Há dias vinha observando as bicicletas das gurias encostadas num cantinho da garagem, empoeiradas e de cara feia, e não é para menos, afinal, bicicleta não foi feita para ficar parada.
Então, decidi que estava na hora de levar ao menos uma delas para uma faxina geral, considerando minha súbita vontade de andar por aí, abanando as tranças, livre leve e solta numa bicicleta, e não pude deixar de pensar porque razão deixamos de lado tantas coisas boas, que antes fazíamos, e não nos damos conta do tempo que passa e escorre como areia fininha entre nossos dedos, e as coisas que amamos e nos dão prazer vão caindo no esquecimento, numa espécie de limbo.
Combinando com a atual fase em que me encontro, de repensar a vida, valores y otras cositas más, passei a mão na bicicleta e mandei arrumar, e o prazer que senti, ao vê-la prontinha, estalando como se fosse nova foi quase infantil, parecido com aquele que experimentei quando ganhei, num Natal, minha primeira bici; é, da primeira Caloi a gente nunca esquece e não seria eu a fugir de tal regra.
Minha Caloi azul com algumas faixas brancas e um cestinho preso ao guidon era tudo o eu precisava, e o que bastava para fazer feliz uma criança de seis anos. Uma bicicleta com duas rodinhas auxiliares que logo, logo, meu Pai tirou, para meu deleite e alegria de minha Mãe. Como lembro do olhar deles, sentados no pátio imenso de nossa casa, tomando mate e me observando a zanzar pelo gramado, desviando dos canteiros floridos.
Com 8 anos, ganhei uma bicicleta grande, minhas pernas mal alcançavam os pedais, mas o desejo de sair por aí era maior que tudo, equilibrava-me do jeito que podia e rapidamente troquei o pátio pela calçada e esta, pela rua.
Que fase espetacular de minha infância! Jamais senti medo, nem de nadar, nem de andar a cavalo e menos ainda de sair bicicletando pelo meu Itaqui, com suas ruas cheias de terra e pedras, isso não tinha ( e não tem) a menor importância, quando estamos felizes o entorno se torna mágico e lindo.
Levei um tombo, quando tinha doze anos, que me rendeu uma cicatriz no joelho esquerdo, mas ela também não foi e não é problema, convivemos há tantos anos que nem nos lembramos uma da outra, somente em dias de chuva.
Todas essas lembranças, inclusive as de quando estive na Europa e aluguei uma bicicleta para percorrer os vinhedos no interior da Alemanha me fizeram sentir uma vontade doida de andar por aí, com a brisa de um dia de sol sacudindo meus cabelos e a sensação de liberdade e domínio que só quem curte uma bici entende.
Hoje o dia estava excepcionalmente lindo e, ao raiar das 10 da matina passei a mão no mais novo objeto do meu desejo e saímos, calmamente, como duas amigas que não se viam há muito tempo e precisavam colocar o papo em dia.
Nos entendemos lindo, e lá fui eu, pedalando, até o Porto de Itaqui, observar o Rio Uruguai, que é simplesmente divino, mais ainda numa manhã de maio ensolarada e fresquinha como a de hoje.
Que felicidade, meus amigos, quanta alegria senti ao reencontrar a criança que andou de bicicleta, pela primeira vez, aos 6 anos.
E, como diz o ditado, quem aprende a andar de bicicleta jamais esquece!
sábado, 17 de maio de 2014
quinta-feira, 15 de maio de 2014
Sinceridade Rude - II
A gente até tenta, mas não tem escapatória e, de alguma forma, precisamos externar a indignação que toma conta da gente a cada notícia que se tem sobre os facínoras, a gentalha que matou o inocente Bernardo.
Ponho-me a pensar como é possível pessoas que estudaram, se formaram, exerciam suas profissões e, aparentemente, mantinham um bom nível de vida, cometerem tamanha atrocidade, até pedi uma explicação, já que Freud explica, ao maridão, que é Psicólogo, e ele ficou mudo, pois a ele também, assim como a todos nós, esse fato causa repulsa e, diria eu, até medo.
Em quem se pode confiar, afinal? se o próprio pai do inocente arquitetou, friamente, a morte do filho, uma criança indefesa? se uma enfermeira e uma assistente social, que estudaram para cuidar de pessoas e zelar pela vida( que não dizer do médico monstro)planejaram, por um longo tempo, acabar com uma vida?
Confesso a vocês, queridos amigos, que esse fato criminoso me abalou, fico, por vezes, imaginando aquele menino lindo saindo da escola, indo para casa almoçar e depois, saindo com a alcaide madrasta para ser morto de forma covarde e, como se isso não fosse suficiente, despiram-no, colocaram a criança num saco, enterraram e jogaram soda cáustica sobre o corpo.
Mas que mentes diabólicas! Mas essa gente tem que arder no fogo do inferno!
Muito se comenta sobre a Promotora, a Dra. Dinamárcia de Oliveira, que foi Promotora aqui em Itaqui, e sobre o Juiz de Direito, que não teriam feito o suficiente, assim como a rede de proteção.
Não concordo.
Fizerem, sim.
Adotaram todas as medidas previstas em lei e mais que isso não podiam fazer, afinal, a quem cabia, em primeiro plano, o dever de zelar pela criança? De que forma o Ministério Público e o Juiz de Direito poderiam adivinhar o que vinha sendo urdido há meses pelo casal assassino, com o auxílio da amiga, muy amiga, que matou um inocente por 30 dinheiros?
Fico olhando para as fotos deles e não consigo crer.
Enfim, rezo a Deus, como já postei aqui anteriormente, que o inocente não tenha se dado conta de nada.
De resto, tenho certeza que a Justiça gaúcha vai dar, tem que dar uma reposta à sociedade, uma paulada homérica na trinca maldita que, ao que parece, vai virar quarteto, haja vista a participação do irmão da assistente social no crime.
Julgamento pelo Tribunal do Júri, e que as penas sejam muito pesadas, e serão. Serão.
A mão de Deus vai estar ali, na hora do cálculo da pena, guiando a mão do Juiz.
Justiça ao menino Bernardo!
Ponho-me a pensar como é possível pessoas que estudaram, se formaram, exerciam suas profissões e, aparentemente, mantinham um bom nível de vida, cometerem tamanha atrocidade, até pedi uma explicação, já que Freud explica, ao maridão, que é Psicólogo, e ele ficou mudo, pois a ele também, assim como a todos nós, esse fato causa repulsa e, diria eu, até medo.
Em quem se pode confiar, afinal? se o próprio pai do inocente arquitetou, friamente, a morte do filho, uma criança indefesa? se uma enfermeira e uma assistente social, que estudaram para cuidar de pessoas e zelar pela vida( que não dizer do médico monstro)planejaram, por um longo tempo, acabar com uma vida?
Confesso a vocês, queridos amigos, que esse fato criminoso me abalou, fico, por vezes, imaginando aquele menino lindo saindo da escola, indo para casa almoçar e depois, saindo com a alcaide madrasta para ser morto de forma covarde e, como se isso não fosse suficiente, despiram-no, colocaram a criança num saco, enterraram e jogaram soda cáustica sobre o corpo.
Mas que mentes diabólicas! Mas essa gente tem que arder no fogo do inferno!
Muito se comenta sobre a Promotora, a Dra. Dinamárcia de Oliveira, que foi Promotora aqui em Itaqui, e sobre o Juiz de Direito, que não teriam feito o suficiente, assim como a rede de proteção.
Não concordo.
Fizerem, sim.
Adotaram todas as medidas previstas em lei e mais que isso não podiam fazer, afinal, a quem cabia, em primeiro plano, o dever de zelar pela criança? De que forma o Ministério Público e o Juiz de Direito poderiam adivinhar o que vinha sendo urdido há meses pelo casal assassino, com o auxílio da amiga, muy amiga, que matou um inocente por 30 dinheiros?
Fico olhando para as fotos deles e não consigo crer.
Enfim, rezo a Deus, como já postei aqui anteriormente, que o inocente não tenha se dado conta de nada.
De resto, tenho certeza que a Justiça gaúcha vai dar, tem que dar uma reposta à sociedade, uma paulada homérica na trinca maldita que, ao que parece, vai virar quarteto, haja vista a participação do irmão da assistente social no crime.
Julgamento pelo Tribunal do Júri, e que as penas sejam muito pesadas, e serão. Serão.
A mão de Deus vai estar ali, na hora do cálculo da pena, guiando a mão do Juiz.
Justiça ao menino Bernardo!
quarta-feira, 14 de maio de 2014
Pimenteira Seca
Olho gordo seca até pimenteira, disse-me, certa vez, um amigo, e tinha razão, assisti ao vivo e a cores uma belíssima pimenteira que tinha num pote, em meu jardim, definhar.
A pimenteira era linda e, naquele dia em que recebi a visita indesejável, estava a exibir-se com suas pimentas que iam do amarelo avermelhado ao laranja e terminavam num vermelho glorioso, postas entre as folhas verdes.
Antítese da visita, a pimenteira transbordava alegria e pulsava vida.
Exuberante, seria a palavra correta para defini-la.
E, de tão bela, não passou despercebida, e a pessoa olhava-a, insistentemente.
Pois bem.
Dias depois, não sem antes ter-se espatifado sem explicação lógica um prato lindo que era de minha Avó materna e que eu adorava, a lâmpada de cabeceira de meu abajur ter estourado, e o clima em casa ficar mais pesado que pastel de batata, eis que saio ao pátio e vejo que minha pimenteira estava derrubando suas pimentas.
Algumas jaziam, secas, no fundo do pote, enquanto outras pendiam, murchas, dos galhos ressacados.
As folhas, outrora de um verde brilhante tinham perdido o viço, tornando-se acinzentadas.
Apesar do quadro desolador, mexi na terra, coloquei um pouco de adubo, reguei, mudei o pote de lugar, mas nada, absolutamente nada resolveu, e a pimenteira secou.
Torrou, dilui-se e dela nada mais restou, a não ser uma meia dúzia de galhos que, ao menor contato, quebravam.
Isto é fato verídico, meu amigos, é real.
Foi lá, naquele tempo, que acreditei que a energia das pessoas tem poder. Elas poderão deixar seu rastro para o bem ou para o mal, para a construção ou para a destruição, para a leveza ou para o peso, uma vibração boa ou altamente maléfica, a lista é longa.
Por isso, não custa nada custa carregar algum amuleto, algo que não fará mal a ninguém e que, em tese, talvez nos proteja do famigerado olho gordo, lamentavelmente tão presente em tanta gente.
Não sei se olho gordo e inveja são irmãos gêmeos, parentes próximos ou primos.
De qualquer forma, são sentimentos que considero execráveis, não suporto, simplesmente causam-me horror.
Por isso, ando com meu Terço e dele não me separo jamais, para dormir e quando acordo, a primeira coisa que faço é segurá-lo entre as mãos, vai para a bolsa, sai da bolsa, viaja comigo e andamos juntos por este mundão de Deus.
Meu Terço, meu amparo.
Basta prestar atenção para notar, claramente, a intenção maldosa da pessoa, que se entrega pelo olhar.
Entretanto, a fé nos deixa serenos e nos dá a firmeza necessária para repelir esse tipo de gente.
Vade retro!
A pimenteira era linda e, naquele dia em que recebi a visita indesejável, estava a exibir-se com suas pimentas que iam do amarelo avermelhado ao laranja e terminavam num vermelho glorioso, postas entre as folhas verdes.
Antítese da visita, a pimenteira transbordava alegria e pulsava vida.
Exuberante, seria a palavra correta para defini-la.
E, de tão bela, não passou despercebida, e a pessoa olhava-a, insistentemente.
Pois bem.
Dias depois, não sem antes ter-se espatifado sem explicação lógica um prato lindo que era de minha Avó materna e que eu adorava, a lâmpada de cabeceira de meu abajur ter estourado, e o clima em casa ficar mais pesado que pastel de batata, eis que saio ao pátio e vejo que minha pimenteira estava derrubando suas pimentas.
Algumas jaziam, secas, no fundo do pote, enquanto outras pendiam, murchas, dos galhos ressacados.
As folhas, outrora de um verde brilhante tinham perdido o viço, tornando-se acinzentadas.
Apesar do quadro desolador, mexi na terra, coloquei um pouco de adubo, reguei, mudei o pote de lugar, mas nada, absolutamente nada resolveu, e a pimenteira secou.
Torrou, dilui-se e dela nada mais restou, a não ser uma meia dúzia de galhos que, ao menor contato, quebravam.
Isto é fato verídico, meu amigos, é real.
Foi lá, naquele tempo, que acreditei que a energia das pessoas tem poder. Elas poderão deixar seu rastro para o bem ou para o mal, para a construção ou para a destruição, para a leveza ou para o peso, uma vibração boa ou altamente maléfica, a lista é longa.
Por isso, não custa nada custa carregar algum amuleto, algo que não fará mal a ninguém e que, em tese, talvez nos proteja do famigerado olho gordo, lamentavelmente tão presente em tanta gente.
Não sei se olho gordo e inveja são irmãos gêmeos, parentes próximos ou primos.
De qualquer forma, são sentimentos que considero execráveis, não suporto, simplesmente causam-me horror.
Por isso, ando com meu Terço e dele não me separo jamais, para dormir e quando acordo, a primeira coisa que faço é segurá-lo entre as mãos, vai para a bolsa, sai da bolsa, viaja comigo e andamos juntos por este mundão de Deus.
Meu Terço, meu amparo.
Basta prestar atenção para notar, claramente, a intenção maldosa da pessoa, que se entrega pelo olhar.
Entretanto, a fé nos deixa serenos e nos dá a firmeza necessária para repelir esse tipo de gente.
Vade retro!
segunda-feira, 12 de maio de 2014
Senso do Ridículo
Aí está um temor que me persegue, e não é de hoje: medo de parecer ridícula, sem noção, fora do esquadro, mal posta, llamale H, como diria minha mãe, fato é que deveríamos vir com um sensor instalado no corpo que nos avisasse, ó, pera aí, stop, isso não é para você, ou é, mas você ficou de bobeira e perdeu o trem, a fila andou.
A gente não tem esse aparelhinho, mas conta a ajuda bem vinda dos amigos, da família e dos colegas para que venham nos dizer que daquela forma não está bem, fica feio, será motivo de riso, ou de pena, o que é infinitamente pior.
Quando temos vinte anos, trinta, quarenta, a vida passa e nós andamos por ela flauteado, sem pressa ou qualquer outro compromisso que não o de ser e descobrir as infinitas possibilidades que ela nos dá; podemos - e devemos surfar nas situações mais inusitadas, temos o domínio da cena.
Lá pelas tantas, começamos a questionar, uma espécie de adolescência tardia, mas muito válida.
Tentamos resgatar o que ficou mal resolvido e esclarecer a coisa toda, se ainda for possível.
Sorvemos apenas o néctar, já que o resto perdeu a importância e não vale mais nem um movimento nosso e muito menos lágrimas, dessas queremos distância, a menos que sejam de alegria.
Nesse meio tempo, entra o que eu chamaria de uma questão de equilíbrio entre aquilo que sempre fomos, o que aprendemos a ser e o que realmente queremos, mas nem sempre o que queremos, dá.
Por mais linda que seja, uma mulher de 50 anos com um mini vestido não ficará bem, não adianta, ela poderá ter se transformado numa boneca de silicone, de matéria plástica, repuxou tudinho o que tinha para esticar, ficou com olhos de ET e boca de...deixa pra lá, não importa, o ar a denunciará, seu porte, seu jeito, sempre será o de uma pessoa de 50 anos. Aí, uma roupa curta a deixará com um aspecto esdrúxulo, já que ela não é mais o que pretende parecer.
Esse equilíbrio é deveras difícil e, não raro, escorregamos.
Por tais razões, não consigo entender o que levou uma jornalista tão bacana como a Fátima Bernardes a fazer uma propaganda, em horário nobre, onde aparece abrindo um bocão e devorando uma fatia de presunto, olhando de soslaio para camera.
Terá sido o cachê? Não creio...
Terá sido a vontade de mostrar que é versátil e se enquadra em qualquer papel? Talvez...
Terá sido alguma vaidade que se manteve soterrada durante anos sob o manto da profissional séria e compenetrada, e agora ela cansou, continua uma profissional séria e compenetrada mas só que saber de abobrinhas ou, melhor dizendo, de presunto? Não sei, realmente, não sei...
Tem coisas que não dá, não combina, fica estranho.
Ou você consegue imaginar a Rainha da Inglaterra fazendo propaganda de amaciante?
A gente não tem esse aparelhinho, mas conta a ajuda bem vinda dos amigos, da família e dos colegas para que venham nos dizer que daquela forma não está bem, fica feio, será motivo de riso, ou de pena, o que é infinitamente pior.
Quando temos vinte anos, trinta, quarenta, a vida passa e nós andamos por ela flauteado, sem pressa ou qualquer outro compromisso que não o de ser e descobrir as infinitas possibilidades que ela nos dá; podemos - e devemos surfar nas situações mais inusitadas, temos o domínio da cena.
Lá pelas tantas, começamos a questionar, uma espécie de adolescência tardia, mas muito válida.
Tentamos resgatar o que ficou mal resolvido e esclarecer a coisa toda, se ainda for possível.
Sorvemos apenas o néctar, já que o resto perdeu a importância e não vale mais nem um movimento nosso e muito menos lágrimas, dessas queremos distância, a menos que sejam de alegria.
Nesse meio tempo, entra o que eu chamaria de uma questão de equilíbrio entre aquilo que sempre fomos, o que aprendemos a ser e o que realmente queremos, mas nem sempre o que queremos, dá.
Por mais linda que seja, uma mulher de 50 anos com um mini vestido não ficará bem, não adianta, ela poderá ter se transformado numa boneca de silicone, de matéria plástica, repuxou tudinho o que tinha para esticar, ficou com olhos de ET e boca de...deixa pra lá, não importa, o ar a denunciará, seu porte, seu jeito, sempre será o de uma pessoa de 50 anos. Aí, uma roupa curta a deixará com um aspecto esdrúxulo, já que ela não é mais o que pretende parecer.
Esse equilíbrio é deveras difícil e, não raro, escorregamos.
Por tais razões, não consigo entender o que levou uma jornalista tão bacana como a Fátima Bernardes a fazer uma propaganda, em horário nobre, onde aparece abrindo um bocão e devorando uma fatia de presunto, olhando de soslaio para camera.
Terá sido o cachê? Não creio...
Terá sido a vontade de mostrar que é versátil e se enquadra em qualquer papel? Talvez...
Terá sido alguma vaidade que se manteve soterrada durante anos sob o manto da profissional séria e compenetrada, e agora ela cansou, continua uma profissional séria e compenetrada mas só que saber de abobrinhas ou, melhor dizendo, de presunto? Não sei, realmente, não sei...
Tem coisas que não dá, não combina, fica estranho.
Ou você consegue imaginar a Rainha da Inglaterra fazendo propaganda de amaciante?
Rindo a Toa.
Depois de uma semana de ausência, de volta ao lar, doce lar, o que é muito bom.
Aliás, bom é apelido!
Assim que cheguei, me deparei com uma orquídea linda, muito bem posta na sala, presente do maridão, como se não bastassem os mimos que ganhei dos meus três amores que, pacientemente, me aturaram e me carregaram para todos os lados no Portinho.
Meu gato Bibo se jogou, literalmente, sobre meus pés, gato ladino é ele, viu, ronronando sem parar e de perto de mim não saiu mais, assim como minha gata Chiquinha.
Acho que o povo estava com saudade de mim...
Passei um Dia das Mães feliz, onde a tônica foi a alegria, pelo simples fato de estarmos, mãe e filhas, juntas.
O dia inteirinho só para nós, jogando conversa fora e rindo de uma besteira qualquer.
Eu, que adoro um agrado, voltei com o coração e a alma repletos de coisa boas, sensação de plenitude e bem estar.
Como veem, nem escrever direito estou conseguindo, porque, como todos sabem, a viagem até Itaqui costuma ser um tanto quanto cansativa, digamos assim, nove horas sentadita naquela poltrona que reclina, tá, mas e os pés, os que fazemos com os pés, que ficam balançando? Azar o meu, que tenho as pernas curtas.
Enfim, foi uma longa madrugada, pontuada pelos roncos extraordinariamente altos de um senhor que vinha sentado na poltrona da frente, todos roncavam, bufavam, espirravam e tossiam e eu ali, pensando na vida, não preguei olho a noite toda e até tentei ver um pedaço de céu ou a Lua mas nem isso deu, meu vizinho de banco manteve as cortinas fechadas o tempo todo.
Quando o ônibus parou, desci rápido e quase dei uma de João Paulo II, tive vontade de beijar a terra do Itaqui, tal o alívio que senti de ter saído daquele lugar sufocante.
Entretanto, apesar dos pesares cheguei sã e salva de mais uma odisseia, graças a Deus e, como costumo dizer, agradeço a Vida por me presentear tantos momentos de felicidade com os que amo.
Comecei a semana rindo à toa, e o mesmo desejo a vocês, meus queridos amigos!
Aliás, bom é apelido!
Assim que cheguei, me deparei com uma orquídea linda, muito bem posta na sala, presente do maridão, como se não bastassem os mimos que ganhei dos meus três amores que, pacientemente, me aturaram e me carregaram para todos os lados no Portinho.
Meu gato Bibo se jogou, literalmente, sobre meus pés, gato ladino é ele, viu, ronronando sem parar e de perto de mim não saiu mais, assim como minha gata Chiquinha.
Acho que o povo estava com saudade de mim...
Passei um Dia das Mães feliz, onde a tônica foi a alegria, pelo simples fato de estarmos, mãe e filhas, juntas.
O dia inteirinho só para nós, jogando conversa fora e rindo de uma besteira qualquer.
Eu, que adoro um agrado, voltei com o coração e a alma repletos de coisa boas, sensação de plenitude e bem estar.
Como veem, nem escrever direito estou conseguindo, porque, como todos sabem, a viagem até Itaqui costuma ser um tanto quanto cansativa, digamos assim, nove horas sentadita naquela poltrona que reclina, tá, mas e os pés, os que fazemos com os pés, que ficam balançando? Azar o meu, que tenho as pernas curtas.
Enfim, foi uma longa madrugada, pontuada pelos roncos extraordinariamente altos de um senhor que vinha sentado na poltrona da frente, todos roncavam, bufavam, espirravam e tossiam e eu ali, pensando na vida, não preguei olho a noite toda e até tentei ver um pedaço de céu ou a Lua mas nem isso deu, meu vizinho de banco manteve as cortinas fechadas o tempo todo.
Quando o ônibus parou, desci rápido e quase dei uma de João Paulo II, tive vontade de beijar a terra do Itaqui, tal o alívio que senti de ter saído daquele lugar sufocante.
Entretanto, apesar dos pesares cheguei sã e salva de mais uma odisseia, graças a Deus e, como costumo dizer, agradeço a Vida por me presentear tantos momentos de felicidade com os que amo.
Comecei a semana rindo à toa, e o mesmo desejo a vocês, meus queridos amigos!
terça-feira, 6 de maio de 2014
Gracias a La Vida
Costuma ser assim a cada viagem para o Portinho: alegria tremenda invadindo meu coração, primeiro porque vou estar juntinho e colada com meus três amores, fazendo as comidinhas que elas mais gostam, faço até bolo, sou prendada...coisa nenhuma, me defendo e era isso, minha praia é outra.
Segundo, já fiz a listinha básica de livros que pretendo comprar e, por supuesto, o da Isabel Allende é meu objeto do desejo, seguido de alguns outros e, se for possível e couber dentro de minhas parcas economias, sempre vai aparecer aquele que está no topo, ou o que não tem em lugar algum mas eu olho e me parece bom, então, fim de linha, compro e deu.
Terceiro, sei os filmes que irei assistir e os horários, salas, etc, fanática que sou por um cineminha. Adoro, não abro mão de jeito nenhum de ir ao cinema, um programa que faço desde que me conheço por gente, e curto muito, aproveito cada minuto: antes, comprando uma pipoca meio a meio, um refri, afinal de contas, eu tô no Portinho na fila para assistir aquele filmaço - nem me passa pela cabeça pensar em triglicerídios ou colesterol, glicose...o quê? Ahhh, para com isso, come a pipoca com guaraná( Antárctica) e guarda um espacinho para as balas de goma; o durante dispensa comentários, obviamente; depois, saio do filme viajando na maionese e pensando em como é tremendamente bom poder estar ali, fazendo o que gosto.
Dou graças a Deus todos os dias e nas horas do meu dia em que lembro Dele, e elas são muitas.
Agradeço a minha Mãe Nossa Senhora, sempre a proteger os meus amores com seu manto, e não me custa pedir que Ela dê só uma espiadinha com seus olhos magníficos para minha humilde pessoa e me cuide e conserve gorda e sã de lombo.
Sem falar nos Santos que incomodo noite e dia com agradecimentos e pedidos.
Isso tudo é para dizer, queridos amigos, que agradeço a Vida as dádivas que ela tem me concedido, e não são poucas, razão pela qual esforço-me ao máximo e tento não abrir a boca para reclamar, apenas para agradecer.
Logicamente que Eles me conhecem com manha e tudo, por isso, sei que me perdoam quando queixo-me de barriga cheia.
E agora, com licença que preciso cerrar mi balijita, passar a mão no travesseiro e seguir, gloriosa, rumo ao Planaltão e às 9 horas de viagem que me separam da Capital, e não tô nem aí para o tempão que vai levar, para os pés inchados e para os roncadores de plantão, não mesmo.
Gracias a la Vida, que me ha dado tanto!
segunda-feira, 5 de maio de 2014
O Príncipe Que Virou Sapo
A Marcinha e o Dudu conheceram-se no reveillon e, quando bateram um no olho do outro foi como o espoucar de fogos em Copacabana, uma extraordinária sensação de felicidade, uma certeza absoluta de que ambos eram almas gêmeas e de que nada e nem ninguém seria capaz de separá-los.
Foi uma paixão vulcânica, um amor intenso, vivido e celebrado todos os dias, uma química fantástica.
Poderosos, a Marcinha e o Dudu eram jovens, solteiros e muito bem posicionados em suas profissões.
Tudo corria bem, até que um dia Flávia, a melhor amiga da Marcinha alertou, " amiga, esse cara é um tremendo galinha, é useiro e vezeiro em decorar a cabeça da mulherada, esse cara não presta...", e nem terminou a frase, porque a Marcinha, enfurecida, acabou com o assunto e com a amizade de uma década, afinal, o Dudu era o seu mundo e aquilo era inveja, pura inveja de gente que não tinha mais o que fazer a não ser botar areia na sua felicidade.
E assim, a Marcinha foi se distanciando dos seus amigos, das tardes de chimarrão e conversa jogada fora com a Flávia, trocou o reggae pelas músicas que o Dudu apreciava, conheceu pessoas que faziam parte do círculo social dele e fechou-se num casulo onde só havia espaço para o ser amado e ninguém mais.
Os amigos dela estavam preocupados, mas a Marcinha mantinha-se irredutível e, naquelas alturas, nem sabia ao certo por que mundos andava, mandara tudo pelos ares em nome do grande amor, inclusive sua personalidade e forma de ver a vida.
Um ano depois, casaram-se.
A lua de mel foi nas Ilhas Maldivas, um lugar paradisíaco que, no terceiro dia de viagem, virou maldito para a Marcinha quando ela recebeu o primeiro tabefe do Dudu, que voltara da praia completamente embriagado.
Dali para a frente, o príncipe encantado da Marcinha transformou-se em sapo, e a queda foi abissal, Dudu mostrou a verdadeira face, que escondera durante o namoro e agora revelava, de forma plena: um mulherengo de carteirinha que abusava da bebida e, não raro, tornava-se irônico e violento.
Dois anos se passaram e, nesse período, a Marcinha descobriu que era apenas mais uma entre meia dúzia de mulheres com as quais o Dudu se relacionava; uma das tantas, para ele não fazia diferença.
Certo dia, passeando sozinha, enxergou seu reflexo no vidro de uma loja: tinha 30 anos e estava com um aspecto de 70! Finas rugas haviam se instalado no canto dos olhos e ao redor dos lábios, os olhos tinham perdido o brilho, o cabelo estava sem viço, opaco, ela tinha um ar de desamparo e os ombros, encurvados, eram a prova cabal do desastre que era sua vida.
A Marcinha levou um choque de realidade tão grande que quase caiu.
Quase.
Juntando a ínfima parcela de amor próprio que ainda lhe restava, encostou-se junto a um muro e chorou todas as lágrimas que tinha para chorar, perdeu o sentido das horas. Em compensação, ali mesmo selou o fim do tempo, relativamente curto, que vivera com o Dudu, foi para casa, juntou seus trapos e pratos e foi-se embora para nunca mais voltar.
Sumiu, evaporou-se, saiu em busca de si mesma, de quem havia se distanciado tanto e baniu de sua vida, em definitivo, aquele sapo cururu travestido de príncipe!
Foi uma paixão vulcânica, um amor intenso, vivido e celebrado todos os dias, uma química fantástica.
Poderosos, a Marcinha e o Dudu eram jovens, solteiros e muito bem posicionados em suas profissões.
Tudo corria bem, até que um dia Flávia, a melhor amiga da Marcinha alertou, " amiga, esse cara é um tremendo galinha, é useiro e vezeiro em decorar a cabeça da mulherada, esse cara não presta...", e nem terminou a frase, porque a Marcinha, enfurecida, acabou com o assunto e com a amizade de uma década, afinal, o Dudu era o seu mundo e aquilo era inveja, pura inveja de gente que não tinha mais o que fazer a não ser botar areia na sua felicidade.
E assim, a Marcinha foi se distanciando dos seus amigos, das tardes de chimarrão e conversa jogada fora com a Flávia, trocou o reggae pelas músicas que o Dudu apreciava, conheceu pessoas que faziam parte do círculo social dele e fechou-se num casulo onde só havia espaço para o ser amado e ninguém mais.
Os amigos dela estavam preocupados, mas a Marcinha mantinha-se irredutível e, naquelas alturas, nem sabia ao certo por que mundos andava, mandara tudo pelos ares em nome do grande amor, inclusive sua personalidade e forma de ver a vida.
Um ano depois, casaram-se.
A lua de mel foi nas Ilhas Maldivas, um lugar paradisíaco que, no terceiro dia de viagem, virou maldito para a Marcinha quando ela recebeu o primeiro tabefe do Dudu, que voltara da praia completamente embriagado.
Dali para a frente, o príncipe encantado da Marcinha transformou-se em sapo, e a queda foi abissal, Dudu mostrou a verdadeira face, que escondera durante o namoro e agora revelava, de forma plena: um mulherengo de carteirinha que abusava da bebida e, não raro, tornava-se irônico e violento.
Dois anos se passaram e, nesse período, a Marcinha descobriu que era apenas mais uma entre meia dúzia de mulheres com as quais o Dudu se relacionava; uma das tantas, para ele não fazia diferença.
Certo dia, passeando sozinha, enxergou seu reflexo no vidro de uma loja: tinha 30 anos e estava com um aspecto de 70! Finas rugas haviam se instalado no canto dos olhos e ao redor dos lábios, os olhos tinham perdido o brilho, o cabelo estava sem viço, opaco, ela tinha um ar de desamparo e os ombros, encurvados, eram a prova cabal do desastre que era sua vida.
A Marcinha levou um choque de realidade tão grande que quase caiu.
Quase.
Juntando a ínfima parcela de amor próprio que ainda lhe restava, encostou-se junto a um muro e chorou todas as lágrimas que tinha para chorar, perdeu o sentido das horas. Em compensação, ali mesmo selou o fim do tempo, relativamente curto, que vivera com o Dudu, foi para casa, juntou seus trapos e pratos e foi-se embora para nunca mais voltar.
Sumiu, evaporou-se, saiu em busca de si mesma, de quem havia se distanciado tanto e baniu de sua vida, em definitivo, aquele sapo cururu travestido de príncipe!
domingo, 4 de maio de 2014
Me Fui de Compras!
Ayer me fui de compras, acordei com 'animus comprandi', um verdadeiro perigo, acho até que dormi pensando nisso e não deu outra, antes das 14:30 já andava pela rua, ávida por novidades.
Fazia muito tempo que eu não tinha um ataque consumista, é, ontem eu estava assim, totalmente ensandecida, não se é culpa dos hormônios ou da falta deles, fato é que saí decidida a fazer algo que há muito não fazia, não daquele jeito: compras exclusivamente para mim.
Egoisticamente para a minha pessoa.
Mas credo, completamente possuída!
Saí do jeito que gosto: sozinha, porque não suporto comprar com assistentes do meu lado dando dicas e palpites, nem pensar, aí me enrolo e termina que não compro nada.
O dia estava propício, se é que existe dia adequado para um acesso desse quilate, sei que tomei meu rumo, sabedora do queria e de onde poderia encontrar.
Engraçado que parece ter havido algum tipo de combinação entre as roupas da vitrine e eu, porque ali estavam, expostos, todos os objetos do meu desejo.
Sem delongas, entrei na loja e, para meu deleite, não havia quase ninguém ali, assim que me esbaldei olhando incontáveis blusas e saias e vestidos e calças...ops...calças?
Sim, enquanto estacionava o carro, uma calça jeans acenava alegremente para mim.
Calça jeans.
Olhem bem, meu amigos, há muito tempo, muiiiiito, deixei de usar calça jeans, primeiro por motivos óbvios, o espelho, é, o m a l d i t o espelho, sempre ele! mas, acima de tudo, havia uma tristeza dentro de mim, e tristeza com jeans e camisa branca, definitivamente, são peças que não combinam.
Fato é que, de uns tempos para cá, por essas obras de magia que circulam por aí, minha tristeza se hizo humo, graças a Deus e, dia desses, me peguei pensando, e porque não uma calça jeans?
Voltemos à loja.
Depois de provar blusas e outras peças de roupa, pedi: aquela calça jeans da vitrine, por favor e, imediatamente, pensei, claro que a droga da calça não vai me servir, mas, em frente, marche!
Para minha surpresa, a calça serviu...bem, definir o que senti com esse simples verbinho " serviu" é pouco, é nada.
A calça ficou linda e fiquei me olhando no espelho e, ao mesmo tempo, rindo dele, um riso descarado e provocativo - e ele rendeu-se a mim, ao menos desta vez!
Sorrindo para mim mesma, não acreditei que aquela calça jeans estivesse ali, na medida exata, feita para o meu corpicho.
Que sensação!
Aquilo surtiu em mim um efeito alucinógeno porque, saindo do provador, foi terra arrasada: passei a mão em mais duas blusas, outra calça, um cinto e uma bolsa divina, além de um top para ginástica.
Vou ficar pagando até a Primavera.
Não faz mal, não tem importância alguma!
Depois da calça jeans redentora, saí do outono e passei direto para a primavera, tô quase no verão, enxergando cores e flores por todos os lugares!
quinta-feira, 1 de maio de 2014
Ellos Quieren
Sou fã de carteirinha do ator e diretor Ricardo Darín. Como se não bastasse ser un muchacho argentino, o que, por si só, já é garantia de sucesso, o cara é lindo e escandalosamente charmoso, com um olhar de tirar o fôlego, mesmo com aquele nariz um pouco torto, não importa, até porque el hombre es como el oso, cuánto mas feo, mas hermoso!
É, Ricardito é tudo de bom, tanto quanto os filmes que já fez, O Segredo dos Seus Olhos, Un Cuento Chino, Tesis Sobre Un Homicidio, e por aí vai.
O homem argentino, perdoem-me os brasileiros...
Namorei dois argentinos, por supuesto, e nem teria como ser diferente, minha Mãe Maravilha era argentina e tinha do outro lado do Rio Uruguai - cidade de Alvear, muitas amigas que, por sua vez, tinham filhos, por sinal muy lindos.
Fato é que eles tem, indiscutivelmente, um charme a mais, não sei se é o cabelo com aquela melena que costumam jogar para o lado, se é o jeito de falar, os hermanos são galanteadores e educados, dançam bem, sabem como tratar uma mulher.
Namorei um argentino quando tinha dezesseis aninhos - outro amor bom e alegre, meu argentino bailava un chamamé como ninguém, amanhecíamos nos bailes do Club Social de Alvear, o mesmo clube onde, em 1943, meus pais se conheceram e se apaixonaram. Namoramos ano e meio e nunca brigamos, o motivo do fim do namoro foi que eu espichei o olho para...outro argentino.
Ele era da Marinha, tinha 24 anos e era um moreno de parar o trânsito! Passei um dos melhores verões de minha vida e, como sempre digo, meus queridos amigos, quando estamos felizes, tudo fica lindo, até o Alvear, com suas ruas de terra, a ausência de lugares para diversão, nada disso importava. Estávamos no período de férias, eu, da faculdade, ele, do trabalho. Pegávamos uma chalana e saímos, cedo da manhã, singrando as águas do Rio Uruguai e parávamos numa ilha de pedregulhos e água cristalina, com um cesto de sanduíches, uma térmica com suco de pomelo e nada mais.
E precisava algo mais?
Apenas o céu, o sol, as águas do rio e o vento balançando as folhas das árvores eram nossos companheiros.
À noite, sentávamos na calçada da casa de minha tia Maria Luisa com a mosquitama zunindo a nossa volta, mas nós não prestávamos atenção a isso, somente víamos o brilho das estrelas e a faceirice da Lua.
Amores lindos, amores bons, amores que recordo com alegria porque somente me trouxeram felicidade.
Minha Mãe, claro, ficava meio de cara comigo, achava que a fila estava andando rápido demais. O que dizer, então, do meu Pai, o Dr. Edgard? Ele tinha um chilique por semana e, entre um sermão e outro, perguntava-me: Lia Helena, já mudou de namorado? De novo?
Pois é.
Parafraseando meu saudoso tio Antônio, irmão de minha mãe que, segundo reza a lenda, teve três noivas ao mesmo tempo, eu respondia, solertemente:
Y que puedo hacer, papá? Ellos quieren...
É, Ricardito é tudo de bom, tanto quanto os filmes que já fez, O Segredo dos Seus Olhos, Un Cuento Chino, Tesis Sobre Un Homicidio, e por aí vai.
O homem argentino, perdoem-me os brasileiros...
Namorei dois argentinos, por supuesto, e nem teria como ser diferente, minha Mãe Maravilha era argentina e tinha do outro lado do Rio Uruguai - cidade de Alvear, muitas amigas que, por sua vez, tinham filhos, por sinal muy lindos.
Fato é que eles tem, indiscutivelmente, um charme a mais, não sei se é o cabelo com aquela melena que costumam jogar para o lado, se é o jeito de falar, os hermanos são galanteadores e educados, dançam bem, sabem como tratar uma mulher.
Namorei um argentino quando tinha dezesseis aninhos - outro amor bom e alegre, meu argentino bailava un chamamé como ninguém, amanhecíamos nos bailes do Club Social de Alvear, o mesmo clube onde, em 1943, meus pais se conheceram e se apaixonaram. Namoramos ano e meio e nunca brigamos, o motivo do fim do namoro foi que eu espichei o olho para...outro argentino.
Ele era da Marinha, tinha 24 anos e era um moreno de parar o trânsito! Passei um dos melhores verões de minha vida e, como sempre digo, meus queridos amigos, quando estamos felizes, tudo fica lindo, até o Alvear, com suas ruas de terra, a ausência de lugares para diversão, nada disso importava. Estávamos no período de férias, eu, da faculdade, ele, do trabalho. Pegávamos uma chalana e saímos, cedo da manhã, singrando as águas do Rio Uruguai e parávamos numa ilha de pedregulhos e água cristalina, com um cesto de sanduíches, uma térmica com suco de pomelo e nada mais.
E precisava algo mais?
Apenas o céu, o sol, as águas do rio e o vento balançando as folhas das árvores eram nossos companheiros.
À noite, sentávamos na calçada da casa de minha tia Maria Luisa com a mosquitama zunindo a nossa volta, mas nós não prestávamos atenção a isso, somente víamos o brilho das estrelas e a faceirice da Lua.
Amores lindos, amores bons, amores que recordo com alegria porque somente me trouxeram felicidade.
Minha Mãe, claro, ficava meio de cara comigo, achava que a fila estava andando rápido demais. O que dizer, então, do meu Pai, o Dr. Edgard? Ele tinha um chilique por semana e, entre um sermão e outro, perguntava-me: Lia Helena, já mudou de namorado? De novo?
Pois é.
Parafraseando meu saudoso tio Antônio, irmão de minha mãe que, segundo reza a lenda, teve três noivas ao mesmo tempo, eu respondia, solertemente:
Y que puedo hacer, papá? Ellos quieren...
Una Piccola Confusione
Foi uma das raras ocasiões em que os Fernández e os Mondadori juntaram-se para ir ao um badalado casamento na cidade de Concórdia, Província de Entre Rios, na Argentina, onde morava minha tia Albita, irmã de minha mãe.
Dois dias antes para lá acorremos, " en caravana", como dizia um outro parente, a fim de participarmos do casório ilustre.
Veio toda a parentela de Buenos Aires, gente de Posadas, outros de Apostoles, além do sem fim de amigos e conhecidos argentinos convidados para o verdadeiro acontecimento que estava por vir.
Minha mãe, feliz que nem pinto no lixo, não fechava a boca e ria alto, tal a suprema alegria que aqueles encontros lhe proporcionavam.
Uma parte do grupo ficou hospedada na casa da tia Albita, o restante do povo foi para o hotel, incluídos aí meus tios paternos, Carlos Alberto e Maria Alba.
No dia da festa, a agitação na casa da tia Albita era geral porque, muito embora ela morasse numa casa enorme, a mesma não tinha sido feita para abrigar as vinte pessoas que se aglomeraram ali, só que ninguém se importava com isso, o que valia era a gritaria e as conversas que ecoavam por todos os cômodos.
Minha tia Dora, mulher de um irmão de minha mãe, era, sem sombra de dúvidas, a mais divertida. Ela era alta e bem magrinha, dona de uma voz sensacional e, nos encontros familiares, costumava cantar a plenos plumões, para felicidade geral.
Da igreja onde transcorreu a belíssima cerimônia do casamento rumamos para a festança de arromba, patrocinada pelos pais da noiva e um show à parte em matéria de decoração, iguarias finas, bebidas, músicas escolhidas a dedo: uma festa impecável.
Imaginem uma mesa onde italianos e argentinos estejam juntos. Uns 15, aproximadamente, fora os que estavam nas mesas vizinhas.
Um escândalo, se é que me entendem.
A festa corria solta e a champanhota mais ainda, o som da música aumentou e a maioria já começava num embalo tremendo quando, de repente, minha tia Dora ficou muito séria e, com um grito, exclamou:
Alllbaaaaaa!
Alllbaaaaaa!
Minha tia Albita, chique como sempre, apavorada, respondeu:
Pero que te pasa, Dora, que tenés?
" Hace un tiempo que te estoy mirando e ahora veo, te pusiste el vestido al revés."
Minha tia Albita ficou vermelha como um camarão e prontamente olhou para baixo, para a barra de seu vestido ali, bem à mostra, assim como todas as costuras laterias.
" No es posible" .... e desatou a rir, incontrolavelmente, assim como todos nós. Todos ríamos desatinadamente, muito pela bebida e pouco pela questão do vestido do avesso, fato é que estávamos todos naquilo, e a tia Dora sacudia-se a gargalhar quando pláááá: sua dentadura saltou longe, indo parar na pista de dança.
Meu tio Carlos Alberto, um gentleman, levantou-se rapidamente e foi buscar a dentadura da tia Dora, que não sabia onde se esconder de vergonha e outra saída não teve a não ser pedir que a levassem dali o mais depressa possível, no que foi seguida pela tia Albita.
Saíram as duas da festa, sob o protesto de alguns e as risadas da maioria, somente o tio Carlos Alberto permaneceu sério, pedindo a todos: parem, por favor, foi somente una piccola confusione! mas ninguém lhe deu ouvidos pois não controlávamos mais nada e a comédia bufa, protagonizada pelas duas respeitáveis tias Fernández, entrou para os anais das histórias familiares.
A cada festa, não faltava quem lembrasse à tia Albita, olha bem o vestido, vê se não está do avesso...ou à tia Dora, não ri muito, cuidado para não perder a dentadura!
Minhas tias lindas, que momentos fantásticos passei com vocês.
Ainda bem que o amor não termina!
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