domingo, 29 de junho de 2014

Holandeses e Alemães

Terminou, há pouco, o jogo entre México e Holanda.
 Para felicidade geral da nação o México meteu 1x0 na Holanda, tudo parecia estar indo muito bem, mas eu comentei com o Alberto, daqui a pouco a Holanda faz 1 gol, e aí, adeus, México.
Eles são aquele tipo de povo que não desiste nunca, e não tem absolutamente nada a ver conosco, brasileiros e latinos.
Não se entregam fácil, não.
Basta rever um pouco da história da Holanda e da Alemanha para ver.
Por isso, embora infeliz, porque não esqueço que, graças a Holanda ficamos de fora da Copa de 2010, com o mesmíssimo Sneijder que fez o gol no México hoje, temos que reconhecer a técnica mas, acima de tudo, a garra.
Eles tem garra de sobra, não brincam em serviço.
Da mesma forma, os alemães.
Lutam até o último pingo de suor, estão morrendo mas continuam correndo e driblando.
Esse é o diferencial.
Nós, latino americanos, somos emoção e, depois, técnica.
Eles são exatamente o oposto: primeiro, ganham o jogo, e o jogo só acaba quando o árbitro apita, antes não. Enquanto isso, eles vão correndo e usando todas as armas e táticas para liquidar com o adversário, mesmo que, aparentemente, estejam sob condições desfavoráveis, como agora, com um calorão de 35 graus, torcida contra e o sol escaldante sobre suas cabeças.
Nada disso é capaz de abalar o ânimo selvagem dessa gente, ao contrário.
Quem assistiu ao jogo viu que, após o gol do México, eles partiram pra cima com uma gana tremenda, e conseguiram.
Eles são bons, é verdade, assim como os alemães.
Mas, acima de tudo, têm de sobra o que falta aos latino americanos: o desejo de vencer.A gente quer ganhar, sim, mas eles lutam mais.
Muito mais!
Eles querem vencer, eles vão lá e fazem o que tem que ser feito, são frios, são calculistas, pensam na festa depois.
Nós, ao contrário, ao primeiro sinal de vitória,  relaxamos.
Muito antes de a partida terminar, já estamos soltando foguetes.
Na verdade, nossos fogos de artifício servem apenas para sinalizar onde nossa defesa é mais fraca, e eles vem e atacam, sem dó nem piedade.
Enchem a cara depois, quando voltam para  o Primeiro Mundo.
Quando será que iremos aprender?

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Meu Pequeno Milagre - II

Foi no mês de outubro de 1985 que, por um erro médico, quase fui parar no andar de cima com apenas 24 aninhos, deram-me uma medicação errada e, em razão disso, passei mal.
Muito mal.
Fazia uma meia hora que tinha tomado o tal remédio e senti que meus músculos ficaram retesados e sem movimento; estava em pé, queria sentar; sentava, queria levantar. Não conseguia quase falar, minha boca enrijeceu e assim fiquei por um bom par de horas até que fui a outro médico e este deu-me o remédio que seria o antídoto.
Seria.
Ao invés de tirar o efeito do medicamento anterior, potencializou-o.
Passei uma noite dos infernos, queria falar e minha voz não saía, tentava caminhar e não sentia as pernas, até que, lá pelas tantas, consegui me arrastar até a sala onde estavam meus pais e não falava, apenas pedia socorro com o olhar.
Lembro tão bem do desespero de meu Pai que, de imediato, ligou para Porto Alegre, para meu irmão mais velho, que morava lá, e este lembrou de um terceiro médico, enfim,  meu Pai falava e gritava e gesticulava, freneticamente, e eu ali, prostrada.
Meu irmão Edgard ligou para o médico e, de lá do Portinho, veio a receita que me salvou, meu Pai saiu em desabalada carreira rumo à farmácia e voltou e tomei o remédio que, quase de imediato, começou a fazer efeito, tirando-me daquele mundo nebuloso onde eu estava.
Entretanto, a coisa não seria tão fácil assim.
Levaria 25 dias até que o efeito do medicamento anterior saísse do meu organismo.
Emagreci 9 quilos em 28 dias.
Uma enfermeira me dava banho e levava a comida a minha boca, somente líquidos, pois eu não conseguia mastigar e nem engolir.
Caminhava arrastando os pés e apoiada em alguém, não tinha equilíbrio.
Certo tempo depois, minha tia Maria Luisa, minha adorada tia Mary, veio do Alvear e me trouxe uma estampinha com a novena de Nossa Senhora de Itati.
Conversamos muito, minha tia e eu, e ela me contou toda a história da Virgem, e do quanto era devota e dos tantos milagres alcançados.
Comecei a novena.
No nono dia, acordei bem.
Muito mais disposta, consegui caminhar sem o apoio da enfermeira.
Pedi para tomar um banho sozinha, ela foi comigo, preocupada, mas tomei meu banho tranquilamente, devagar, é verdade, mas consegui fazer todos os movimentos.
Consegui comer um purê de batatas com caldo de feijão, comi avidamente, pois fazia 25 dias que só tomava líquidos.
Era um dia lindo de sol, e eu quis sair para o pátio da nossa casa, depois para a rua.
Caminhei, depois de 25 dias acamada, sentindo o sol que banhava meu rosto, olhando o céu azulzinho do Itaqui, a grama verde sob os pés, as flores nos canteiros de minha Mãe...
Observava tudo que me cercava com um encantamento que não conseguiria explicar.
Tua recuperação foi um milagre, foi o que me disse o médico de Porto Alegre, 30 dias após o fato.
Outro milagre em minha vida!
Virgen de Itati, Madre de Diós, ruega por nosotros.
Muchas gracias, Madrecita!



Aquilo que Queremos

Muitas vezes fico me questionando se, com 53 anos, não deveria ser mais calma e tranquila.
Talvez ficar um pouco mais séria, rir menos, falar sobre assuntos de alta indagação, filosofar, usar óculos de armação preta e franzir o cenho.
Serena.
Ponderada.
Bem que tento.
Será?
Não!
Só de pensar em serenidade, sinto uma irritação profunda.
Quando dou por mim, já estou com alguma novidade em vista ou um outro projeto em andamento, isso é o que dá sentido a minha vida, o impulso de seguir, de caminhar, se desbravar novos caminhos e conhecer lugares e suas gentes, quem sabe voltar ao lugar que visitei diversas vezes, mas com um olhar diferente.
Essa inquietação geminiana é altamente complicada, inclusive para mim, queridos amigos, não pensem vocês que é fácil conviver com um caldeirão interior, quase sempre em ponto de ebulição.
Por isso digo, quem sabe eu tento mudar e me transformar em alguém mais dócil e conformada com as circunstâncias e com os rumos que minha vida tomou, só que a inconformidade também faz parte do meu eu, é da minha essência.
E isso é o que não me deixa, por exemplo, sentar numa poltrona e ficar olhando o dia que vai passando, as horas escoando, lentamente, enquanto o vento, lá fora, balança os galhos das árvores.
Nesses momentos, penso naquela frase do Chico Xavier que diz o seguinte:
Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim.
Que frase sensacional!
Ou seja, o passado não tem remédio, está aí, faz parte do seu show e dele não tem como escapar.
Mas olhar para a frente, recomeçar e mudar tudo, isso podemos.
E, dependendo do caso, devemos.
Olhar bem para dentro de nós mesmos e buscar as respostas sobre aquilo que queremos e almejamos, arregaçar as mangas e sair à campo.
Ficar de braços cruzados olhando a caravana passar é que não dá.

Excelente final de semana a todos!

Cineminha Básico

Sempre gostei de ir ao cinema e a primeira vez que assisti a um filme na telona foi em companhia de minha Mãe Maravilha, que sabia das coisas, vi A Noviça Rebelde, tinha 7 anos e nem conseguia ler direito as legendas, que ela repetia em voz baixa para mim.
Um sucesso!
A partir daquele debut, nunca mais deixei de ir ao cinema e faço-o com um prazer enorme.
Programa que sempre fez parte de minha vida, até quando era estudante e pobre de marré marré não deixava de curtir um  cineminha básico em Porto Alegre, tinha o Vitória, na Borges esquina com a Rua da Praia, o Baltimore e o Bristol,  na Osvaldo Aranha, o Coral, na 24 de Outubro, a Sala Vogue, na Independência, o Avenida, na João Pessoa esquina Venâncio Aires, e ainda outros, de cujos nomes não me recordo agora.
Já andei visitando salas de cinema em Buenos Aires, Piriápolis, Rio de Janeiro e até em Paris um dia fui, vejam só.
Que mulher pedante, dirão.
Nada disso: apenas entendo que ir ao cinema é uma forma de alimentar a fome de cultura e conhecimento que a gente tem, além, é claro, do programa que, por si só, é muito bom.
Tudo no cinema é mega, a começar pelo som, inclusive as propagandas,  que também passam na TV adquirem, no cinema, uma dimensão totalmente diferente, é maior, é mais bonito, es divino.
Feliz, aí está o adjetivo que estava faltando para definir o que sinto quando vou ao cinema e  vejo um filme bem feito, com uma história que vale a pena conferir, fotografia boa, música linda.
É um espetáculo e nada tem a ver com  filme que a gente assiste em vídeo, dentro de casa, nada mesmo!
Aliás, quem sabe, talvez, num dia de chuva com temperatura abaixo de zero eu me empolgue e queira ver, por exemplo, 12 anos de Escravidão em casa, no sofá, com meu grande pantufão.
Nem pensar, é a treva!
Gosto muito da minha casinha, meu lar doce lar, mas também adoro uma rua, olhar o movimento das pessoas e sair, mudar, alterar a rotina.
Um bom filme perde muito quando visto assim, mesmo que a TV seja enorme não adianta nada, por que o bom do cinema, além  da tela e do som, obviamente, é o entorno: o café, a pipoca, o pãozinho de queijo quentinho, o refri.
Um prazer e tanto, é ir ao cinema.
Por essas e outras, hoje pela manhã, quando escutei uma colega dizendo que nunca tinha ido ao cinema, não conhecia e, portanto, não poderia opinar sobre as diferenças de imagem e som entre um filme e outro, emudeci.
Muda, fiquei muda.
É...
The end.







quinta-feira, 26 de junho de 2014

A Onda Cinza

Venho observando, e faz tempo, que muitas casas estão pintadas de cinza e suas variações: cinza claro, mais escuro, chumbo, meio lilás, mas, de qualquer forma, cinza.
Confesso que não entendo essa moda de pintar casas e pontos comerciais com uma cor que, a mim, lembra tristeza e baixo astral, por mais que digam que é chique.
Aliás, não é moda, é tendência, essa é a palavra correta para definir a questão.
Tendência.
Tá bem.
Não me importa a expressão e sim, a cor.
De igual modo, uma propaganda de determinado partido político aparece mostrando seus candidatos de lado, falando para um interlocutor que a gente não enxerga, eles não olham de frente para a câmera.
E o fundo é cinza.
Desnecessário dizer que não voto em candidato que, primeiro, não olha de frente e, segundo, tem às costas um painel cinzento.
Não me passa uma boa impressão, menos ainda uma mensagem clara.
Soa como algo soturno e, de coisas lúgubres, disparo.
Não entendo o que leva os profissionais a fazer esse tipo de coisa.
Vai ver, estou completamente fora dos padrões, considerando que pintei minha casa de uma cor entre o laranja e o salmão,  para escândalo dos arquitetos cinzentos, e minha calçada é bege: outro escândalo.
Bonito, mesmo, fino, é que tudo seja cinza, inclusive a calçada.
O carro.
O muro.
A vida.
Não!
Se porventura tivesse que morar numa casa cinza, teria uma síncope!
As cores, para mim, transmitem energia.
Por isso, depois de cinco dias com este céu cinzento e emburrado e a neblina fininha caindo sem parar, ando pensando seriamente em me mudar para o Nordeste.
Abaixo a tendência cinza, que a vida pede mais cor!




Santo Remédio

Mariana estava saturada da vidinha idiota que vinha levando.
Chegara aos quarenta e a crise existencial abatera-se sobre ela com uma força tremenda, nada do que havia conquistado parecia suficiente, achava tudo errado e não se conformava com o tempo que, a seu ver, desperdiçara.
Saíra de um casamento completamente arranhada e emocionalmente exausta, os cabelos tinham branqueado e duas finas rugas, aliás, nem tão finas assim, toldavam-lhe o semblante.
Antes risonha e faceira, Mariana andava séria e engordara muito, vivia devorando pasteizinhos e bombons sem qualquer critério, a fim de suprir a falta, de preencher o vazio.
Se antes sua vida era chata, agora era um deserto, uma seca sem fim, não aparecia ninguém para alegrar seu dia e muito menos seu corpo solitário, sedento por um abraço y algo más, que ninguém é de ferro e ela já estava naquela há vários meses.
Começou a prestar atenção ao seu redor, primeiro nos colegas de trabalho, depois nos amigos, mas não pintava nada, nem pra remédio. Muitas vezes ela sentia-se como se fosse um ser assexuado, não sabia muito bem como dar início aos trabalhos e aos jogos amorosos, e ficava naquilo.
Batia longos papos com sua amiga Rose, que, por seu turno, dava-lhe força e apoio na medida do possível.
Até que um dia decidiu mudar.
E mudou, pois deu-se conta que a revolução tinha que começar de dentro para fora.
Decidida, jogou no lixo a caixa inteirinha de bombons finos que tinha comprado recentemente, aboliu os pasteizinhos do café que frequentava diariamente e começou uma dieta radical.
Sim, radicalizar era preciso.
Procurou uma academia de ginástica e partiu para as aulas de aeróbica de segunda a sexta, nos primeiros dias nem teve coragem de mirar-se no espelho, voltava para casa destruída, mas estava começando a sentir-se bem melhor.
Esvaziou o armário e fez uma doação geral, foi numa loja e comprou muitas coisas novas, diferentes.
A Mariana estava ensandecida.
Possuída.
Ainda não...
Como uma coisa puxa outra, começou a formar uma nova turma de amigos, saiu da toca e, enfim, depois de muito tempo, encontrou o que procurava.
Tirou férias, foi para a Europa e, quando voltou, estava irreconhecível: magra, bronzeada, sarada e feliz.
A amiga Rose, os colegas do trabalho e muitos outros, espantados com a sensacional  mudança, não deixavam de perguntar:
Mariana, o que fizeste para ficar tão bem? O que andas fazendo?
E ela, sorridente, respondia:
É simples, meus amigos: ando beijando muito!
Santo remédio!





Cosas de La Copa

É Copa do Mundo e não adianta, até tento ficar indiferente, dependendo do jogo, mas não tem como ignorar um evento desse porte.
Ademais, não bastasse a Copa em si, acontece cada coisa que até Deus duvida, mesmo Ele sendo brasileiro.
O que foi aquela mordida do Luizito Suárez no ombro do outro cidadão? em vez de beijinho no ombro, pro recalque passar longe, pois o Uruguai está classificado, o camarada mete uma baita dentada em outro homem, em pleno campo de futebol, no meio do jogo, em uma partida pela Copa do Mundo.
Quem pode entender uma coisa dessas? Esse próximo tem um problema sério, de ordem psicológica, fiquei curiosa e até vou pesquisar o que leva pessoas a morderem outras, ele, particularmente, já teria feito isso em duas ocasiões e agora foi suspenso, o que está corretíssimo, se não consegue ficar sem dar uma mordida em alguém, que compre uma focinheira e vá se tratar!
Outro caso, este da Copa anterior, foi o do técnico da Seleção da Alemanha tirando pão do forno e levando à boca aquela bolinha que havia feito...mas creeeedooo! Põe relaxado nisso, quando ele apareceu desta vez, imediatamente lembrei daquela imagem que correu o mundo, algo tão vergonhoso para um adulto quanto nojento.
Também deve sofrer de algum transtorno, tenho certeza disso, e de tal monta, que não se conteve e acabou fazendo aquilo em público, também dentro do campo, também em plena partida de Copa do Mundo.
Tomara que, nesta Copa, não repita o gesto; entretanto, volta e meia, ele coça o nariz...
Mas a cena dantesca que levou todas as fichas foi aquele comboio escoltando um veículo cheio de dinheiro, para ser entregue aos jogadores de Gana, que já tinham ameaçado não jogar se não recebessem.
Como pode?
Incidentes isolados que chamam a atenção mas que, em momento algum, tiram o brilho da festa, que está linda: estádios lotados, gente feliz, fantasiada, extasiada com a beleza dos jogos e dos bons momentos que o futebol proporciona, uma integração maravilhosa entre os povos.
Perfeição não existe, como registrei anteriormente, muitos desvios ocorreram, mas a esmagadora maioria trabalhou, varou noites, finais de semana, muita tensão e uma cobrança infernal.
A Copa do Mundo do Brasil, até agora, é um sucesso estrondoso!
A grama do vizinho sempre é mais verde, mas nós, brasileiros, deveríamos nos orgulhar de ter a capacidade de oferecer para o mundo algo assim.
Espero que os governos usem a mesma criatividade, disposição e força de vontade que tiveram em relação a Copa para por fim, em definitivo à miséria, à pobreza, à falta de educação e de saúde, entre outras tantas carências do povo.
Nós podemos!





quarta-feira, 25 de junho de 2014

Recalque Mondadori

Definitivamente, eu lido muito mal com as frustrações, aliás, não lembro quem foi que me apresentou, certa feita, uma frase do tipo é preciso aprender a lidar com a frustrações, provavelmente algum chato de galocha com aquele papo politicamente correto que abomino, mas, vá lá.
Não consegui, até a presente data e apesar dos incontáveis tombos que levei por esta vida afora, descobrir a fórmula mágica que me deixaria calma e tranquila e serena e com cara de paisagem cada vez que levasse um não assim, bem no meio da cara.
Afffffff!
Se alguém souber, por favor, onde encontrar esse produto que acalma cada vez que você deseja ardentemente alguma coisa e não pode obtê-la, me avise, pago bem.
Têm dias que a gente sente uma vontade louca de sair para fazer o que tem vontade, sem se preocupar e como se não houvesse nada mais importante, a não ser o que a gente quer, um belo dia resolvi mudar, e fazer tudo que eu queria fazer, me libertei daquela vida vulgar, etc...
Eu sou fanática pela Seleção Argentina e isso não é segredo para ninguém, talvez Freud explique e se ele não explicar também não importa, fato é que soy alucinada por la celeste y blanca.
 E isso me fez desejar ir pro Portinho, estar lá, no meio da massa, nesta quarta feira, gritando e cantando junto con los hernmanos, ingresso nem pensar, tentei há meses e não consegui, mas só de estar ali junto com o povo seria suficiente, e aquela ideia começou a tomar corpo e atingiu uma proporção muito grande dentro de mim, a tal ponto que liguei para a rodô e reservei minha passagem, faria uma viagem meio suicida, iria terça à noite, voltaria quarta à noite, passaria o dia, talvez precisasse chamar o SAMU pra me levar até a rodoviária de Porto Alegre ou me buscar na chegada, aqui em Itaqui.
Enfim, passei boa parte do final de semana sonhando com isso e em ouvir aquelas músicas que a torcida argentina canta, vamos, vamos Argentina, vamos, vamos, a ganar, que esta barra quilombera no te deja de apoyar!, meu Deus do céu, queeeeee músicaaa sensacional!!!
Até parece a torcida brasileira, que há décadas canta o mesmo samba de uma nota só, desculpem minha sinceridade.
Mas aí, uma amiga muito chata que eu tenho, aliás, insuportável, chamada Realidade, começou a falar comigo, primeiro, como quem não quer nada e,  sem querer querendo, veio me lembrar  que o jogo seria numa quarta feira.
Como sair do trabalho em plena quarta feira? Chegaria para meu Chefe e diria, e aí, Chefia, última forma,  tô me mandando pro Portinho porque soy loca por Argentina y quiero estar allá, sabes, gritando mucho, vou faltar quarta e quinta e, de repente, dependendo da festa, volto só segunda que vem...
Legal, né?
E a amiga continuou me cutucando, é final de mês, tá com pouca grana, vai fazer como? A passagem é cara...
Mas vida de pobre é fumeta, mesmo!
Como vocês já se flagraram, não fui.
Hoje amanheci com uma raiva do tamanho do mundo, e nada ajudou, a começar pela TV, que mostrava ininterruptamente as imagens dos hermanos festejando, enlouquecidos.
Eu, olhando aquilo, séria que nem guri cagado, nem vontade de ver o jogo me deu, pior que não ir à festa é ver os outros festejando e você ali, do lado de fora.
Ou melhor, a 730 Km!
Olhei o jogo, aguentei firme mas, quando terminou, desliguei a TV com uma dor de cabeça daquelas, fechei a cara, juntei o pouco de sanidade mental que me restava e fui tomar um banho pra acalmar os nervos e a fúria.
Deu certo.
Ainda bem, pois estava a ponto de ir até o Cartório do Registro Civil para mudar de nome:
Recalque Mondadori, esse é o nome da fera!



sábado, 21 de junho de 2014

Astral de Candidato

Embora estejamos em plena Copa do Mundo - e, no Brasil, o que é fantástico, em que pese todas as falcatruas que devem ter rolado, temos que admitir que muita gente trabalhou duro e de forma honesta, aliás, a esmagadora maioria, disso não me cabe dúvida - é ano de eleições e os futuros candidatos andam a mil pelo Brasil.
Tem um negócio que ronda minha cabeça há dias, e quero dividir com vocês, meu adorado fã clube de meia dúzia de gatos pingados: o candidato não pode ser mal humorado.
Ou pode?
Não pode.
Quem quer voto não pode ficar de cara feia e muito menos tratar mal o eleitor, seja o que já abriu seu voto e anda com adesivo colado na lapela, seja com aquele que ainda está em cima do muro, observando a cena.
Com esse último, então, nem se fala!
Candidato que se preze tem que gastar todo seu latim para convencer o eleitor que sua proposta é boa, que suas ideias são fantásticas e que ele, e só ele, é a solução para todos os problemas que afligem sua comunidade e sua região. Todos os demais são bons: ele é o melhor.
Entretanto, tem candidato que se acha, que pensa que já ganhou por que tem uma legião de pessoas que admiram seu trabalho, que curtem tudo que ele posta nas redes sociais e, também, em razão da sempre presente turma dos puxa sacos, cujo cordão cada vez aumenta mais, como diz a marchinha.
Não entendo assim, s.m.j.
Um candidato que se apresenta com ares de superioridade e, pior ainda, trata mal algum eleitor apenas porque o mesmo não vai votar nele e sim em outro candidato, para mim, já perdeu.
Perdeu a chance de reverter aquele voto com argumentos sólidos
Eu, particularmente, presto muita atenção a um bom argumento. Paro tudo e posso até rever posições, dependendo.
Mas se tem uma coisa que não suporto, é falta de educação.
Meu voto é sagrado, é meu e bem meu,  voto em quem eu quiser, ainda não nasceu quem vai me dizer em quem devo votar,  mas não mesmo!
Acima de tudo, voto em quem eu acredito e respeito.
E de candidato brucutu e baixo astral, passo longe.
Se está assim antes de ser eleito(se o for), imagina na Copa!



Noche de Ronda

Costumo me exibir e propalar, aos quatro ventos, que não sofro de insônia, um mal que aflige muitos amigos meus, os quais, cada vez que o assunto vem à baila, ficam a olhar-me se soslaio, com um misto de inveja e raiva, pois imagino o quanto deve ser terrível passar a noite revirando pensamentos e buscando um sono que não vem.
Imaginava, devo dizer, pois ontem à noite, aliás, hoje pela madrugada, tive minha dose de remédio amargo.
Minha filha Marina foi passar o feriadão em Alagoas, seu voo estava marcado para sair de Porto Alegre às 9 da manhã de ontem e saiu às 12h.30min., ela chegou em São paulo às 13h30min., de onde me ligou, avisando, para que eu não me preocupasse, pois tudo havia atrasado em função da neblina e somente às 23 horas ela embarcaria para Maceió.
É mole ou quer mais?
A partir dali, minha mente produtiva começo a funcionar e eu já sabia, uma vez que me conheço bem, que não teria mais 1 minuto de sossego até que a criatura chegasse ao hotel.
Foram horas e horas de pensamentos desagradáveis, tenho propensão a teorias da conspiração, tentei me distrair durante a tarde e até lá pelas 23h, horário da decolagem, mas depois, não tive saída a não ser encarar uma noite gélida e uma madrugada tensa.
Um frio de renguear cusco e eu ali, sentadita no sofá, esperando, tentando não olhar para o relógio que, obviamente e só para me irritar andava mais lentamente que de costume, e nem adiantou tomar meu popular Cereus Purpúreos, o tradicional remédio de china velha, como dizia meu Pai, talvez eu precisasse, mesmo, de uma dose desses calmantes faixa preta que não tenha em casa, pois minha parca farmácia doméstica consiste em  sal de frutas e aspirina - simplesmente ridículo, dadas as circunstâncias.
Vieram-me à cabeça tantas histórias absurdas que nem vale a pena comentar,  vou guardá-las para um futuro romance de suspense e tragédia, tal o grau de requinte das asneiras que pensei.
Cantei mentalmente várias músicas, lembrei de uma, do tempo da faculdade, que dizia mais ou menos assim:
No meio da noite, quando eu tenho insônia
Fico lendo um velho jornal
Que é pra ver se durmo, antes do amanhecer
E conto ovelhas, danço com fantasmas
Numa dança sem emoção
E no fim das contas, pelas circunstâncias
Volto a me lembrar, de ti...
E por aí segue.
Fato é que, sim, dancei com todos os meus fantasmas, apareceram amigos do tempo da carochinha que nem eu mesma lembrava e estava crente que havia sepultado em definitivo, que nada daquilo importava mais na minha vida.
Ledo engano!
Nada como uma madrugada insone para colocar ideias em ordem, ou, talvez, numa saudável desordem, porque às vezes é preciso, mesmo, zerar tudo e recomeçar.
Mas põe insônia nisso!
Tornei-me filosófica,  refiz meu trajeto de 53 anos e dei tantos giros que dava pra ir de voltar de Maceió umas quantas vezes!
Às 4 da matina, recebi a ligação redentora, minha filha falava ao telefone como se fossem 10 da manhã, lépida e faceira, deslumbrada com a beleza de seu hotel e da praia que se estendia a sua frente.
A partir dali, caí num sono profundo,  sem sonhos nem fantasmas, esses foram embora e espero que para sempre, se bem que, de alguma forma, me ajudaram, soprando em meus ouvidos algumas verdades que somente uma noite insone é capaz de trazer.
Ainda não digeri muito bem tudo que passei nesta madrugada, mas uma coisa é certa: quando vi o Sol fantástico e o céu azul, não pude deixar de agradecer a Deus por ter conseguido vencer mais esta travessia!