Muitas vezes, escrevemos abobrinhas e coisas alegres e um tanto quanto sem fundamento apenas para driblar a dor e dar uma gambeta na saudade, preencher o tremendo vazio e pensar apenas nas coisa boas.
Como diz uma frase, enumere apenas as coisas boas.
Tá.
Mas a saudade é assim, chega sem avisar e não faz cerimônia, invade o coração da gente, e aí...o resto, vocês já sabem.
Faz 11 anos que não vejo meu Pai.
Onze anos!
É muito tempo, tanto tempo que não sou capaz de imaginar, logo eu, que não ficava um mísero dia sem vê-lo, agora me tocou estar longe dele.
É muito duro ter que andar sozinha.
Sozinha sem a presença do Pai, é o que eu quero dizer.
Andei tanto, desde o dia 3 de setembro de 2003 que, só de pensar, me canso.
Mesmo que eu tente fugir, um dia a saudade chega...
Estas questões tremendas são muito difíceis de entender, mais ainda, de tentar explicar.
Explicar a razão pela qual choro porque sinto falta da minha casa, da casa paterna, com seus sons, seus cheiros, sua luz.
Com sua história, que também é a minha história.
Não há casa igual à casa paterna, mas só quem teve é que sabe avaliar a dor da perda.
É, eu lutei para ficar com a casa de meus Pais durante cinco anos, anos infernais, e foi tal o desgaste emocional que desisti, pois a casa ficaria e eu iria embora, assim estavam as coisas.
É uma ferida que nunca cicatrizou a talvez jamais feche, saber que fui banida daquele espaço de amores onde nunca mais poderei entrar como eu entrava, sabedora de que ali me esperavam todos os abraços que eu queria receber, e dar.
Nunca mais recebi um abraço como aquele que costumava receber do meu Pai.
E nunca mais ouvi palavras doces, de alento, de força, não como as que somente ele sabia dizer.
O meu pai era um homem carinhoso, alegre, afável, educado, meu pai sabia das coisas.
Perfumado.
Dançava um tango e uma valsa como ninguém!
Mesmo que eu viva 100 anos, jamais vou esquecer de sua voz, dos seus olhos esverdeados, da sua risada, daquele amor imenso, dos tantos cuidados que ele me dispensou.
Quantas vezes me embalou?
Quantas vezes me buscou na rodoviária?
Quantas vezes me consolou?
Meu Pai fazia tudo o que estava ao seu alcance para me vez feliz.
Dia 3 de setembro, 11 anos sem ele e sem aquele abraço apertado que nunca mais terei.
Perdoem-me, amigos, vocês sabem que sou de véspera.
Vou passar a mão naquele mesmo remédio de china velha que ele também tomava, apenas umas gotinhas para engambelar a tristeza, e nada mais me resta a não ser chorar.
Forte eu sou, mas não tem jeito, hoje eu tenho que chorar.
domingo, 31 de agosto de 2014
sábado, 30 de agosto de 2014
Histórias de Lucrécia, a Peidorreira
Lucrécia nascera em Encarnacion, no Paraguai, mas a família mudara-se para Posadas, na Argentina, quando ela era ainda bebê.
O nome era esquisito, mas sua mãe, la senõra Babú, uma paraguaia gordota e baixa encasquetara que, quando tivesse uma filha, chamar-se-ia Lucrecia, e assim foi.
Ela tinha aquela mistura de castelhano com guarani que a tornava especial, diferente, como se não bastasse o nome: Lucrecia era uma menina gordinha, morena, pele azeitonada, olhos negros repuxados e uma boca grande de muitos sorrisos.
Arteira e agitada, Lucrecia era a alegria da casa, não fosse por uma peculiaridade enjoada: peidava muito.
Isso incomodava sobremaneira a la senõra Babú, que tentava corrigir esse defeito da filha mas não lograva êxito.
Lucrecia, por seu lado, sabia que não deveria agir assim mas era mais forte que ela e quando se dava conta, pá...soltava um peido nos momentos mais inconvenientes.
Estavam almoçando, e ouvia-se aquele som que vinha de baixo da mesa: podia contar que fedia!
Quando tinha uma visita, então, nem se fala!
Lucrecia estava terminantemente proibida de aparecer, deveria ficar bem longe do living, só que os sons eram inconfundíveis, e as visitas entreolhavam-se, num misto de constrangimento e riso, suficiente para terminar qualquer reunião.
Na missa, na hora da comunhão, prrrrrrrrrrrr!
Muitas vezes Lucrecia escondia-se, pois sabia que sua mãe não tolerava aquilo.
Quietinha, postava-se atrás da cortina da sala e ali ficava, peidando à vontade num fedor insuportável, ela e o cachorro, seu cúmplice de fedentina.
Asdrúbal, um pastor alemão que chegara à casa da família quando Lucrécia nascera seguia-a por todos os lados e, quando a menina enroscava-se nas cortinas, sabia: era peido na certa!
Então, Asdrúbal jogava-se aos pés de Lucrécia e apenas levantava os olhos, impressionado com aquele cheiro terrível que exalava e se espalhava pela sala, mas não tinha o que fazer.
Lucrecia cresceu e na escola era ainda pior: estavam no bom da aula, naquele silêncio quando de repente, prrrrrrrrrrrr, ela soltava um peido sem a menor cerimônia.
E ria, ria muito, isso é que era o pior.
A risada de Lucrécia , somada aos peidos que largava, era algo intolerável.
Um acinte!
La senõra Babú, apavorada, decidiu consultar um médico, aliás, foram vários, mas nenhum deles conseguiu resolver aquele problema tremendo.
E ela, volta e meia, repetia, como uma espécie de mantra: Lucrecia, peidando assim, jamais arrumarás namorado!
E aí, ficaria com uma solteirona peidorreira entalada dentro de casa, o que significava, para la senõra Babú, um completo desastre.
Lucrecia cresceu e transformou-se em uma mulher linda, mas o defeito de fábrica persistia.
Um dia estava na academia quando decidiram fazer um exercício de agachamento: práááááá´!!! E o fedorão tomou conta da academia inteira!
De outra feita, ela bem que tentou impedir, mas foi pior.
Bem pior
Saiu um surdo tão poderoso quanto nauseabundo que correu com todas as pessoas que por ali passavam.
Pobre Lucrecia!
A coisa estava tomando proporções tais que até criaram uma página no Facebook especialmente para ela Histórias de Lucrecia, a Peidorreira! e aquilo se espalhou qual rastilho de pólvora!
Lucrecia, embora soubesse de seu problema, e bem ciente estava dos estragos que fazia, no fundo, no fundo, divertia-se imensamente.
Aquilo era um problema para sua mãe, la señora Babú, mas não para ela.
Ela a d o r a v a quando, ao deitar-de, peidava embaixo das cobertas e depois, ao sacudi-las, saía aquele cheiro fétido, o que a levava a dar enormes gargalhadas.
Ela nem tava.
Azar, pensava. Quem não quiser sentir, que saia.
Muitas vezes, na faculdade, ia até o bar apenas com o intuito de soltar um peido fino e silencioso, e ficar observando as caras e bocas que as pessoas faziam.
Depois, corria para o banheiro para rir, escondida, do tamanho do estrago.
Que mania, que pessoa!
Talvez o fizesse para chamar a atenção, mas poderia ter inventado algo mais criativo.
Só que aquilo era, a bem da verdade, um misto de safadeza inocente com uma vontade incontrolável de divertir-se às custas dos outros.
Era isso, apenas isso, mas ninguém entendia!
Assim vivia Lucrecia e assim viveu até seus 24 anos quando, sem aviso ou estardalhaço, um belo dia...
Foi no bar da faculdade, como sempre, onde tudo acontecia.
Ela viu entrar aquele carinha lindo, não muito alto, dono de um sorriso de arrasar quarteirão.
Parou tudo, congelou e ficou olhando para ele, que também a olhava pois, apesar do defeito, Lucrecia era muito bonita.
Resumo da ópera: apaixonaram-se perdidamente, namoraram por um par de anos, casaram-se e foram felizes para sempre.
O que tinham em comum?
Tudo!
Ambos gostavam de praticar esportes, de viajar, de dançar, de sair para jantar com os amigos.
Mas havia uma prática que ambos curtiam, acima de tudo: adoravam ir ao cinema, só para sacanear...
E, lá pelas tantas, saíam às gargalhadas, bem no meio da sessão, deixando o povo atordoado com o mau cheiro.
Os peidorreiros também amam!
O nome era esquisito, mas sua mãe, la senõra Babú, uma paraguaia gordota e baixa encasquetara que, quando tivesse uma filha, chamar-se-ia Lucrecia, e assim foi.
Ela tinha aquela mistura de castelhano com guarani que a tornava especial, diferente, como se não bastasse o nome: Lucrecia era uma menina gordinha, morena, pele azeitonada, olhos negros repuxados e uma boca grande de muitos sorrisos.
Arteira e agitada, Lucrecia era a alegria da casa, não fosse por uma peculiaridade enjoada: peidava muito.
Isso incomodava sobremaneira a la senõra Babú, que tentava corrigir esse defeito da filha mas não lograva êxito.
Lucrecia, por seu lado, sabia que não deveria agir assim mas era mais forte que ela e quando se dava conta, pá...soltava um peido nos momentos mais inconvenientes.
Estavam almoçando, e ouvia-se aquele som que vinha de baixo da mesa: podia contar que fedia!
Quando tinha uma visita, então, nem se fala!
Lucrecia estava terminantemente proibida de aparecer, deveria ficar bem longe do living, só que os sons eram inconfundíveis, e as visitas entreolhavam-se, num misto de constrangimento e riso, suficiente para terminar qualquer reunião.
Na missa, na hora da comunhão, prrrrrrrrrrrr!
Muitas vezes Lucrecia escondia-se, pois sabia que sua mãe não tolerava aquilo.
Quietinha, postava-se atrás da cortina da sala e ali ficava, peidando à vontade num fedor insuportável, ela e o cachorro, seu cúmplice de fedentina.
Asdrúbal, um pastor alemão que chegara à casa da família quando Lucrécia nascera seguia-a por todos os lados e, quando a menina enroscava-se nas cortinas, sabia: era peido na certa!
Então, Asdrúbal jogava-se aos pés de Lucrécia e apenas levantava os olhos, impressionado com aquele cheiro terrível que exalava e se espalhava pela sala, mas não tinha o que fazer.
Lucrecia cresceu e na escola era ainda pior: estavam no bom da aula, naquele silêncio quando de repente, prrrrrrrrrrrr, ela soltava um peido sem a menor cerimônia.
E ria, ria muito, isso é que era o pior.
A risada de Lucrécia , somada aos peidos que largava, era algo intolerável.
Um acinte!
La senõra Babú, apavorada, decidiu consultar um médico, aliás, foram vários, mas nenhum deles conseguiu resolver aquele problema tremendo.
E ela, volta e meia, repetia, como uma espécie de mantra: Lucrecia, peidando assim, jamais arrumarás namorado!
E aí, ficaria com uma solteirona peidorreira entalada dentro de casa, o que significava, para la senõra Babú, um completo desastre.
Lucrecia cresceu e transformou-se em uma mulher linda, mas o defeito de fábrica persistia.
Um dia estava na academia quando decidiram fazer um exercício de agachamento: práááááá´!!! E o fedorão tomou conta da academia inteira!
De outra feita, ela bem que tentou impedir, mas foi pior.
Bem pior
Saiu um surdo tão poderoso quanto nauseabundo que correu com todas as pessoas que por ali passavam.
Pobre Lucrecia!
A coisa estava tomando proporções tais que até criaram uma página no Facebook especialmente para ela Histórias de Lucrecia, a Peidorreira! e aquilo se espalhou qual rastilho de pólvora!
Lucrecia, embora soubesse de seu problema, e bem ciente estava dos estragos que fazia, no fundo, no fundo, divertia-se imensamente.
Aquilo era um problema para sua mãe, la señora Babú, mas não para ela.
Ela a d o r a v a quando, ao deitar-de, peidava embaixo das cobertas e depois, ao sacudi-las, saía aquele cheiro fétido, o que a levava a dar enormes gargalhadas.
Ela nem tava.
Azar, pensava. Quem não quiser sentir, que saia.
Muitas vezes, na faculdade, ia até o bar apenas com o intuito de soltar um peido fino e silencioso, e ficar observando as caras e bocas que as pessoas faziam.
Depois, corria para o banheiro para rir, escondida, do tamanho do estrago.
Que mania, que pessoa!
Talvez o fizesse para chamar a atenção, mas poderia ter inventado algo mais criativo.
Só que aquilo era, a bem da verdade, um misto de safadeza inocente com uma vontade incontrolável de divertir-se às custas dos outros.
Era isso, apenas isso, mas ninguém entendia!
Assim vivia Lucrecia e assim viveu até seus 24 anos quando, sem aviso ou estardalhaço, um belo dia...
Foi no bar da faculdade, como sempre, onde tudo acontecia.
Ela viu entrar aquele carinha lindo, não muito alto, dono de um sorriso de arrasar quarteirão.
Parou tudo, congelou e ficou olhando para ele, que também a olhava pois, apesar do defeito, Lucrecia era muito bonita.
Resumo da ópera: apaixonaram-se perdidamente, namoraram por um par de anos, casaram-se e foram felizes para sempre.
O que tinham em comum?
Tudo!
Ambos gostavam de praticar esportes, de viajar, de dançar, de sair para jantar com os amigos.
Mas havia uma prática que ambos curtiam, acima de tudo: adoravam ir ao cinema, só para sacanear...
E, lá pelas tantas, saíam às gargalhadas, bem no meio da sessão, deixando o povo atordoado com o mau cheiro.
Os peidorreiros também amam!
Sinceridade Rude III
A Justiça deveria proibir a divulgação desses vídeos referentes às torturas morais sofridas pelo menino Bernardo.
Tinha que proibir!
A quem interessa, agora, nesta altura do campeonato, saber que a pobre criança era filmada pelo pai ordinário e pela louca sem vergonha da madrasta?
Somente à justiça interessam esses vídeos, a fim de agregar ainda mais solidez à prova, que já é robusta o suficiente para fazer com que a trinca maldita nunca mais saia da cadeia.
Eu tenho um defeito grave e, por tal razão, nunca prestei concurso para delegado de polícia - me conheço o suficiente para saber que rodaria, de cara, no psicotécnico, como já postei aqui: não tenho controle emocional para absorver atrocidades.
Não tenho.
Mas a Zero Hora, um jornal que assino há mais de trinta anos, todo santo dia me tortura com essas publicações horrendas dos diálogos e vídeos desse pobre inocente e daqueles covardes, medindo forças com uma criança de 10, 11 anos.
Eu pego o jornal e vejo, na capa, a chamada para a notícia, e até me faço o firme propósito de não ler, mas algo me faz ir até a página e lá estou, lendo, aquele sem fim de atrocidades.
Que mais teremos a seguir? Um vídeo do pai violentando o filho? Da madrasta gozando enquanto o pai come o filho?
É o que está faltando, e nem duvido que isso tenha ocorrido, aquilo lá era um filme de horrores.
Pobre criança!
Só que, daqui a pouco, teremos imagens da madrasta lendo, compungidamente, uma Bíblia, dizendo que se arrependeu e que somente Jesus salva!
Tudo por Jesus!
Quem duvida é louco, nesta completa inversão de valores em que vivemos, onde pais ameaçam filhos, filhos matam pais e, ainda assim, perdoar é preciso.
É?
Será?
Bueno, essa tarefa, delego-a a Deus, porque a justiça dos homens não pode perdoar gente dessa laia.
Aliás, a Susane Von Richichiiii saiu da cadeia, devido à progressão do regime, para trabalhar, adivinhe onde? no escritório de um amigo do amigo do seu advogado, aí fico pensando, não sei quem é mais alcaide, se ela ou o cara que deu emprego a uma assassina de pai e mãe.
Erros, todos nós cometemos, quem em sua vida não cagou fora do penico?
Vejam o quanto estou indignada que submeto meus leitores a estas expressões chulas, mas a fúria não me deixa calar.
A nossa justiça é mole.
E, por ela ser assim, mais e mais atrocidades vão sendo cometidas e a coisa vai crescendo, pois os assassinos sabem, de cor e salteado, o código penal e a lei de execuções penais.
E a gente aqui fora, fazendo novena e ajudando a arrecadar jornal velho pra gente desse calibre fazer cestinha.
Criam-se conselhos, fazem runiões, é...os pobres...
Enquanto isso, a vítima está lá, mortinha da silva, sempre quem perde é o morto.
Bueno.
Gritam por tanta coisa.
Gritemos por penas mais duras, gritemos por penas-chumbo!
Tinha que proibir!
A quem interessa, agora, nesta altura do campeonato, saber que a pobre criança era filmada pelo pai ordinário e pela louca sem vergonha da madrasta?
Somente à justiça interessam esses vídeos, a fim de agregar ainda mais solidez à prova, que já é robusta o suficiente para fazer com que a trinca maldita nunca mais saia da cadeia.
Eu tenho um defeito grave e, por tal razão, nunca prestei concurso para delegado de polícia - me conheço o suficiente para saber que rodaria, de cara, no psicotécnico, como já postei aqui: não tenho controle emocional para absorver atrocidades.
Não tenho.
Mas a Zero Hora, um jornal que assino há mais de trinta anos, todo santo dia me tortura com essas publicações horrendas dos diálogos e vídeos desse pobre inocente e daqueles covardes, medindo forças com uma criança de 10, 11 anos.
Eu pego o jornal e vejo, na capa, a chamada para a notícia, e até me faço o firme propósito de não ler, mas algo me faz ir até a página e lá estou, lendo, aquele sem fim de atrocidades.
Que mais teremos a seguir? Um vídeo do pai violentando o filho? Da madrasta gozando enquanto o pai come o filho?
É o que está faltando, e nem duvido que isso tenha ocorrido, aquilo lá era um filme de horrores.
Pobre criança!
Só que, daqui a pouco, teremos imagens da madrasta lendo, compungidamente, uma Bíblia, dizendo que se arrependeu e que somente Jesus salva!
Tudo por Jesus!
Quem duvida é louco, nesta completa inversão de valores em que vivemos, onde pais ameaçam filhos, filhos matam pais e, ainda assim, perdoar é preciso.
É?
Será?
Bueno, essa tarefa, delego-a a Deus, porque a justiça dos homens não pode perdoar gente dessa laia.
Aliás, a Susane Von Richichiiii saiu da cadeia, devido à progressão do regime, para trabalhar, adivinhe onde? no escritório de um amigo do amigo do seu advogado, aí fico pensando, não sei quem é mais alcaide, se ela ou o cara que deu emprego a uma assassina de pai e mãe.
Erros, todos nós cometemos, quem em sua vida não cagou fora do penico?
Vejam o quanto estou indignada que submeto meus leitores a estas expressões chulas, mas a fúria não me deixa calar.
A nossa justiça é mole.
E, por ela ser assim, mais e mais atrocidades vão sendo cometidas e a coisa vai crescendo, pois os assassinos sabem, de cor e salteado, o código penal e a lei de execuções penais.
E a gente aqui fora, fazendo novena e ajudando a arrecadar jornal velho pra gente desse calibre fazer cestinha.
Criam-se conselhos, fazem runiões, é...os pobres...
Enquanto isso, a vítima está lá, mortinha da silva, sempre quem perde é o morto.
Bueno.
Gritam por tanta coisa.
Gritemos por penas mais duras, gritemos por penas-chumbo!
quinta-feira, 28 de agosto de 2014
Cobradores
Tem gente que só lembra de Santa Bárbara quando troveja, isto é, liga para a pessoa porque dela precisa.
Necessita de alguns préstimos, ou que a mesma faça algum trabalho que, por preguiça, burrice ou incompetência lhe caberia fazer.
São os cobradores, aquele tipo de gente que presta, mesmo, é para incomodar.
Para tirar o sossego alheio e torrar a paciência, pois cobrador que se preza é isso: um porre, um purgante de óleo, e notem bem, meus queridos amigos, que não estou falando daqueles que são cobradores por força de sua profissão.
Refiro-me, aqui, aos cidadãos que vieram ao mundo com a missão de chatear o outro.
De arrogarem-se o direito de julgar, de apontar o dedo, de subir num pedestal e lá ficar, encarapitados como se fossem semi deuses.
Os cobradores são assim, ó: jamais ligarão para você para perguntar como está sua saúde, como vai a sua vida, se você está bem, mais ou menos ou quase indo para o andar de cima.
Esses detalhes pouco interessam aos cobradores de plantão, uma vez que eles não sentem nada de positivo em relação a você; apenas pensam que você é como um peão que deve correr para eles, que deve atender ao chamado ao menor sinal, talvez o chamem com um assovio, um psiu, mas você, na visão dos cobradores, precisa estar a postos.
Afinal, você é um perfeito idiota que pode ser pisado a qualquer tempo, dia e hora, pois é um ser infinitamente inferior aos cobradores, que cerram de cima e tudo podem.
Dos cobradores, não se iluda, nunca você ouvirá uma palavra terna, afável, um elogio.
Um carinho, uma vez a cada morte de bispo.
Não.
Os cobradores estão no mundo, ou melhor, no seu mundo, apenas para fazê-lo recordar que você é a rapa do tacho, o tufo, aquele passarinho que nasceu com uma perninha quebrada, a ovelha negra, o patinho feio.
Aliás, eles fazem questão de deixar bem claro que você veio a este mundo para servi-los.
São aquelas pessoas que batem à porta de sua casa e se abancam no seu sofá mas, na rua, fingem que não o enxergam, sequer o cumprimentam.
Os cobradores, além de vis, são caras de pau: falam mal de você pelas costas e depois, adivinhe: quem veio para o jantar?
Os cobradores também são aquele tipo de gente que fica um par de anos sem saber nada sobre você e, de repente, aparecem no seu trabalho para pedir penico e ainda pensam que mandam.
Convivi durante um largo tempo com cobradores, até o dia em que amanheci com a guampa virada e dei um basta, fechei a cara, a porta, a janela, sumi do mapa, peguei minha viola e fui cantar em outro lugar.
Um lugar onde, diga-se de passagem, nem em mil anos serei encontrada.
Mas não sem antes ter deixado aos cobradores, à guiza de lembrança, meu mais profundo desprezo.
Necessita de alguns préstimos, ou que a mesma faça algum trabalho que, por preguiça, burrice ou incompetência lhe caberia fazer.
São os cobradores, aquele tipo de gente que presta, mesmo, é para incomodar.
Para tirar o sossego alheio e torrar a paciência, pois cobrador que se preza é isso: um porre, um purgante de óleo, e notem bem, meus queridos amigos, que não estou falando daqueles que são cobradores por força de sua profissão.
Refiro-me, aqui, aos cidadãos que vieram ao mundo com a missão de chatear o outro.
De arrogarem-se o direito de julgar, de apontar o dedo, de subir num pedestal e lá ficar, encarapitados como se fossem semi deuses.
Os cobradores são assim, ó: jamais ligarão para você para perguntar como está sua saúde, como vai a sua vida, se você está bem, mais ou menos ou quase indo para o andar de cima.
Esses detalhes pouco interessam aos cobradores de plantão, uma vez que eles não sentem nada de positivo em relação a você; apenas pensam que você é como um peão que deve correr para eles, que deve atender ao chamado ao menor sinal, talvez o chamem com um assovio, um psiu, mas você, na visão dos cobradores, precisa estar a postos.
Afinal, você é um perfeito idiota que pode ser pisado a qualquer tempo, dia e hora, pois é um ser infinitamente inferior aos cobradores, que cerram de cima e tudo podem.
Dos cobradores, não se iluda, nunca você ouvirá uma palavra terna, afável, um elogio.
Um carinho, uma vez a cada morte de bispo.
Não.
Os cobradores estão no mundo, ou melhor, no seu mundo, apenas para fazê-lo recordar que você é a rapa do tacho, o tufo, aquele passarinho que nasceu com uma perninha quebrada, a ovelha negra, o patinho feio.
Aliás, eles fazem questão de deixar bem claro que você veio a este mundo para servi-los.
São aquelas pessoas que batem à porta de sua casa e se abancam no seu sofá mas, na rua, fingem que não o enxergam, sequer o cumprimentam.
Os cobradores, além de vis, são caras de pau: falam mal de você pelas costas e depois, adivinhe: quem veio para o jantar?
Os cobradores também são aquele tipo de gente que fica um par de anos sem saber nada sobre você e, de repente, aparecem no seu trabalho para pedir penico e ainda pensam que mandam.
Convivi durante um largo tempo com cobradores, até o dia em que amanheci com a guampa virada e dei um basta, fechei a cara, a porta, a janela, sumi do mapa, peguei minha viola e fui cantar em outro lugar.
Um lugar onde, diga-se de passagem, nem em mil anos serei encontrada.
Mas não sem antes ter deixado aos cobradores, à guiza de lembrança, meu mais profundo desprezo.
A Vendedora de Morangos
Cinara nascera e se criara em uma pequena propriedade rural, no interior de Itaqui.
Na terra fértil de quatro hectares onde tudo dava, a família tirava seu sustento plantando alfaces, tomates, salsa e cebolinha, manjericão, pimentões, rúcula, couve e abobrinhas.
E havia, também, os morangos.
Um canteiro inteirinho, uma larga faixa de terra destinada exclusivamente aos morangos.
Cinara era fascinada pelas frutinhas vermelhas e cuidava pessoalmente daquele espaço que parecia um tanto quanto mágico, brotava a um simples olhar de sua cuidadora.
Cinara era bela, tinha olhos negros, cabelos encaracolados e uma pele clara e lisinha que nem o sol causticante dos verões itaquienses conseguira manchar.
Do alto de seus vinte anos, dos quais dez já vinham sendo dedicados ao plantio de verduras e frutas, Cinara frequentara a escola de forma precária. Conseguira concluir o segundo grau a duras penas, mas sonhava, e sonhava grande.
Um dia estudaria muito, para entender melhor o manejo e a fórmula para que seus morangos frutificassem ainda melhor.
Uma vez na semana, ela vinha até a cidade numa pequena caminhonete carregada de produtos, para vendê-los na feira da praça central de Itaqui, onde se reunia com outros feirantes para tomar chimarrão e conversar sobre sementes, adubos, o tempo, a chuva, o frio, a geada.
Cinara cuidava tanto de seus morangos e apresentava-os tão bem, que formavam-se filas para comprá-los.
Na véspera, tinham sido cuidadosamente lavados por ela, acondicionados em caixinhas, e exalavam um perfume delicioso, de dar água na boca.
Assim corriam os dias para Cinara, a Vendedora de Morangos, como era carinhosamente chamada pelos fregueses.
O que ninguém sabia e nem sequer desconfiava era que Cinara, durante a noite, alegando cansaço e sono, ia cedo para seu quarto e lá se punha a estudar, devorando todos os livros que uma amiga professora lhe emprestava.
Fazia os exercícios, repetia-os e lia, mais de uma vez, os conteúdos, até cair exausta pois o dia recomeçaria dali a pouco.
Com a ajuda de sua amiga professora, fez a inscrição para o Vestibular de Farmácia. A amiga, que tinha parentes em Santa Maria, encarregou-se de levá-la e custeou uma parte das despesas.
Cinara passou.
Voltou para casa radiante, para dar a notícia aos pais e comunicar que, em março, iria embora para Santa Maria para estudar e realizar seu sonho.
Correu e se virou mais que bolacha em boca de velho, economizando cada centavo das vendas que fazia, até o dia da partida.
Ficou longe de sua terra por cinco anos.
E, durante todo esse tempo, seu canteiro de morangos, inacreditavelmente secou, não produziu um mísero fruto.
As pessoas sentiam falta da vendedora de morangos; não havia frutos como os que eram vendidos por Cinara.
Concluído o curso, ela voltou.
A primeira coisa que fez foi preparar a terra, limpando-a, retirando as ervas daninhas.
Semeou pacientemente, muda por muda.
E colheu.
Colheu tanto que não dava vencimento, tal a quantidade de frutos.
No tempo da faculdade, Cinara fizera cursos, e aprendera a preparar geleias, doces, cremes, sabonetes, ela sabia todos os processos.
Então, a Vendedora de Morangos virou microempresária de sucesso, montou uma empresa altamente rentável e comercializou um sem fim de produtos.
Ampliou a casa, comprou mais hectares e triplicou a produção.
Durante as noites estreladas de verão, sentada em uma cadeira de balanço, Cinara sentia o perfume dos morangos que se espalhava por toda a propriedade, e não deixava de pensar que nada se consegue sem muito trabalho, esforço e uma boa dose de sacrifício mas, sobretudo, pela perseverança na busca dos sonhos.
Ela perseverara.
E vencera!
Na terra fértil de quatro hectares onde tudo dava, a família tirava seu sustento plantando alfaces, tomates, salsa e cebolinha, manjericão, pimentões, rúcula, couve e abobrinhas.
E havia, também, os morangos.
Um canteiro inteirinho, uma larga faixa de terra destinada exclusivamente aos morangos.
Cinara era fascinada pelas frutinhas vermelhas e cuidava pessoalmente daquele espaço que parecia um tanto quanto mágico, brotava a um simples olhar de sua cuidadora.
Cinara era bela, tinha olhos negros, cabelos encaracolados e uma pele clara e lisinha que nem o sol causticante dos verões itaquienses conseguira manchar.
Do alto de seus vinte anos, dos quais dez já vinham sendo dedicados ao plantio de verduras e frutas, Cinara frequentara a escola de forma precária. Conseguira concluir o segundo grau a duras penas, mas sonhava, e sonhava grande.
Um dia estudaria muito, para entender melhor o manejo e a fórmula para que seus morangos frutificassem ainda melhor.
Uma vez na semana, ela vinha até a cidade numa pequena caminhonete carregada de produtos, para vendê-los na feira da praça central de Itaqui, onde se reunia com outros feirantes para tomar chimarrão e conversar sobre sementes, adubos, o tempo, a chuva, o frio, a geada.
Cinara cuidava tanto de seus morangos e apresentava-os tão bem, que formavam-se filas para comprá-los.
Na véspera, tinham sido cuidadosamente lavados por ela, acondicionados em caixinhas, e exalavam um perfume delicioso, de dar água na boca.
Assim corriam os dias para Cinara, a Vendedora de Morangos, como era carinhosamente chamada pelos fregueses.
O que ninguém sabia e nem sequer desconfiava era que Cinara, durante a noite, alegando cansaço e sono, ia cedo para seu quarto e lá se punha a estudar, devorando todos os livros que uma amiga professora lhe emprestava.
Fazia os exercícios, repetia-os e lia, mais de uma vez, os conteúdos, até cair exausta pois o dia recomeçaria dali a pouco.
Com a ajuda de sua amiga professora, fez a inscrição para o Vestibular de Farmácia. A amiga, que tinha parentes em Santa Maria, encarregou-se de levá-la e custeou uma parte das despesas.
Cinara passou.
Voltou para casa radiante, para dar a notícia aos pais e comunicar que, em março, iria embora para Santa Maria para estudar e realizar seu sonho.
Correu e se virou mais que bolacha em boca de velho, economizando cada centavo das vendas que fazia, até o dia da partida.
Ficou longe de sua terra por cinco anos.
E, durante todo esse tempo, seu canteiro de morangos, inacreditavelmente secou, não produziu um mísero fruto.
As pessoas sentiam falta da vendedora de morangos; não havia frutos como os que eram vendidos por Cinara.
Concluído o curso, ela voltou.
A primeira coisa que fez foi preparar a terra, limpando-a, retirando as ervas daninhas.
Semeou pacientemente, muda por muda.
E colheu.
Colheu tanto que não dava vencimento, tal a quantidade de frutos.
No tempo da faculdade, Cinara fizera cursos, e aprendera a preparar geleias, doces, cremes, sabonetes, ela sabia todos os processos.
Então, a Vendedora de Morangos virou microempresária de sucesso, montou uma empresa altamente rentável e comercializou um sem fim de produtos.
Ampliou a casa, comprou mais hectares e triplicou a produção.
Durante as noites estreladas de verão, sentada em uma cadeira de balanço, Cinara sentia o perfume dos morangos que se espalhava por toda a propriedade, e não deixava de pensar que nada se consegue sem muito trabalho, esforço e uma boa dose de sacrifício mas, sobretudo, pela perseverança na busca dos sonhos.
Ela perseverara.
E vencera!
quarta-feira, 27 de agosto de 2014
A Força do Abraço
Era um daqueles dias perfeitos: céu azul sem nuvens, sol brilhado sobre todas as coisas, iluminando e aquecendo o coração das pessoas, temperatura na casa dos 20 graus.
Estava tão lindo, aquele dia, que Juliana sentia vontade de sair cantando e dançando rua afora, apenas para celebrar a alegria de estar viva e de ter a ventura de poder desfrutar a pleno daquela dádiva da natureza.
Um dia espetacular!
Não soube dizer, tempos depois, se foi o clima do dia.
Pode ser...
O que vinha procurando há tanto tempo, justo naquela tarde ensolarada, Juliana encontrou.
Ela era uma menina solitária e introvertida, e o único amigo que lhe fazia rir e sair de dentro de si mesma, onde se escondera como forma de proteger-se das desilusões era seu colega de faculdade que, por essas obras do acaso, chamava-se Juliano.
Juliano e Juliana.
Eles formavam uma dupla e tanto: ela, com seus longos cabelos castanho claros, alta, magra, de feições delicadas, nariz reto e pequeno e boca carnuda; ele, igualmente alto, cabelo preto e olhos idem, sorriso aberto, escancarado, vozeirão.
Ela era tímida e ele, extrovertido.
Estudavam juntos, no mínimo, três vezes por semana e, nos finais de semana, separavam-se e cada um ia para seu canto, ele com seu grupo de amigos e Juliana, quieta, vendo a caravana passar.
Quando chegava a segunda feira, tinham tantas novidades para contar um ao outro e era tal a felicidade que sentiam quando se viam que abraçavam-se longamente.
Eram amigos, eram irmãos, partilhavam sonhos, segredos, podres, fofocas, mas, acima de tudo, a leveza.
Sim.
Quando estavam juntos nem sentiam o tempo, que passava depressa.
Quando se davam conta, terminara o dia e então iam embora, caminhando de costas, ou olhando para trás, acenando-se até desaparecerem.
Foram dois anos naquele ritmo de uma amizade intensa, daquela simpatia mútua que sentiam e nem sabiam de onde vinha e muito menos qual seria a explicação para aquele sentimento, e para quê?
Estar lado a lado bastava.
Pois naquele dia de sol, Juliana decidiu sair de casa para dar uma volta e apenas andar.
Caminhar sem pressa e direção.
Ela precisava sair e andar por aí, apenas isso.
Observava as flores, ouvia os pássaros, olhava as pessoas, e tudo lhe parecia mágico.
E pensava em Juliano, e em como seria maravilhoso se seu amigo/irmão aparecesse naquela hora para compartilharem juntos aquela caminhada.
Juliano, por seu turno, estava em casa estudando quando, de repente, sentiu uma vontade louca de sair e andar por aí, de caminhar sem pressa e direção.
E pensava em Juliana, e em como seria maravilhoso se sua amiga/irmã aparecesse naquela hora para compartilharem juntos aquela caminhada.
Encontraram-se, dois quarteirões depois e caíram, ambos, nos braços um do outro.
Nada a dizer, nada a declarar.
Apenas a força daquele abraço interminável foi suficiente para selar, em definitivo, o amor dos dois!
.
Estava tão lindo, aquele dia, que Juliana sentia vontade de sair cantando e dançando rua afora, apenas para celebrar a alegria de estar viva e de ter a ventura de poder desfrutar a pleno daquela dádiva da natureza.
Um dia espetacular!
Não soube dizer, tempos depois, se foi o clima do dia.
Pode ser...
O que vinha procurando há tanto tempo, justo naquela tarde ensolarada, Juliana encontrou.
Ela era uma menina solitária e introvertida, e o único amigo que lhe fazia rir e sair de dentro de si mesma, onde se escondera como forma de proteger-se das desilusões era seu colega de faculdade que, por essas obras do acaso, chamava-se Juliano.
Juliano e Juliana.
Eles formavam uma dupla e tanto: ela, com seus longos cabelos castanho claros, alta, magra, de feições delicadas, nariz reto e pequeno e boca carnuda; ele, igualmente alto, cabelo preto e olhos idem, sorriso aberto, escancarado, vozeirão.
Ela era tímida e ele, extrovertido.
Estudavam juntos, no mínimo, três vezes por semana e, nos finais de semana, separavam-se e cada um ia para seu canto, ele com seu grupo de amigos e Juliana, quieta, vendo a caravana passar.
Quando chegava a segunda feira, tinham tantas novidades para contar um ao outro e era tal a felicidade que sentiam quando se viam que abraçavam-se longamente.
Eram amigos, eram irmãos, partilhavam sonhos, segredos, podres, fofocas, mas, acima de tudo, a leveza.
Sim.
Quando estavam juntos nem sentiam o tempo, que passava depressa.
Quando se davam conta, terminara o dia e então iam embora, caminhando de costas, ou olhando para trás, acenando-se até desaparecerem.
Foram dois anos naquele ritmo de uma amizade intensa, daquela simpatia mútua que sentiam e nem sabiam de onde vinha e muito menos qual seria a explicação para aquele sentimento, e para quê?
Estar lado a lado bastava.
Pois naquele dia de sol, Juliana decidiu sair de casa para dar uma volta e apenas andar.
Caminhar sem pressa e direção.
Ela precisava sair e andar por aí, apenas isso.
Observava as flores, ouvia os pássaros, olhava as pessoas, e tudo lhe parecia mágico.
E pensava em Juliano, e em como seria maravilhoso se seu amigo/irmão aparecesse naquela hora para compartilharem juntos aquela caminhada.
Juliano, por seu turno, estava em casa estudando quando, de repente, sentiu uma vontade louca de sair e andar por aí, de caminhar sem pressa e direção.
E pensava em Juliana, e em como seria maravilhoso se sua amiga/irmã aparecesse naquela hora para compartilharem juntos aquela caminhada.
Encontraram-se, dois quarteirões depois e caíram, ambos, nos braços um do outro.
Nada a dizer, nada a declarar.
Apenas a força daquele abraço interminável foi suficiente para selar, em definitivo, o amor dos dois!
.
Bibo Guri, O Gato Rebelde
Minha Avó materna Adelaida adorava gatos, e tinha-os em grande profusão. Ao todo, estirados sobre o piso de ladrilhos vermelhos da área de sua casa, enroscavam-se em torno de oito bichanos de diferentes pelos e feitios.
Pensando nas histórias que me foram contadas por ela e, em homenagem a sua memória, escrevi um livro infantil que até o final do ano, se Deus quiser, estará publicado.
Bibo Guri, O Gato Rebelde conta a história de um gato especial e encantado que veio do mundo das fadas direto para a casa de Adolfo e Maria Luisa, trazido por seu Ramão, o guarda da rua, a fim de colorir e movimentar ainda mais a vida da pequena Albita, filha única do casal.
A seguir, um pequeno trecho:
" Ele era bem pequenininho quando o vigilante da rua aparecera, numa fria tarde de sábado do mês de junho, dizendo que sua gata havia dado cria e que aquele gatinho não tinha onde ficar.
Sobrara.
Se ficasse solto, morreria.
Quando a menina Albita viu aquele animalzinho pequeno e indefeso olhando-a com seus olhos de um tom azul escuro apaixonou-se e, de imediato, rendeu-se aos encantos do bichano.
Maria Luisa bem que tentara fingir que não gostara do gatinho, mas derretia-se toda quando ele a olhava e, logo a seguir, saltava em seu colo, os olhos semi cerrados, fazendo ronc, ronc, ronc...
Os meses se passaram, e Bibo foi crescendo, ficando, a cada dia, mais esperto, sapeca e lindo.
O pelo crescera tanto que tapava-lhe os olhos.
O peito era de uma penugem branquinha e, no restante do corpo, misturavam-se as cores, que iam do marrom claro ao bege, com alguns fios cinzentos.
Além disso, era gordo, comendo vorazmente tudo que encontrava pela frente.
Hum, que cheirinho delicioso! É Adolfo, abrindo a geladeira, Vem trazer-me algum petisco, com certeza. Preciso estar bem alimentado, ora essa! Senão, como terei forças para namorar Manú, a gata siamês de Dona Cotinha?
Seu prato favorito também eram pequenas lagartixas e rãs que apareciam no pátio da casa em dias de chuva, as quais ele ficava caçando, perseguindo os pobres bichinhos até conseguir pegá-los
.Bibo sabia que era bonito e adorava estar na calçada, sobre o muro, olhando a movimentação da rua, não perdia ponto de nada, virando a cabeça de um lado para outro, como se fosse gente.
Como sou feliz! Moro nesta casa cercado de carinho, todos me adoram. Também, não há como não gostar de mim, eu sei que sou especial!
Os dias passam tão depressa que logo chegará dezembro e, com ele, virá o lançamento do livro infantil e a segunda edição de A Árvore Das Plumas Vermelhas.
Guardem a curiosidade, e até lá!
Pensando nas histórias que me foram contadas por ela e, em homenagem a sua memória, escrevi um livro infantil que até o final do ano, se Deus quiser, estará publicado.
Bibo Guri, O Gato Rebelde conta a história de um gato especial e encantado que veio do mundo das fadas direto para a casa de Adolfo e Maria Luisa, trazido por seu Ramão, o guarda da rua, a fim de colorir e movimentar ainda mais a vida da pequena Albita, filha única do casal.
A seguir, um pequeno trecho:
" Ele era bem pequenininho quando o vigilante da rua aparecera, numa fria tarde de sábado do mês de junho, dizendo que sua gata havia dado cria e que aquele gatinho não tinha onde ficar.
Sobrara.
Se ficasse solto, morreria.
Quando a menina Albita viu aquele animalzinho pequeno e indefeso olhando-a com seus olhos de um tom azul escuro apaixonou-se e, de imediato, rendeu-se aos encantos do bichano.
Maria Luisa bem que tentara fingir que não gostara do gatinho, mas derretia-se toda quando ele a olhava e, logo a seguir, saltava em seu colo, os olhos semi cerrados, fazendo ronc, ronc, ronc...
Os meses se passaram, e Bibo foi crescendo, ficando, a cada dia, mais esperto, sapeca e lindo.
O pelo crescera tanto que tapava-lhe os olhos.
O peito era de uma penugem branquinha e, no restante do corpo, misturavam-se as cores, que iam do marrom claro ao bege, com alguns fios cinzentos.
Além disso, era gordo, comendo vorazmente tudo que encontrava pela frente.
Hum, que cheirinho delicioso! É Adolfo, abrindo a geladeira, Vem trazer-me algum petisco, com certeza. Preciso estar bem alimentado, ora essa! Senão, como terei forças para namorar Manú, a gata siamês de Dona Cotinha?
Seu prato favorito também eram pequenas lagartixas e rãs que apareciam no pátio da casa em dias de chuva, as quais ele ficava caçando, perseguindo os pobres bichinhos até conseguir pegá-los
.Bibo sabia que era bonito e adorava estar na calçada, sobre o muro, olhando a movimentação da rua, não perdia ponto de nada, virando a cabeça de um lado para outro, como se fosse gente.
Como sou feliz! Moro nesta casa cercado de carinho, todos me adoram. Também, não há como não gostar de mim, eu sei que sou especial!
Os dias passam tão depressa que logo chegará dezembro e, com ele, virá o lançamento do livro infantil e a segunda edição de A Árvore Das Plumas Vermelhas.
Guardem a curiosidade, e até lá!
terça-feira, 26 de agosto de 2014
O Tempo Interior
Como é bom poder estar em casa, estirada no sofá com meu doce amargo, observando pela janela o dia indo embora.
Depois de muitas andanças, finalmente uma trégua para sorver mi matecito como a mi más me gusta, ou seja, solita no más, escutando apenas o canto dos pássaros e o farfalhar do vento nas folhas das árvores, eu sou mesmo uma romântica incorrigível e, mais ainda, uma otimista de carteirinha, pois acredito firmemente na força do pensamento, dos fluídos positivos, nas energias poderosas.
Embora nosso entendimento não capte, de imediato, a extensão certos fatos, nada é por acaso.
Frase feita para um retorno depois de ter submetido meu fã clube de meia dúzia de gatos pingados a um jejum de seis dias sem postar absolutamente nada.
Foram tantos fatos e acontecimentos desde o dia 18 que simplesmente congelei, pois precisamos, antes de mais nada, assimilar as coisas, e isso demanda tempo.
O tempo interior de cada um é uma medida que não possui fórmula nem obedece receita, apenas o coração manda e determina, reinando absoluto.
Minha tia Édina, irmã de meu Pai, foi embora justamente no dia 18 de agosto, quando fazia pouco que eu havia publicado uma postagem alegre sobre uma das tantas artes que costumo fazer quando estou no Portinho, passagens hilárias que me acontecem.
Por questões que fugiram de nossa alçada, ela e eu não nos encontrávamos há mais de seis anos.
Terminou o agradável convívio que mantínhamos antes, mas isso não me impediu de pensar nela, de recordá-la com imenso carinho, de sentar-me onde costumo ficar quando estou pensando nas voltas que esta vida dá.
Melhor é não pensar muito... como se fosse possível desligar o botão da mente e mandar o coração soterrar todos os sentimentos.
Não é assim que funciona, não comigo.
Nós tivemos uma história juntas, ela e eu.
Ela foi uma tia presente, carinhosa, afável, extremamente sincera e franca, não mandava recados, dizia na lata o que precisava ser dito e não tinha papas na língua.
Uma mulher de uma fibra impressionante, que sei que me amou muito e a quem também amei.
Não se pode misturar as estações e achar que um determinado ato ou fato terá o condão de apagar a história de uma vida inteira.
Concluo, portanto, que, apesar dos pesares, o amor é a força mais poderosa.
Ele, e somente ele, tudo supera e a tudo perdoa.
Não há sentimento maior e mais sublime!
Depois de muitas andanças, finalmente uma trégua para sorver mi matecito como a mi más me gusta, ou seja, solita no más, escutando apenas o canto dos pássaros e o farfalhar do vento nas folhas das árvores, eu sou mesmo uma romântica incorrigível e, mais ainda, uma otimista de carteirinha, pois acredito firmemente na força do pensamento, dos fluídos positivos, nas energias poderosas.
Embora nosso entendimento não capte, de imediato, a extensão certos fatos, nada é por acaso.
Frase feita para um retorno depois de ter submetido meu fã clube de meia dúzia de gatos pingados a um jejum de seis dias sem postar absolutamente nada.
Foram tantos fatos e acontecimentos desde o dia 18 que simplesmente congelei, pois precisamos, antes de mais nada, assimilar as coisas, e isso demanda tempo.
O tempo interior de cada um é uma medida que não possui fórmula nem obedece receita, apenas o coração manda e determina, reinando absoluto.
Minha tia Édina, irmã de meu Pai, foi embora justamente no dia 18 de agosto, quando fazia pouco que eu havia publicado uma postagem alegre sobre uma das tantas artes que costumo fazer quando estou no Portinho, passagens hilárias que me acontecem.
Por questões que fugiram de nossa alçada, ela e eu não nos encontrávamos há mais de seis anos.
Terminou o agradável convívio que mantínhamos antes, mas isso não me impediu de pensar nela, de recordá-la com imenso carinho, de sentar-me onde costumo ficar quando estou pensando nas voltas que esta vida dá.
Melhor é não pensar muito... como se fosse possível desligar o botão da mente e mandar o coração soterrar todos os sentimentos.
Não é assim que funciona, não comigo.
Nós tivemos uma história juntas, ela e eu.
Ela foi uma tia presente, carinhosa, afável, extremamente sincera e franca, não mandava recados, dizia na lata o que precisava ser dito e não tinha papas na língua.
Uma mulher de uma fibra impressionante, que sei que me amou muito e a quem também amei.
Não se pode misturar as estações e achar que um determinado ato ou fato terá o condão de apagar a história de uma vida inteira.
Concluo, portanto, que, apesar dos pesares, o amor é a força mais poderosa.
Ele, e somente ele, tudo supera e a tudo perdoa.
Não há sentimento maior e mais sublime!
segunda-feira, 18 de agosto de 2014
Vestido de Festa
Estava certa feita no Portinho, procurando um vestido para uma festa de gala.
Como toda a torcida do Flamengo sabe, jamais fui magra e creio que nunca o serei, mas daí a...bem, não sei.
Voltemos à história.
Entrei numa loja mimimi, e logo veio a vendedora para me atender, perguntando o que eu buscava.
Começou mal, pois me lançou um olhar dos pés à cabeça, algo como aqui não vais achar nada do teu tamanho, meu bem, é, ela me olhava com um misto de ironia e pena, tudo muiiiito sutil, mas como sou uma expert em ler nas entrelinhas, aquele olhar calou fundo, e já comecei a sentir o popular calor.
E o calorão foi aumentando e até me deu uma espécie de tontura, saí um pouco de mim, dei uma volta no éter, respirei fundo e continuei, procuro um vestido para uma festa de gala, à noite, etc...
De que cor?
Olha, sei as cores que não quero: vinho, preto, azul marinho...
Fora essas, pode ser qualquer cor...menos verde.
É, reconheço que também não sou fácil.
E não é que a cidadã me mostra justamente um vestido vinho?
De renda.
Com uma saia esvoaçante, estilo mil e uma noites.
Horrendo!
Eu, dentro daquele vestido, ficaria igual a Queen Latifah, só que branca.
Ai...
Um completo desastre.
Que calorrrrr...
Olhei, olhei, e vi que daquele mato, ou melhor, daquele loja não ia sair vestido algum e me fui.
Altamente aborrecida, é óbvio, andei uma boa meia hora ruminando e resmungado entre dentes, não sem pensar, olha o mico, oooolhaaa o mico, muita calma, respira, devagar...
Para em algum lugar, criatura!
Em cada loja que eu passava nem me atrevia a olhar meu reflexo na vitrine, acho que teria apedrejado a mim mesma, suando adoidado e com um ar tresloucado.
Sentei num café, e pedi o cardápio.
Olhei aquelas delícias todas, suspirei fundo e conclui que, na verdade, pensando bem, eu nem estava tão mal assim, aquele vendedora é que era uma completa imbecil e, enquanto pensava, me observava dos pés à cabeça, analisando tudo, e ali decidi me dar uma chance, um afago, um abraço fraterno.
Eu merecia, depois de todo aquele massacre.
Olhei para o garçom com meu melhor sorriso e tasquei:
Um petit gateau de chocolate com recheio de nozes e uma bola de sorvete de creme; depois, um expresso com uma mineral com gás.
Como toda a torcida do Flamengo sabe, jamais fui magra e creio que nunca o serei, mas daí a...bem, não sei.
Voltemos à história.
Entrei numa loja mimimi, e logo veio a vendedora para me atender, perguntando o que eu buscava.
Começou mal, pois me lançou um olhar dos pés à cabeça, algo como aqui não vais achar nada do teu tamanho, meu bem, é, ela me olhava com um misto de ironia e pena, tudo muiiiito sutil, mas como sou uma expert em ler nas entrelinhas, aquele olhar calou fundo, e já comecei a sentir o popular calor.
E o calorão foi aumentando e até me deu uma espécie de tontura, saí um pouco de mim, dei uma volta no éter, respirei fundo e continuei, procuro um vestido para uma festa de gala, à noite, etc...
De que cor?
Olha, sei as cores que não quero: vinho, preto, azul marinho...
Fora essas, pode ser qualquer cor...menos verde.
É, reconheço que também não sou fácil.
E não é que a cidadã me mostra justamente um vestido vinho?
De renda.
Com uma saia esvoaçante, estilo mil e uma noites.
Horrendo!
Eu, dentro daquele vestido, ficaria igual a Queen Latifah, só que branca.
Ai...
Um completo desastre.
Que calorrrrr...
Olhei, olhei, e vi que daquele mato, ou melhor, daquele loja não ia sair vestido algum e me fui.
Altamente aborrecida, é óbvio, andei uma boa meia hora ruminando e resmungado entre dentes, não sem pensar, olha o mico, oooolhaaa o mico, muita calma, respira, devagar...
Para em algum lugar, criatura!
Em cada loja que eu passava nem me atrevia a olhar meu reflexo na vitrine, acho que teria apedrejado a mim mesma, suando adoidado e com um ar tresloucado.
Sentei num café, e pedi o cardápio.
Olhei aquelas delícias todas, suspirei fundo e conclui que, na verdade, pensando bem, eu nem estava tão mal assim, aquele vendedora é que era uma completa imbecil e, enquanto pensava, me observava dos pés à cabeça, analisando tudo, e ali decidi me dar uma chance, um afago, um abraço fraterno.
Eu merecia, depois de todo aquele massacre.
Olhei para o garçom com meu melhor sorriso e tasquei:
Um petit gateau de chocolate com recheio de nozes e uma bola de sorvete de creme; depois, um expresso com uma mineral com gás.
Do Outro Lado da Calçada
Há um tempo me aconteceu o seguinte: estava saindo de um restaurante quando vi, do outro lado da calçada, uma pessoa que fez parte de minha vida durante muitos anos.
E me pus a pensar em como a gente se separa e os afetos terminam, e não é a vida, é a gente mesmo, somos nós e nossas circunstâncias que fazemos a roda girar, seja para o lado do bem e da união, seja para o lado da destruição e do afastamento.
Uma pena, uma lástima que aquela pessoa que estava na calçada oposta a que eu vinha passou assim, sem nem notar que eu estava lá, olhando para ela, apenas seguiu seu curso e eu fiquei parada, pensando, com vontade de atravessar, de falar, de sacudir, de ...
Que importância tem isso?
Para mim, toda, pois me mostra que, apesar de tudo - do desafeto, do desamor, da inveja, da maldade gratuita, não consigo guardar rancor, embora veja que isso é até um defeito, bom mesmo seria se eu ficasse amarga e com um ódio tipo fogo simbólico da Semana da Pátria ou do Candeeiro Crioulo - venta, chove, sai sol, esfria, vem a neblina, e aquela chama não se apaga.
Lamentavelmente, não aprendi essa lição, a lição do ranço, da semente da raiva que germina, floresce, e frutifica de modo ininterrupto, algo do tipo de pai para filho.
Aquele fato me fez refletir e pensar nos erros que cometi, nas dores que também causei, nas palavras duras que usei, pois quando um não quer, dois não brigam, diz o ditado.
A diferença entre nós é que, como referi, tenho o péssimo hábito de não guardar rancor nem mágoa, embora não esqueça, pois também não sou madre Teresa ou coisa que o valha.
E porque o perdão é um sentimento libertador
No dia em que perdoamos, o fardo que carregamos sai de nossos ombros e a leveza nos invade por completo, alma, coração, mente, corpo.
Voltamos a respirar normalmente outra vez..
Constatei, não sem uma ponta de tristeza que, após tanto tempo, viramos meros desconhecidos numa tarde qualquer, que sequer um olhar merecem um do outro.
E foi então que me veio à cabeça uma frase de Chico Xavier, amado Chico:
Fico triste quando alguém me ofende, mas, com certeza, eu ficaria mais triste se fosse eu o ofensor...Magoar alguém é terrível!
E me pus a pensar em como a gente se separa e os afetos terminam, e não é a vida, é a gente mesmo, somos nós e nossas circunstâncias que fazemos a roda girar, seja para o lado do bem e da união, seja para o lado da destruição e do afastamento.
Uma pena, uma lástima que aquela pessoa que estava na calçada oposta a que eu vinha passou assim, sem nem notar que eu estava lá, olhando para ela, apenas seguiu seu curso e eu fiquei parada, pensando, com vontade de atravessar, de falar, de sacudir, de ...
Que importância tem isso?
Para mim, toda, pois me mostra que, apesar de tudo - do desafeto, do desamor, da inveja, da maldade gratuita, não consigo guardar rancor, embora veja que isso é até um defeito, bom mesmo seria se eu ficasse amarga e com um ódio tipo fogo simbólico da Semana da Pátria ou do Candeeiro Crioulo - venta, chove, sai sol, esfria, vem a neblina, e aquela chama não se apaga.
Lamentavelmente, não aprendi essa lição, a lição do ranço, da semente da raiva que germina, floresce, e frutifica de modo ininterrupto, algo do tipo de pai para filho.
Aquele fato me fez refletir e pensar nos erros que cometi, nas dores que também causei, nas palavras duras que usei, pois quando um não quer, dois não brigam, diz o ditado.
A diferença entre nós é que, como referi, tenho o péssimo hábito de não guardar rancor nem mágoa, embora não esqueça, pois também não sou madre Teresa ou coisa que o valha.
E porque o perdão é um sentimento libertador
No dia em que perdoamos, o fardo que carregamos sai de nossos ombros e a leveza nos invade por completo, alma, coração, mente, corpo.
Voltamos a respirar normalmente outra vez..
Constatei, não sem uma ponta de tristeza que, após tanto tempo, viramos meros desconhecidos numa tarde qualquer, que sequer um olhar merecem um do outro.
E foi então que me veio à cabeça uma frase de Chico Xavier, amado Chico:
Fico triste quando alguém me ofende, mas, com certeza, eu ficaria mais triste se fosse eu o ofensor...Magoar alguém é terrível!
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