e gritar por socorro, minha adorada vizinha haverá de escutar, e pouco me importa que estou de pijama e completamente escabelada, sem uma gota de nada no rosto já nem tão viçoso que dispense um mínimo de make,  mas vá lá, que importância tem isso agora, trata logo de abrir a porta e de sair, te mexe...
Mexer como?
As pernas não me obedeciam, eu queria ir para a direita e saía para o outro lado, enquanto  na cabeça pipocavam sons estranhos, como de água borbulhando, estalos e apitos.
Que sensação terrível, a de não conseguir visualizar o chão.
Eis que cheguei à porta da rua e, abrindo-a, nela me escorei, olhando o dia lindo que girava doidamente a minha frente, sem conseguir chamar por ninguém, apenas esperando o marido chegar do super, e esse tempo me pareceu enorme, embora tenha sido de poucos minutos.
Fui parar no Hospital São Patrício e lá, disse-me a médica,  teria que ficar fazendo uma medicação diluída no soro.
Que desastre!
Fiquei bem quieta.
Obedeci.
Mas, tão logo me colocaram o soro, comecei a me rebelar: a troco de que santo preciso ficar aqui com esta agulha espetada no braço? se minha pressão está ótima, batimentos, açúcar...
Vou sai daqui!
Enfermeira!
Por favor, amiga, tira este negócio do meu braço. Já me sinto bem. Vou embora.
Ela me olhou, um misto de espanto e pena, e disse: mas a senhora está com o soro faz 5 minutos...
É, eu sei, mas estou bem, pode tirar.
Ela tirou.
Mas me disse: fique aqui que eu já volto.
E voltou.
Com a médica.
Que, de cara, foi mandando, coloca de volta o soro, e a senhora fica aí bem quietinha e vai fazer to-
da essa medicação até o final. Não vai sair agora de jeito nenhum.
Aquilo foi uma ordem e eu me entreguei.
Estendi meu braço com cara de ré para a enfermeira que, triunfante, recolocou tudo no lugar outra vez.
Desaforo!
Inferno!
Odeio isto!
Quem sabe eu mesma arranco este negócio? E a voz interior "...tu não sabe fazer isso, idiota.Vai que entra ar na tua veia e aí, sim!"
Tenta pensar em coisas boas.
Na praia! Areia, sol, calor, céu azul, mar...
Respira...
Tá melhorado...
Pensando bem, sou uma pessoa de sorte.
Moro em uma cidade pequena, o nosso Hospital é ótimo, fui prontamente atendida, estou medicada, então....acho que vou dormir um pouco...
Saí de lá duas horas depois.
E aí voltamos ao começo desta postagem, onde o médico que consultei na segunda feira me sentenciou:  nada de dirigir, etc, etc.
É triste isso.
Voltei para casa e por mais que tentasse me consolar, dessa vez não rolou.
O que rolou foi muita lágrima, isso sim.
Pois não poder sair por aí cuándo se me antoje soou à prisão, à controle, a todas essas coisas impostas que detesto.
Entretanto, é algo temporário.
Trinta dias. Apenas trinta dias!
Dos quais passaram-se três.
Enquanto isso, vamos driblando o tempo, curando a labirintite e dando uma gambeta na vontade de tanquear o carro, calibrar os pneus e zarpar, rumo à estrada, só o som do vento e a imensidão dos campos que se estendem a perder de vista...espetacular!
Ainda bem que os dias passam, céleres.
Ainda bem!